Ivo Ribeiro (*) / Tribuna Livre
Viver, correr, fulgor ou sedenta permissão de vida, momentos inconstantes…
Assisa-te
Meu sedento intento,
Te declaro como absorto
Em fracção de segundos ou mortes,
Como de resto tenho esconjurado
Na impiedade de quem sou descubro quem fui
Redescubro o pregão nobre e exangue
Que em sôfregas goelas te descais
Amor ou morte
Indefinidas idealizações
Um pode ser o outro
Se assim o bem entenderes
És desertor da tua moralidade
E és cais da tua liberdade
Mastro seco encimado de bandeiras
Silenciado por um perfume incauto
Alto te ergues e de prateado te regalas
Dessa tua formusura
Da alcatra proeminente
És tu o limonete da corda provocadora
Enforcas-te?
Licenciando-te em índias e segredosos ódios
Vertigens penosos que lá se cravam
Mente na mente que desmente
Vês, olhas, mas nada entendes
Escreves
Sonhas
Mas não és jaz indivíduo de outrora
Bravosa genialidade
Violadora de consciências
Requebras-te em cana com palmeiras tropicais
Nada de erótico ou bácaro
Nada de reco, energúmeno ou descfigurado
Apenas sinceridade
Sinceramente daquele…
Que nada escreveu
Intempestades qualitativas
Morrer na água
Afogar-me na alegria que sinto
Viver é um projecto adiado
Morrer é um presente concreto e inevitável
Existir é perecer
Água que tomba lá fora
Fervilhação de meus sentires
Chuva que ensopa e descodifica
Ou conjugação de trovoadas na minha mente…
Moulin noir
Sociedade inebriada
Por tantos mitos recriada
Mentes perversas
Mentes pornografadas aos punhos das consciências
Químicos que voam e deslizam nas veias da tua consideração
E o que é que consideras
Nunca valeste nada…
Nem eu nem tu
Nunca valemos nada
És tão pecador ou pior malfeitor que eu
E orgulhas-te de quê
Eu pisando a poça molhada da chuva inebriante que me oxida o córtex
E tu circundando com avidez e arrogância a tua cova transbordante
Queres o outro lado
Mas que outro lado?
A morte?
Se é essa que procuras já a encontraste então
Na vida só nos damos como mortos quando pensamos que iremos morrer
Irremediavelmente
Todos
Morreremos um dia
E orgulhosamente morres
Não penosamente
As penas essas deixa-as para quem
Se assim por devidas causas e efeitos almejarem
E em prantos mais ou menos sarcásticos ou avidamente sinceros
Em oceanos “des-salgados” se espraiarem pelo rosto abaixo
Por piedade por ti ou por quem já não és
Vais a enterrar na tua mãe
Não a vulgar e redundante “última morada”
Mas antes crê
Ser agora que com o teu criador te irás encontrar e descobrir
Viver e morrer é uma inconstância de estar existindo
Viver cabe-te a ti dar-lhe o norte
De nada servem estros agudos
Ou caralhos encimando mastros para te darem olhar ao caminho mariante
Se o mesmo caminho não o buscares tu volvendo e revirando terras e mares
O caminho, faz-se desbravando
Para caminhar tens os pés
Para desbravares, tens todo um corpo querendo entrar em cena
Deixa que projetores e palco se fundam em ti
Se com-fundam em ti
Deixa-te fundir
Permite-te a essa fusão
O futuro é uma morte sonhada,
E o sonho é um presente ou vontade futurista ainda por concretizar
Sonhando, vais vivendo,
e sonhar sim, mas cegar não…
Sabes tudo quanto teus sentimentos atentamente te sobrepõem
Mas só sabes até onde te é permitido ir
Saber sempre sim, mas sempre sem nada descobrir
Procurar, remexer, investigar, conhecer, flanar, viajar,
São tudo conjugações
(Ou deviam ser)
Do mesmo verbo
“perguntar”
Sendo este sinónimo antitético de viver
Se te matas por algum motivo extrínseco
És jaz laje de mármore jogada ao sepulcro
Mas se o motivo que te mata é interno
Então de masoquismos e sadismo teu universo está cheio
Toda a erva daninha é rastreada pela raiz
Rente entrecortada se torna a alma que te assim não se permite libertar
Ferve a lava dentro de ti e reza para que sempre essa explosão interna se liberte
porque senão, grande será o terramoto que te provocará o mundo permente
Afinal…nenhum lar sucede à ruína de milhares…obrigado
(*) texto e fotos
01nov16


