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Segunda edição do Festival Literário de Ovar reafirmou a importância do convívio entre escritores e leitores

Pelo segundo ano consecutivo o Jardim do Cáster foi o palco acolhedor para a realização da segunda edição do Festival Literário de Ovar que teve lugar entre os dias sete e 11 de setembro com a presença de três dezenas de autores que preencheram um vasto programa de sessões e conversas.

A garantia da importância e da continuidade deste certame cultural dedicados aos livros e aos escritores, que tem tido a coordenação do escritor ovarense Carlos Nuno Granja, foi reafirmada por Salvador Malheiro, presidente da Câmara Municipal de Ovar na abertura do Festival, com a participação de Gonçalo Cadilhe, para falar do tema “A Viagem: Levar o corpo e lavar a mente”, o mote para a primeira conversa deste Festival entre os leitores e o escritor que anda há vinte anos a viajar para escrever sobre as suas andanças pelo mundo. Uma partilha de aventuras de Gonçalo Cadilhe, que se estendeu por uma noite já com uma temperatura pouco convidativa ao ar livre, mas logo aquecida pelas palavras de Pedro Lamares num Recital de Poesia para assinalar a inauguração deste evento.

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Numa maratona de “mesas” de debates e tertúlias, “o romance como um guião que se vai estruturando para surpreender o próprio autor”, juntou nomes como, Pedro Miguel Rocha, vencedor do Prémio Literário Maria Ondina Braga, com a obra “O Eremita Galego”. Rui Cardoso Martins, que tem contos em diversas publicações nacionais e internacionais, e ainda Pedro Marta Santos, autor da adaptação da série “O Ministério do Tempo”, a estrear em outubro na RTP. Uma “mesa” alargada que teve moderação de Ana Maria Ferreira, seguida do espetáculo concerto “no Precipício era o Verbo”, composto pela leitura encenada de poemas, traduções e composições dos quatro autores, Carlos Barretto, António de Castro Caeiro, André Gago e José Anjos.

Com espaço também dedicado a novos autores, Álvaro Cordeiro, Samuel Pimenta e Miguel Almeida, debateram “os elementos mais comuns que definem e identificam um escritor”. Ainda no mesmo dia não foi igualmente esquecido o espaço dos editores, para abordarem “os novos desafios da edição e área digital”, tudo na terceira noite do Festival que incluiu ainda o concerto “Rosa do Mundo” através de uma viagem pela poesia do mundo.

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A literatura infantil preencheu a manhã do sábado (dia 10) com Cidália Fernandes e José Fanha, para falarem sobre “a literatura para a infância: o primeiro impulso para a literacia” com moderação de Rita Pimenta. À tarde foi momento para a apresentação dos livros: Poemas da Saúde e da Doença de Fernando Pessoa aos nossos dias, da autoria de José Fanha e Pedro Quintas, em simultâneo com o livro Uma Terra Prometida contos sobre os Refugiados, de vários autores, em que Fanha voltou a participar para falar de ambas as obras e declamar alguns dos “poemas da saúde e da doença”.

Este dia de sábado, que encerrou com um jantar de confraternização entre escritores e leitores, teve ainda uma “mesa” dedicada à poesia, como “misto de realidade e fantasia”, com Rita Taborda Duarte, Maria João Cantinho e João Rasteiro, e moderação de Ivo Machado. Seguiu-se mais uma conversa moderada por Carlos Nuno Granja, sobre “quando se perde uma boa história ou quando se ganha uma má história”, com António Tavares, Sandro William Junqueira e o mexicano David Toscana. “Mesa” em que António Tavares diria “nós somos muito os livros que lemos” e “as histórias são tantas que se podem repetir, mas são sempre diferentes”.

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Para encerrar esta segunda edição do Festival Literário a manhã de domingo insistiu na literatura infantil com, João Pedro Mésseder e Manuela Castro Neves, que partilharam as suas experiencias sobre “a escrita poética na criação de novos leitores”. Entre a apresentação do livro De umas coisas nascem outras, de João Pedro Mésseder e Rachel Caiano, seguida de sessões de autógrafos com vários autores, a conversa sobre cinema teve igualmente o seu espaço, com a presença de Mário Augusto. Espaço tiveram também os workshop de ilustração com Marta Madureira e Rachel Caiano. As últimas conversas literárias reuniram Deana Barroqueiro, João Pedro Marques e Maria João Lopo Carvalho, em torno do tema, “quando a Literatura e a História dançam tango…” ou “como se defende o autor dos lados obscuros da trama?”, que teve como intervenientes, Ana Margarida de Carvalho, Pedro Guilherme Moreira e Possidónio Cachapa.

Foi um ritmo estonteante para cumprir o ambicioso programa com a realização de 12 “mesas” em seis dias de atividades, que surpreendeu desde logo os convidados deste certame literário e que fizeram questão de enaltecer nas suas oportunidades de diálogo com o público, com particular incidência através de palavras de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo colega escritor da cidade anfitriã, Carlos Nunes Granja, para quem o Festival Literário representa, “bons momentos entre os livros e de grande convívio com os inventores das palavras que dão origem a esse objeto magnífico”.

Como conclui tambem o escritor ovarense, responsável pela coordenação do Festival, “todos os momentos servem a literatura, enquanto ela, por si mesma, serve as populações, embora se possa pensar que ela se coíbe apenas ao silêncio das leituras. Mas é muito mais do que isso, é conhecimento, é atrevimento e desenvolvimento de massa crítica, é pensamento e reflexão, é a chama de uma sociedade, que se quer independente e solidária”.

 Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro

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