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REALOJAMENTOS NA PRAIA DE ESMORIZ AINDA DEIXARAM FAMÍLIAS À MERCÊ DA FÚRIA DO MAR

Texto e fotos: José Lopes

A construção dos 30 fogos do Conjunto Habitacional da Praia de Esmoriz e o processo de realojamento de cerca de 100 famílias que aconteceu em dezembro de 20015, foi o culminar de um longo e doloroso período de promessas que se foram arrastando no tempo, para construção de fogos de habitação social com vista ao realojamento de famílias a residirem em habitações degradadas e em risco na praia de Esmoriz.

Conjunto residencial junto à praia dos pescadores (Esmoriz)
Conjunto residencial junto à praia dos pescadores (Esmoriz)

Uma língua de terreno sob ameaça de ser engolida pelo mar que ali se fixou, apenas com uma muralha de pedra a separar a força das ondas de uma área tão frágil, em que se amontoam casas, incluindo algumas mais abarracadas, que há décadas vão acolhendo vidas duras, de amargura e medo que se intensifica em épocas de vendaval e aumento de erosão costeira, criando cenários naturais de alerta e autênticos SOS, que perante a fúria do mar, fez aumentar a instabilidade e falta de seguranças de pessoas, com particular incidência nesta zona do litoral, acabando por pressionar e sensibilizar os governantes e autarcas para a concretização de um moroso e burocrático processo, que finalmente resultou na concretização de parte do numero de fogos necessários, que se esperaria serem para realojar prioritariamente as famílias em situações mais precárias e em risco.

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Acomodadas nos novos fogos as famílias que obtiveram a tão desejada chave de um projeto social, que o executivo socialista deixou praticamente pronto a ser iniciada a construção, mas que acabaria por ser a atual nova maioria liderada por Salvador Malheiro, a ultimar todo o processo que permitiu o arranque da construção, sua conclusão e por fim a fase de entrega de chaves. Um processo que já deu origem a muitas dúvidas, uma vez que, parte das famílias que era suposto terem sido realojadas, ainda continuam a viver em condições precárias no bairro piscatório da Praia de Esmoriz, apesar da concretização, em termos da construção dos 30 fogos, do que foi à época assumido pelo presidente do executivo camarário, como “um objetivo estratégico e prioritário”, tendo em linha de conta a, “conjugação de razões sociais e ambientais, englobando questões de segurança da população residente, em virtude da problemática do avanço do mar que afeta a zona costeira de todo o território concelhio” afirmava Salvador Malheiro, para quem, esta obra prometida há décadas, “é essencial, quer pelas condições habitacionais da população residente no Bairro dos Pescadores de Esmoriz, quer pelas questões da erosão costeira que afetam o nosso concelho”, lembrando ainda o autarca que tais condições, “colocam em risco e sobressalto constante os moradores e as suas habitações devido ao avanço do mar”. Tom do discurso na altura do lançamento da primeira pedra para o início da construção deste projeto social.

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Concluída a que deveria ser a primeira fase da empreitada deste Conjunto Habitacional da Praia de Esmoriz, que representou um investimento global de 2,2 Milhões de euros, para a construção dos 30 fogos que se dividem entre 18 T2 e 12 T3 totalmente ocupados pelas famílias que beneficiaram de tal direito a habitação condigna. O cenário inquietante no bairro piscatório na Praia de Esmoriz, lá se mantem como que aguardando uma segunda fase de construção que não se vislumbra na próxima década.

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A manutenção das situações de risco neste bairro precário que vive lado a lado com o mar, levaram mesmo o grupo municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Ovar, a solicitar à Câmara através de requerimento, questões como: “para quando a desocupação da primeira linha de casas do bairro piscatório?”, alertando que, “com o final da época balnear e o aproximar de mais um Inverno, prevê-se que em breve se dê novamente início às recorrentes preocupações com a segurança da população dos bairros piscatórios do concelho, nomeadamente nas freguesias de Esmoriz e Cortegaça”, uma referência também ao degradado bairro do Saal que permanece à espera de solução igualmente social.

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O Bloco de Esquerda quer assim saber se, “foram as famílias das primeiras linhas de casas do bairro piscatório da praia de Esmoriz alojadas no novo Conjunto Habitacional? Se não, porque razão não o foram?” e pergunta ainda, “estão asseguradas as condições de segurança e habitabilidade, às portas de mais um Inverno, para os mais vulneráveis dentre a vulnerável comunidade do bairro piscatório?”. Este partido quer também saber, “para quando a remoção da primeira linha de casas de forma a mitigar os impactos das intempéries e do avanço do mar?” e por fim, em contraponto às obras pesadas de defesa da costa, pergunta ainda se, “estão previstas medidas de recuperação dos ecossistemas (nomeadamente do cordão dunar) como forma de combater o avanço do mar?”.

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1 Comment

  1. J.J.F. Costa

    Questiono-me: porque não demoliram as “casas” à medida que os moradores foram realojados no novo bairro?
    Porque não requalificaram o espaço devoluto?

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