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Escrevo sim

Ivo Ribeiro / Tribuna Livre

Hoje, só por hoje, faço o que sempre e nunca fiz e faço, sou só desleixado; quero mas é que se dane o que vier…

Apenas quero manter, o meu sorriso de felicidade e gratidão, para com o meu presente apresentado que por mim vai sendo representado…

ivo - 01 - 01set16

Desinquietações

Tal como o pensamento e a adjacência ao corpo

O sexo é deste modo a mais perfeita conciliação

entre o desejo divino, a fome carnal,

a imundice humana e também a sociedade

a forçar a balança coexistente

a descair para cima de nós próprios.

O ocioso cântico gregoriano que do inferno é pertença

Faz com que de exuberância, tanto a hipocrisia como o sofrimento

Em trincheiras e prantos moribundos se transforme.

O vento é a carícia aveludada do coro

que faz brotar num nós longínquo

o prazer incauto

que rejubila em pautas ondulantes

num descalabro total do eu

com o tu…

ivo - 02 - set16

Contratempos deste meu tempo

Corto tempos ao tempo

Perco tempo às perguntas que tenho para te fazer

Intemporalmente é certo

Mas nestes compassos partidos

Contratempos não contados

Sou já tempo sem tempo

Do tempo que tenho para te amar…

ivo - 03 -01set16

Descalabro no discurso

Reviver momentos é reencontrar-me no passado que já não sou

Por esta e por outra medida não me condigno a ser alguém

Mas retomando à introdução desfigurada de um ponto de vista

Que é só a minha perspetiva

Sentimentalista ou desfeita, da sarjeta que serve de prato aos meus prazeres

Bom,

não foi uma suto-mutilação melancólica e deambulante que me trouxe a esta folha de papel

E portanto,

e obstante

Retomo (outra vez) o parágrafo inacabado do que escrevo

Olhar uma fotografia, em que por muito pouco que lá esteja só um cachimbo esquivando-se por entre cinzas umas acendalhas ainda luminosas; e até uma cadeira posta em sossego

É a partir deste idílico senário, congeminar toda uma imaginação

Mas no caso ser algo nosso, nos lembrarmos, por exemplo, que fora aquele o nosso primeiro beijo…sentado na tal cadeira, tendo em boca o perfeito cachimbo

Talvez tudo isso seja recriação, mas certamente é só o sangue a voltar de novo ao coração e a ser de novo impulsionado para outras artérias e veias desta máquina sentimental…

Ver uma fotografia

É senti-la

É amá-la mais do que a nós

É voltar lá, é ela ser a nossa própria máquina do tempo

É ser o motivo de um sorriso ou de uma lágrima

É uma avó ou avô disfarçados de presente no passado emoldurado
ou os teus pais sorrindo orgulhosos de quem és hoje

Pegar numa fotografia, é emoldurar de novo o presente, é ter nas mãos o passado, decidir o que fazer, mas sempre com a certeza, de que a fotografia é a janela, uma janela da tua alma…
(podes escolher, e ainda bem, abri-la ou carecera-la em “nãos”…

Fotos: Ivo Ribeiro

01set16

2 Comments

  1. Antonio

    Boa tarde caro escritor,
    pois quem escreve assim, é sem qualquer dúvida um escritor.
    Parece-me que embora de tão tenrra idade tem já uma escrita bastante marcada e um traço já muito bem defenido.
    Parabens jovem, por assim escrever e por ainda termos esperanças no futuro da nossa juventude, pois você é prova disso.
    Obrigada
    Cumprimentos
    Antonio

  2. Carla Ribeiro

    A cada dia que passa, o teu crescimento está cada vez mais visivel nas palavras, com as quais conversas e te delicias.
    Parabens filho, pela pessoas, pelo adulto em que a cada dia cresce em ti.
    que sempre, as artes brotem de ti e em ti.
    beijinhos

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