Ivo Ribeiro / Tribuna Livre
Hoje, só por hoje, faço o que sempre e nunca fiz e faço, sou só desleixado; quero mas é que se dane o que vier…
Apenas quero manter, o meu sorriso de felicidade e gratidão, para com o meu presente apresentado que por mim vai sendo representado…
Desinquietações
Tal como o pensamento e a adjacência ao corpo
O sexo é deste modo a mais perfeita conciliação
entre o desejo divino, a fome carnal,
a imundice humana e também a sociedade
a forçar a balança coexistente
a descair para cima de nós próprios.
O ocioso cântico gregoriano que do inferno é pertença
Faz com que de exuberância, tanto a hipocrisia como o sofrimento
Em trincheiras e prantos moribundos se transforme.
O vento é a carícia aveludada do coro
que faz brotar num nós longínquo
o prazer incauto
que rejubila em pautas ondulantes
num descalabro total do eu
com o tu…
Contratempos deste meu tempo
Corto tempos ao tempo
Perco tempo às perguntas que tenho para te fazer
Intemporalmente é certo
Mas nestes compassos partidos
Contratempos não contados
Sou já tempo sem tempo
Do tempo que tenho para te amar…
Descalabro no discurso
Reviver momentos é reencontrar-me no passado que já não sou
Por esta e por outra medida não me condigno a ser alguém
Mas retomando à introdução desfigurada de um ponto de vista
Que é só a minha perspetiva
Sentimentalista ou desfeita, da sarjeta que serve de prato aos meus prazeres
Bom,
não foi uma suto-mutilação melancólica e deambulante que me trouxe a esta folha de papel
E portanto,
e obstante
Retomo (outra vez) o parágrafo inacabado do que escrevo
Olhar uma fotografia, em que por muito pouco que lá esteja só um cachimbo esquivando-se por entre cinzas umas acendalhas ainda luminosas; e até uma cadeira posta em sossego
É a partir deste idílico senário, congeminar toda uma imaginação
Mas no caso ser algo nosso, nos lembrarmos, por exemplo, que fora aquele o nosso primeiro beijo…sentado na tal cadeira, tendo em boca o perfeito cachimbo
Talvez tudo isso seja recriação, mas certamente é só o sangue a voltar de novo ao coração e a ser de novo impulsionado para outras artérias e veias desta máquina sentimental…
Ver uma fotografia
É senti-la
É amá-la mais do que a nós
É voltar lá, é ela ser a nossa própria máquina do tempo
É ser o motivo de um sorriso ou de uma lágrima
É uma avó ou avô disfarçados de presente no passado emoldurado
ou os teus pais sorrindo orgulhosos de quem és hoje
Pegar numa fotografia, é emoldurar de novo o presente, é ter nas mãos o passado, decidir o que fazer, mas sempre com a certeza, de que a fotografia é a janela, uma janela da tua alma…
(podes escolher, e ainda bem, abri-la ou carecera-la em “nãos”…
Fotos: Ivo Ribeiro
01set16



Boa tarde caro escritor,
pois quem escreve assim, é sem qualquer dúvida um escritor.
Parece-me que embora de tão tenrra idade tem já uma escrita bastante marcada e um traço já muito bem defenido.
Parabens jovem, por assim escrever e por ainda termos esperanças no futuro da nossa juventude, pois você é prova disso.
Obrigada
Cumprimentos
Antonio
A cada dia que passa, o teu crescimento está cada vez mais visivel nas palavras, com as quais conversas e te delicias.
Parabens filho, pela pessoas, pelo adulto em que a cada dia cresce em ti.
que sempre, as artes brotem de ti e em ti.
beijinhos