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Pedacinhos do meu sentir

Carla Ribeiro

Depois de uma noite, na rua com a companhia de uma excelente equipa, como sempre, há um turbilhão ainda de sentimentos, que bailam dentro de mim. Há brilhos no olhar que fotografei, com o meu sentir. Sorriso rasgado no rosto, que transporta o meu sentir.

“Stora”… uma expressão da qual até eu tinha saudade. A Vénia, cordial e repleta de sentimento, um abraço que o tempo jamais apaga.

Reencontros… reencontros…

De histórias, sonhos, laços que na rua se criam, quando tudo se resume a Amor incondicional.

Aprendemos a respeita-los.

Levamos-lhes a palavra, o sorriso, o colo, até a atenção de que tantas vezes necessitam.

No meu peito, um turbilhão de sentimentos, entre a alegria e a deceção…

Mas não serei eu que vou apontar o dedo, pois apenas estou lá, para lhe levar Amor…

O regresso para a rua, mais um trilho, um caminho a fazer…

E entre os abraços, os sorrisos e a conversa, o tempo foi passando.

Tanto que há para contar, tanto…

E na hora da despedida, já fica a saudade, o brilho no olhar, a alegria do reencontro.

Admirável, esta forma de descreves o Amor, esse sentimento tão universal, mas que tão poucos conseguem senti-lo nas suas inúmeras formas e sentires.

O amor que se descobre no simples, no caminho diário da vida.

Em cada momento, faço a minha leitura, faço o meu amadurecimento, cresço, vivo e sinto, olho a criança, a adolescente e a Mulher, e deixo que todas sintam e Vivam.

O Amor, é um sentimento que sei viver de forma incondicional,

Não sei se consigo, mas tento.

Sei que a vida me inspira, o que sinto me estimula, e sei apenas, que tento passar o meu sentir.

Não sou poeta, mas sou um poema em construção, no Sentir, no Viver e no amor.

pedacinhos 01

Vejo fome…

Nestas noites, tanta a fome, que vejo nestes rostos.

Não sei que idade têm,

Nem isso me importa,

Sei apenas que têm fome.

Vejo fome, desassossego,

Fome nestes rostos, que deambulam

Carregados de solidão…

Nestas ruas frias da cidade, onde há vida,

Que nela fica,

Camas que se fazem todas as noites, e o medo,

Que em cada noite se esconde

No vão de uma escada, ou na entrada de uma loja.

Não importa o que são, pois são eles a fome, a vida e o medo

Que habita as ruas da cidade,

Onde nós dormimos serenos na nossa cama,

E eles num simples cobertor, ou apenas uma cama de papelão.

Cada noite que passa, vejo nestes rostos mais fome,

Fome, que não se alimenta so com palavras,

fome… tanta fome

Que me faz sentir o tudo e o nada,

Como o sol que a noite se junta ao mar,

Na linha do horizonte.

São eles que moram na rua,

A luz que brilha como o sol

Nestas ruas frias e imensas,

Como o mar que não sabes onde tem fim…

Rostos, e fome…

pedacinhos 02

Depois da noite de ontem passada com os @Corações Amigos na rua, não consegui deitar-me, ou antes adormecer sem escrever estas linhas

Terminada a nossa noite de hoje.

E a cada caminho que faço, a cada noite que percorro as ruas frias da nossa cidade, eu me sinto com mais Amor.

Nestas ruas frias, que esta noite estavam algumas, repletas de cor e de cheiros, ainda do S. João, e também pela vitória do nosso Portugal no futebol…

Nada disto tem valor,

Quando no olhar dos que acolhemos,

Nos mostram dor e fome, sede e sofrimento,

E se vestem de simples solidão…

Não sei se vos diga que sinto que foi missão cumprida,

Ou, se confesso, que a sinto inacabada,

Pois a cada noite que volto para a rua,

Sempre me pergunto…

O que posso eu fazer mais?

Porque transitam nas ruas da cidade

Veículos camarários que recolhem o tudo que estas pessoas possuem,

E lhes devolvem o nada, que já carregam, na sua solidão…

Cansada desta injustiça, até falta de respeito, do que chamam condição Humana…

Onde paira a razão, a moral e a tradição?

Não, não me peçam para voz dizer, que sinto que cumpri a missão,

Pois o que realmente eu sinto,

É que há ainda tanta que podemos fazer…

Inacabada…
Sinto-a Inacabada…

pedacinhos 03

E nesta que é a edição 100 deste magnífico Jornal, não posso esquecer-me de agradecer-vos a vocês, os nossos tão importantes leitores, seguidores e amigos.

Sem vocês, a nossa escrita não faria qualquer sentido.

Quero também agradecer e fazer a devida vénia ao diretor deste Jornal, José Gonçalves, que contra tudo e contra todos, retirando do caminho sempre que assim foi necessário, pedras e ervas daninhas, foi sempre a locomotiva deste Jornal, com a sua entrega e dedicação.

A ti José Gonçalves, tenho que agradecer, pelo tanto que nos dás, mesmo quando nos atrasamos no envio das peças.

Edição 100, um centenário de palavras, um centenário de sentidos.

Parabéns a todos que com Amor e dedicação colaboram e tornam possível que este comboio sempre percorra caminho.

A todos sem igual,

Obrigada

Até breve com novos “sentir”, novos “amar”…

Fotos: “Corações Amigos

01jul16

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8 Comments

  1. Carla Ribeiro

    Retirado do Facebook:
    “Mary Horta – Uma triste realidade , muito bem descrita em poema !!Gostei muito Carlita beijinhos <3"

  2. Paulo.

    Palavras lindas, maravilhosas e com muita emoção, carinho e Amor…. sim isto e verdadeiro Amor pelos outros….es Fantástica…bjoka fofa

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