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Teoria da Desculpa

Ivo Ribeiro (*) / Tribuna Livre

Viver, correr, fulgor ou sedenta permissão de vida, momentos inconstantes…

ivo-01-nov16

Assisa-te

Meu sedento intento,

Te declaro como absorto

Em fracção de segundos ou mortes,

Como de resto tenho esconjurado

Na impiedade de quem sou descubro quem fui

Redescubro o pregão nobre e exangue

Que em sôfregas goelas te descais

Amor ou morte

Indefinidas idealizações

Um pode ser o outro

Se assim o bem entenderes

És desertor da tua moralidade

E és cais da tua liberdade

Mastro seco encimado de bandeiras

Silenciado por um perfume incauto

Alto te ergues e de prateado te regalas

Dessa tua formusura

Da alcatra proeminente

És tu o limonete da corda provocadora

Enforcas-te?

Licenciando-te em índias e segredosos ódios

Vertigens penosos que lá se cravam

Mente na mente que desmente

Vês, olhas, mas nada entendes

Escreves

Sonhas

Mas não és jaz indivíduo de outrora

Bravosa genialidade

Violadora de consciências

Requebras-te em cana com palmeiras tropicais

Nada de erótico ou bácaro

Nada de reco, energúmeno ou descfigurado

Apenas sinceridade

Sinceramente daquele…

Que nada escreveu

ivo-02-nov16

Intempestades qualitativas

Morrer na água

Afogar-me na alegria que sinto

Viver é um projecto adiado

Morrer é um presente concreto e inevitável

Existir é perecer

Água que tomba lá fora

Fervilhação de meus sentires

Chuva que ensopa e descodifica

Ou conjugação de trovoadas na minha mente…

ivo-03-nov16

Moulin noir

Sociedade inebriada

Por tantos mitos recriada

Mentes perversas

Mentes pornografadas aos punhos das consciências

Químicos que voam e deslizam nas veias da tua consideração

E o que é que consideras

Nunca valeste nada…

Nem eu nem tu

Nunca valemos nada

És tão pecador ou pior malfeitor que eu

E orgulhas-te de quê

Eu pisando a poça molhada da chuva inebriante que me oxida o córtex

E tu circundando com avidez e arrogância a tua cova transbordante

Queres o outro lado

Mas que outro lado?

A morte?

Se é essa que procuras já a encontraste então

Na vida só nos damos como mortos quando pensamos que iremos morrer

Irremediavelmente

Todos

Morreremos um dia

E orgulhosamente morres

Não penosamente

As penas essas deixa-as para quem

Se assim por devidas causas e efeitos almejarem

E em prantos mais ou menos sarcásticos ou avidamente sinceros

Em oceanos “des-salgados” se espraiarem pelo rosto abaixo

Por piedade por ti ou por quem já não és

Vais a enterrar na tua mãe

Não a vulgar e redundante “última morada”

Mas antes crê

Ser agora que com o teu criador te irás encontrar e descobrir

Viver e morrer é uma inconstância de estar existindo

Viver cabe-te a ti dar-lhe o norte

De nada servem estros agudos

Ou caralhos encimando mastros para te darem olhar ao caminho mariante

Se o mesmo caminho não o buscares tu volvendo e revirando terras e mares

O caminho, faz-se desbravando

Para caminhar tens os pés

Para desbravares, tens todo um corpo querendo entrar em cena

Deixa que projetores e palco se fundam em ti

Se com-fundam em ti

Deixa-te fundir

Permite-te a essa fusão

O futuro é uma morte sonhada,

E o sonho é um presente ou vontade futurista ainda por concretizar

Sonhando, vais vivendo,
e sonhar sim, mas cegar não…

Sabes tudo quanto teus sentimentos atentamente te sobrepõem

Mas só sabes até onde te é permitido ir

Saber sempre sim, mas sempre sem nada descobrir

Procurar, remexer, investigar, conhecer, flanar, viajar,

São tudo conjugações

(Ou deviam ser)

Do mesmo verbo

“perguntar”

Sendo este sinónimo antitético de viver

Se te matas por algum motivo extrínseco

És jaz laje de mármore jogada ao sepulcro

Mas se o motivo que te mata é interno

Então de masoquismos e sadismo teu universo está cheio
Toda a erva daninha é rastreada pela raiz

Rente entrecortada se torna a alma que te assim não se permite libertar

Ferve a lava dentro de ti e reza para que sempre essa explosão interna se liberte
porque senão, grande será o terramoto que te provocará o mundo permente

Afinal…nenhum lar sucede à ruína de milhares…obrigado

(*) texto e fotos

01nov16

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