Dar oportunidade à expressão plástica de jovens artistas com vasto currículo de exposições individuais e coletivas por todo o país, como é o caso de Miguel Neves Oliveira, com as suas esculturas “Povoar Despovoar”, ou em início de carreira no caso de Ana Sofia Machado, que apresentou o seu projeto de pintura “Aos 26”. É já uma tradição de meio século no Museu de Ovar de que resultam laços tão profundos e intrínsecos ao longo das carreiras de artistas e mestres como o pintor José Mouga recentemente falecido e cujo nome ficará para sempre nas memórias desta Instituição.
Estas exposições inauguradas no sábado (22 de outubro), com o diretor do Museu de Ovar, Manuel Cleto, rodeado dos artistas, do fundador do Museu ainda vivo, Manuel Silva e Esmeralda Souto, que não resistiu a deixar recados à ausência de responsáveis pela cultura, afirmando que se valoriza mais “festas e festinhas”. Proporcionaram aos presentes duas linguagens que caraterizam a marca e a atitude do Homem, sintetizadas pelos autores das obras destas mostras de pintura e esculturas que vão estar patentes até 19 de novembro.
“Povoar Despovoar” é o tema da exposição do artista plástico Miguel Neves Oliveira, que apresentou este seu conjunto de esculturas como o ciclo do Homem e o binómio “construir/destruir, para voltar a florir”, como afirmou na altura, ao falar da sequência das obras que representam a sua visão sobre a condição humana e a relação humana com a natureza. Peças de arte produzidas por diferentes tipos de madeiras que transmitem a ideia de que, “na fina membrana da existência onde se nasce e se morre a toda a hora”, “somos pó ancestral / Somos natureza. / Mas arranhamos o céu / e fazemos ferida!!”, acrescentando ainda que, “nós somos / Soldados com Espírito / Dinossáurico”, ou seja, segundo o autor natural de Vila de Cucujães, onde nasceu em 1980, “é a condição humana, / Destrói para voltar a florir…”.
Já Ana Sofia Machado, uma jovem artista de 26 anos, a estudar pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, residente em Ovar, inaugurou no Museu de Ovar a sua exposição “Aos 26“. Este seu mais recente projeto, “conjuga trabalhos de representação de personagens absortas no seu próprio mundo, vestidas com adereços de universos oníricos, e de representação de outras personagens que procuram a sua identidade num mundo dominado por conflitos de culturas, desde a “pop”, a tribal e a religiosa”, que segundo as suas palavras e observação do mundo, deste mundo representado nas suas obras em que se destaca a mulher vítima e reprimida, como temáticas que explora e reafirmou, “pretendo crescer mais” neste campo da representação das mesmas.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro
07nov16



