A Junta de Freguesia do Bonfim (Porto-Portugal) vai comemorar, no próximo dia 11 de dezembro, 175 anos de existência. Para relevar o significado deste aniversário, a autarquia presidida por José Manuel Carvalho, está a desenvolver um diverso leque de atividades, todas elas com a “chancela” do pelouro da Cultura, da responsabilidade de José Soares, e com o apoio de algumas instituições, coletividades e organismos da freguesia, entre os quais o nosso jornal (em termos informativos, está claro!).


Do programa de atividades para assinalar a data, de destacar, desde já o facto, que termina precisamente hoje (01dez16) uma exposição sobre a História da Freguesia do Bonfim, iniciativa que se encontra patente no Salão Nobre da Junta, isto desde o passado dia 22 de novembro. A mostra pode ainda ser visitada até às 18h30 de… hoje.
Vasto leque de atividades
Bem, mas se hoje não puder dar uma “saltada” á Junta do Bonfim, não tem razões para ficar tão triste quanto isso, pois são mais as atividades que, até ao dia 11 (inclusive) serão desenvolvidas por diversas instituições e coletividades da freguesia. A saber:
No dia 03 (sábado), pelas 21h30, no salão Nobre da Junta de Freguesia, há um evento de jazz, com a atuação de Paulo Jorge & Free Jazz Company.
Já a 06 de dezembro (terça-feira), e também à noite (21h30), realizar-se-á uma Sessão de Cinema, desta feita na sede social do Praça da Alegria Futebol Clube (à Avenida de Rodrigues de Freitas).
Um dia depois (07-dez-16), e de regresso ao Salão Nobre da Junta, sobem ao palco o Grupo Coral “Alma Nossa” e o “Grupo Amigos de Gondomar”, isto a partir das 21h30.
Dia 08 (quinta-feira), à tarde (15h30), destaque (único do dia) para a atuação, também no Salão Nobre da Junta, dos (In)Fusions, com Ricardo Brito e António F. Maia), que proporcionarão um recital de guitarra clássica “fundido num Porto a duas fantasias”.
A 09 de dezembro (quinta-feira), às 21h30, teremos “Sons do Bonfim”, pelo Rancho Folclórico do Porto.
Dia 10 (sábado à tarde – 14h00), mas na sede social da Associação de Moradores da Lomba (à Rua de Vera Cruz, 24-A), realizar-se-á um espetáculo de variedades musicais, para duas horas depois (16h00) se iniciar um Workshop, momento musical e poesia, atividades que se prolongarão até às 23 horas, na Casa Bô.
Ainda no dia 10, mas às 18 horas, será realizado um Concerto de Natal, pelo Coro de S. Crispim, na Casa dos Açores do Norte (à Rua do Bonfim).
O dia grande dos festejos comemorativos do 175.º aniversário da Junta de Freguesia do Bonfim acontecerão no dia 11 de dezembro (domingo), e logo pela manhã (10horas), isto no Salão Nobre da autarquia.
Tudo começa com o Hastear da Bandeira, momento acompanhado pela Fanfarra dos Bombeiros Voluntários Portuenses. Quinze minutos depois (10h15) será dado a conhecer, por Jorge Ricardo Pinto, um breve resumo da história da freguesia, para às 11h00, ser lida poesia, com Lourdes dos Anjos. A partir das 11h30 serão realizados diversos momentos musicais pela Escola de Música da paróquia do Bonfim.
O “Etc e Tal Jornal” reportará todos estes acontecimentos, na próxima edição (janeiro 2017), na secção… Acontece(u).
História
A freguesia do Bonfim é uma das mais populosas das (agora) sete freguesias que compõem a cidade do Porto, com 24 265 habitantes (Censos 2011), e além disso, com caraterísticas ímpares, que se traduzem na sua rica história.
“Outrora periférica, a freguesia do Bonfim cresceu ao longo dos antigos caminhos de Gondomar (Caminho do Padrão de Campanhã, atual Rua do Heroísmo) e Valongo e Penafiel (atual Rua do Bonfim); e cresceu em torno do Monte das Feiticeiras, onde fora erguido o cruzeiro da duodécima estação da Via Sacra, também designado do Senhor do Bom Fim e da Boa Morte.
A fisionomia do local foi sendo alterada, sobretudo no século XIX, o que levou à criação da Freguesia do Bonfim, por decreto de Costa Cabral, de 11 de Dezembro de 1841, desmembrada das vizinhas Santo Ildefonso, Campanhã, Sé. Reinava nessa altura em Portugal D. Maria II, e governava a diocese D. Jerónimo José da Costa Rebelo.
Entre a segunda metade do século XIX e do século XX, surgiram inúmeras fábricas e manufaturas, que fixaram população em bairros operários, criados em novas ruas, rasgadas sobre antigas quintas, como as de Sacaes ou do Poço das Patas. Aqui e ali alguns palacetes demarcaram-se na paisagem, casas de industriais e comerciantes, por vezes brasileiros de torna-viagem, quase sempre burgueses de grande trato.
Nas fachadas destes edifícios colocaram-se painéis de azulejos, uns de padrão industrial, outros exemplares únicos, uns lisos e monocromáticos, outros de mil cores com desenhos que misturam estilos fin-de-siécle e arte nova, e que tanto irão caracterizar a freguesia. Atualmente, as fábricas e manufaturas deixaram de existir dando lugar a outras atividades económicas como o comércio, as instituições bancárias, as pequenas empresas e os serviços.

O edifício da Junta do Bonfim está situada na chamada Quinta dos Cirnes, de Francisco Diogo de Sousa Cirne Madureira (um dos conjurados do 24 de Agosto). O palácio foi comprado pela Junta em 1880. A arca de Água do Poço das Patas veio a pertencer ao fidalgo José de Sousa Cirne, proprietário da Quinta do Reimão (século XVI) mais tarde chamada dos Cirnes.
A freguesia do Bonfim é talvez a mais central de todas as que compõem a cidade Invicta. É a mais recente freguesia do Porto. Segundo dados retirados da Câmara Municipal do Porto, possui uma área de 292ha.

Relativamente ao património, destaca-se a Igreja Paroquial do Bonfim, um belo monumento, dedicado ao Senhor do Bonfim e da Boa Morte. Edificado entre 1874 e 1894, em substituição de uma capela que ali existia desde 1786, esta igreja é um dos muitos símbolos da história desta freguesia.





A Fábrica de Manuel Pinto de Azevedo, a Casa-oficina António Carneiro, a Avenida de Camilo, a Quinta de Sacais, o Liceu Alexandre Herculano, a Casa do Poço das Patas (Junta de Freguesia do Bonfim), o Convento de Santo António da Cidade (Biblioteca Pública Municipal do Porto), a Casa Viúva Forbes dos Braguinhas (Escola Superior de Belas-Artes), a Casa dos Viscondes de Gândara e a Quinta Wright (SMAS) são outros espaços que sobressaem no Bonfim, uma freguesia que se desenvolveu ao longo dos anos, situada numa cidade histórica, com inúmeros cartões-de-visita.
Ao nível dos equipamentos de saúde. Além do elevado número de estabelecimentos de ensino, comércio, a freguesia conta ainda com um grande número de coletividades, que cumprem um papel decisivo no desenvolvimento cultural desta freguesia. O Bonfim continua a ter avenidas com árvores centenárias (Avenida Camilo e Avenida Rodrigues de Freitas). Com a chegada do Metro, valorizou-se ainda mais, alargando a sua rede viária e os acessos”.
Texto: JG / JFBonfim (sítio web)
Fotos: Amadeu Almeida, Pedro N. Silva e Pesquisa Google
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