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Que diabo?!

José Gonçalves

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,6 por cento no terceiro trimestre de 2016, face a igual período de 2015, e de 0,8 pontos percentuais relativamente ao segundo trimestre deste ano, superando largamente as expectativas. Portugal é o país da Zona Euro que mais cresce.

Que diabo! Não é que o governo apoiado pela “Geringonça” está a funcionar?!

Ah! Já me esquecia: registou-se ainda uma subida do emprego e tudo indica (veja só, caro(a) leitor(a)) que atingiremos o défice mais baixo desde que vivemos em democracia!

Como é que isso é possível? Que diabo!

Pior ainda (para os amigos do mafarrico, está claro):o projeto de Orçamento do Estado foi aprovado pela Comissão Europeia, sem exigências de medidas adicionais; colocou-se um ponto final no processo de suspensão de fundos a Portugal; e ainda ouviu-se o anúncio de que o nosso País está no caminho certo para se livrar do procedimento por défice excessivo.

Vistas bem as coisas, Portugal está a funcionar!

Contra factos não há argumentos! E tão certo é, que, a esgotada e pálida “oposição”, teve que reconhecer (engolindo não um sapo, mas um “boca de sapo” inteirinho) que estas eram boas notícias para o País. Então, onde é que está o diabo?

Recuemos um bocadinho no tempo, e tenhamos em atenção um sério e oportuno aviso, feito em julho passado, pelo líder da “oposição”, Pedro Passos Coelho: “a degradação económica será visível muito antes das eleições autárquicas. Vem aí o… diabo!” Que diabo? Os portugueses estão cegos? Será visível o quê? Antes de quê?

Orçamento Geral do Estado foi discutido e aprovado tanto na generalidade como na especialidade, cumprindo a Lei como há muito não sei via, já que, pelo que sei, o Tribunal Constitucional não mandou para trás qualquer documento obrigando o governo a uma retificação disto ou daquilo, como aconteceu por diversas vezes na altura em que a direita estava no poder, os portugueses mais teimosos, pobres e mal-agradecidos, têm, agora, como passatempo predileto procurar, em tudo quanto é sítio, o dito cujo, ou seja, o diabo!

diabo-mafarrico

Enfim. Em democracia há que saber ser-se honesto, modesto, sério… sei lá: flexível. Há que saber dar a mão à palmatória quando se erra, mesmo quando os erros prendem-se com previsões precipitadas… feitas a quente, como quente foram as do tal mês de julho, quando Passos Coelho disse aquilo que disse.

Quando digo ser “flexível” é saber entender que os outros estão a trabalhar, e que o trabalho está a dar bons frutos para os portugueses; que há uma maioria tão estável quão dialogante no Parlamento, e que até o próprio Presidente da República está satisfeito com o “andar” da Geringonça.

“Um ano? Passou depressa, de tal maneira que nem dei por isso!”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, quando alguém lhe lembrou da passagem do primeiro aniversário do governo de Costa, apoiado pelas esquerdas.

É claro que, o atual Governo, tem ainda pela frente muitos outros desafios, e não deve já embandeirar em arco. A conjuntura internacional – com os extremistas e populistas a tomarem as rédeas do poder em muitos países, com especial destaque para os Estados Unidos –, pode complicar o caminho de crescimento que Portugal regista, mas, a verdade, é que os “trunfos” conquistados recentemente, são importantes, quanto mais não seja em termos psicológicos.

Haverá mais força e convicção para encarar o futuro (com especial destaque para os investidores), e, até mesmo, para se ultrapassarem as adversidades que os amigos do Diabo pretendem reais, desprezando, pura e simplesmente, os interesses do povo português, em detrimento dos seus egoístas desideratos político-partidários.

A direita ainda hoje não entende – outro facto histórico – como é que – passe a redundância – a esquerda se entende. E como não entende transmite aos portugueses um discurso passadista e comprometedor, porque, quando ainda chegou a tomar posse, o (efémero) governo liderado por Coelho, prometia continuar com as medidas de austeridade, não antevendo qualquer outro tipo de política e de negociações com Bruxelas. Até nisso deram um tiro no pé.

Inteligente está a ser o CDS que, devagar devagarinho, se vai afastando do discurso catastrofista em relação ao governo apoiado pela dita (agora já não o dizem bem assim) “esquerda radical”.

Enquanto isso, Passos embrulha-se. Já tem concorrência à liderança no seu partido – ele sabe disso – mas quer ir até ao fim – os adversários também, porque já sabem o que lhe vai acontecer -, levantando uma bandeira cada vez mais esfarrapada, bolorenta, e sem o peso que tinha num passado recente no panorama político-partidário português: a bandeira do seu próprio partido.

anonimos

Com estas e com outras, vamos descobrindo onde, afinal, está o diabo. Por mais estranho que possa parecer, o mafarrico parece ter encontrado guarida no seio do próprio PSD. Terá o feitiço se virado contra o feiticeiro?

Teremos de fazer essa pergunta a Rui Rio, Santana Lopes, Luís Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite, Pedro Rodrigues, Alberto João Jardim, Pacheco Pereira, Miguel Corte Real, João Pedro Gomes, André Pardal, Hugo Neto, e etc e tal.

Será que algum deles já sabe onde está o mafarrico? Sabe…sabe! Só que., para já, é cedo revelar, publicamente, o seu esconderijo. Mas, será que os portugueses andam a dormir? Claro que não! Leia o inquérito de rua efetuado pelo nosso jornal, em destaque nesta edição, e tire as devidas conclusões

Fotos: Pesquisa Google

01dez16

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