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Valter Hugo Mãe apresentou “Homens imprudentemente Poéticos” em Ovar

O evento literário À Palavra com… que se vem realizando com regularidade no Museu de Ovar, como um desafio cultural que, em boa hora, o escritor Carlos Nuno Granja lançou, dinamiza e consolida este projeto há três anos, sendo já uma referência nacional em cuja agenda muitos escritores querem fazer constar a sua disponibilidade e manifesto interesse pelo modelo de convívio e diálogo com os leitores. Teve, no passado dia 20 de outubro, a participação do escritor Valter Hugo Mãe para mais uma tertúlia e apresentação do seu mais recente livro, “Homens imprudentemente Poéticos”, perante uma sala “decorada” com o colorido da exposição de pintura de Mário Portugal e cheia de leitores, com particular destaque para a significativa presença de docentes das escolas locais.

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Quando o escritor natural de Vila do Conde assinala 20 anos de carreira, com um percurso literário marcado por inúmeros prémios, a apresentação desta sua obra que retrata um Japão antigo, atravessado por referências místicas. Ovar teve o privilégio de, depois do Porto e Lisboa, ser a terceira cidade do país escolhida para a apresentação do seu romance, “Homens imprudentemente Poéticos”, que esteve a cargo de Ana Maria Ferreira, através de uma cuidada leitura do livro por parte desta docente, que concluiu tratar-se de um “maravilhoso livro… exemplo de obra poética”.

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De imediato o escritor, cujo livro “Homens imprudentemente Poéticos” está a ser promovido através de uma campanha publicitária na TV, mostrou-se muito agradado com o ambiente proporcionado por esta sessão no Museu de Ovar, afirmando que, “interessa-me mais esta vontade de encontrar pessoas que gostam de ler livros… que não têm medo do livro”. Começando assim por responder às curiosidades dos presentes, dizendo que desde muito cedo entendeu a poesia como, “uma espécie de aventura que vivemos”, porque os livros, acrescentou, “às vezes aparecem para nos fazer acreditar em algo” ou seja, “a poesia é como um ofício de imprudência”.

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A noite prolongou-se e os desafios do autor eram constantes em conversas como as cerejas, em que o próprio admitia que se ia perdendo, mas cujas mensagens eram claras, “o meu livro é contra esta tendência de intolerância e radicalização na sociedade”.

Particular enfoque nesta tertúlia mereceu a cultura japonesa, tratando-se este livro de Valter Hugo Mãe de uma abordagem sobre um Japão antigo, com personagens principais, do artesão Itaro e o oleiro Saburo e sua vizinhança marcada por inimizades, que acabarão por tomar consciência da miséria e do destino comum, bem como da exuberância da natureza que os faz medirem a sensatez e o modo incondicional de amarem suas distintas mulheres que sofrem.

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Autor de uma vasta obra poética, com romances como: A Desumanização; O Filho de Mil Homens; A Máquina de Fazer Espanhóis; O Apocalipse dos Trabalhadores ou O Remorso de Baltasar Serapião. Valter Hugo Mãe, que publica as crónicas “Autobiografia Imaginária” no JL, tem obras traduzidas em variadíssimas línguas e é uma das mais importantes vozes da literatura nacional.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro

01nov16

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