A XXIII edição do Festival de Teatro de Ovar, “Festovar16”, organizado pela Contacto, Companhia de Teatro de Ovar, que este ano teve como tema “Ovar Canta os Reis”, decorreu na Casa da Contacto entre o dia 7 de outubro e 19 de novembro em que encerrou este certame com a peça “O Cavaleiro da Triste Figura”. Um trabalho de estreia apresentado pela Contacto com adaptação de Teresa Leite a partir da obra de Miguel Cervantes «D. Quixote de La Mancha» e encenação de Manuel Ramos Costa.
Neste 10.º espetáculo do Festovar, o ambiente foi não só de mais um sucesso nesta já longa caminhada de promoção e afirmação do Teatro em Ovar percorrida com paixão e profissionalismo da Contacto e seus responsáveis pela formação de muitos jovens e menos jovens valores que ali crescem e voam.
Mas foi sobretudo momento de grande confraternização e alegria pelo empenho de todos os intervenientes, em palco ou nos bastidores, por terem proporcionado mais um momento marcante no historial de projetos teatrais e estreias da Companhia, que mereceu palavras de reconhecimento, mas sobretudo de agradecimento por parte do vereador da cultura do Município de Ovar, Alexandre Rosas ou do presidente da União de Freguesias de Ovar, S. João, Arada e S. Vicente de Pereira, Bruno Oliveira.
A farsa “cavaleiresca” entre vários outros géneros teatrais que o programa do Festovar mais uma vez proporcionou, é uma feliz adaptação livre de Teresa Leite, em que um leitor tão atual, influenciado por ritmo musical tipo “Rap”, movido pela curiosidade quer descobrir a personagem de “D. Quixote de la Mancha” com mais de quatrocentos anos de existência e que ao longo dos tempos tem inspirado tantos artistas.
O entusiasmo deste leitor interpretado por João Martins, é de tal ordem que não consegue estar quieto na leitura, por isso, salta, esbraceja e grita ali em cima do público que se acomoda na sala da Contacto, como se tivesse sido engolido pela história do Cavaleiro da Triste Figura, convidando a segui-lo através das mais bizarras aventuras que encontra nas páginas do volumoso livro de Cervantes.
Para contar esta peça de aventuras e desventuras do cavaleiro andantes, Dom Quixote de la Mancha, e do seu fiel escudeiro, Sancho Pança, subiu ao palco um elenco constituído pelos atores: António Ferreira, Gonçalo Boavida, João Barge, João Martins, José Ferreira, Juliana Almeida, Laura Poças, Luís Ribeiro, Manuel Ricardo, Margarida Martins, Tiago Amaral e a própria autora do texto, Teresa Leite.
Esta edição do Festovar a exemplo das anteriores, em que é definida uma temática com vista a afirmar Ovar na sua vertente cultural e do património, elegeu este ano como tema, “Ovar Canta os Reis” na linha aliás da iniciativa desenvolvida pela Câmara Municipal de Ovar, que tem em preparação uma candidatura a “património imaterial” desta tradição reiseira. A Troupe de Reis da Associação Desportiva Ovarense associou-se a este evento como uma das guardiãs da secular tradição.
Do vasto programa deste Festival de Teatro na cidade de Ovar, destacaram-se a participação de companhias de Teatro de Lourosa, Valongo, Tomar e Amadora, com as peças: “Yerma, Mulheres, Kusdiabos, Pessoa” e “O Príncipe com Orelhas de Burro”, respetivamente. Mas como habitualmente acontece, este ambicioso cartaz de mostra de Teatro em Ovar, é ponto de partida para lançar novos projetos da Contacto para percorrer palcos pelo país fora, e ponto de chegada a peças que concluíram a sua caminhada, como foi o caso de “A Cantora Careca” de Eugéne Ionesco, com encenação de Manuel Ramos Costa.
Um dos recentes sucessos que foi a cena no dia 29 de outubro, logo seguido num dos mesmos fins-de-semana (30 outubro) em que o Teatro juvenil também teve o seu lugar, com “Barquinhos de Papel para Bakiri”, de Teresa Leite ou ainda (5 novembro), uma outra produção da Contacto, “A Raiz e o Rouxinol”, de Manuel Ramos Costa.
No entanto o ponto alto desta XXIII edição do Festival que mais uma vez teve como diretor, Fernando Rodrigues, aconteceu logo no primeiro espetáculo, com a estreia no dia 8 de outubro, da 61.ª produção da Contacto, com a peça “Medeia”, de Mário Cláudio e encenação de Manuel Ramos Costa. Um drama que a atriz convidada, Aurora Gaia protagonizou, interpretando Medeia, uma atriz consagrada que representa tão bem o papel da Medeia clássica, que acaba por incorporá-la na própria personalidade.
Medeia é uma mulher que protagoniza ambas as versões da história acabando vítima de uma paixão fulminante, que a deixa cega de ciúme, ao ver-se trocada por uma jovem, despertando assim ódios recalcados e tentando causar desgosto ao ex-amante. ”Trata-se de um drama tão velho quanto a humanidade e tão humano quanto eram os próprios Deuses”. Assim foi assinalada a abertura do Festovar 2016 que foi ainda antecedida de uma tertúlia com a participação do autor da obra literária “Medeia”, Mário Cláudio, moderada por Carlos Nuno Granja, o escritor e ator da Contacto.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro
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