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Estudo CASO a CASO: Como andam os AUTOCARROS da Invicta?

Em grandes áreas urbanas, como é o caso do Grande Porto, é fundamental os transportes públicos para garantir a mobilidade dos cidadãos e diminuir a quantidade de carros que circulam na malha urbana.

A quantidade de noticias e reclamações acerca da fraca qualidade dos serviços prestados chama a atenção de todos nós. A própria DECO lançou uma plataforma especifica para os utentes dos transportes públicos mostrarem o seu desagrado (www.queixasdostransportes.pt). Mas será que estamos assim tão mal?

Começamos por tentar perceber, primeiramente, a insatisfação dos utilizadores. Consultamos então o “Relatório sobre Reclamações no Mercado da Mobilidade e dos Transportes” publicado este ano pela Autoridade da Mobilidade de dos Transportes.

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Fonte: AMT 2016

Tal como é possível verificar metade das queixas foram no setor rodoviário. É de salientar que estão englobados neste setor o serviços como Escolas de Condução e aluguer de veículos ligeiros. Contudo não deixa de ser um valor muito significativo. De seguida vem o setor ferroviário, com 41% das queixas dos utilizadores.

Mas então de que reclamam? Fomos focar-nos nos dados do serviço de transporte de passageiros rodoviários (os autocarros).

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Fonte: AMT 2016

No setor rodoviário, no primeiro sementes deste ano, foram apresentadas 1458 reclamações, e são os horários (ou falta/incumprimento deles) que originam mais queixas. O facto de as pessoas não saberem com o que podem contar da sua transportadora origina muito desagrado. Também é de salientar que os autocarros circulam na via pública tal como os carros, e o trânsito e situações esporádicas podem originar incumprimentos inevitáveis, principalmente nas horas de ponta.

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Fonte: AMP 2016

Do “TOP 10” das empresas que mais reclamações receberam apenas aparecem duas empresas que operam com serviços urbanos no Norte: a UTC e a STCP. Estas somam 5% do total de reclamações apresentado nos primeiros 6 meses deste ano. 

E o metro?

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Fonte: AMT 2016

Apesar de não ser rodoviário, na zona Norte o Metro do Porto tem um papel indiscutível, e segundo a empresa menos 12 mil carros circulam diariamente devido ao metro. O Metro do Porto apresenta apenas 5% das reclamações apresentadas a nível nacional no setor metropolitano.

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2017 vai ser ano de aumentos: 1,5% é o valor

No ano passado o Metro do Porto orgulhava-se de escrever “O ano começa com 0% de aumentos(…). Utilizar os transportes públicos do Porto em 2016 vai custar exactamente o mesmo que em 2015.”, mas este ano não pode dizer o mesmo. Foi anunciado pelo secretário de Estado Adjunto e do Ambiente ao Negócios que haverá um aumento de 1,5% nos transportes no próximo ano. Contudo salienta que estes aumentos serão compensados com as deduções fiscais. O aumento é justificado pela subida dos custos de produção.

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Nota: Clicar na imagem para ver maior

Aprofundando a Zona Norte

Foi realizada uma análise a 11 empresas que operam na área do grande porto com linhas urbanas e interurbanas. Fomos tentar perceber o que realmente se está a passar nas empresas de transportes rodoviários do Grande Porto. Infelizmente os dados são escassos, e só a STCP os divulga publicamente e relativos à sua frota. Pelo que toda a análise abaixo realizada está fundamentado na base de dados do site Transportes XII e no conhecimento de Luís Gonçalves, João Filipe e Pedro N. Silva sobre os autocarros que circulam na área metropolitana aqui do Norte. Os dados foram recolhidos entre Outubro e Novembro do presente ano.

É de salientar que devido à grande interação (linhas comuns, horários se serviço alternado) das empresas A. V. Albano, A. V. Landim e A. V. Pacense estas foram as três analisadas como uma estatisticamente.

frota

Indiscutivelmente é a STCP que tem a maior frota de veículos em serviço urbano da Zona Norte, com 418 viaturas ao serviço. Esta empresa será muito em breve gerida pelos 6 municípios onde opera, sendo que a Câmara do Porto irá deter 53% da gestão da empresa. É também a única empresa que apresenta veículos de 2 andares aos seus passageiros.

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Um dos 15 veículos de 2 andares que efetuam serviço comercial na STCP. Asseguram a totalidade do serviço diurno da linha 500 e auxiliam a linha 701.

Um dos fatores muito importantes é a idade média dos veículos apresentados aos clientes. Neste aspeto a STCP também lidera apresentado uma idade média da sua frota de 11 anos, um valor muito baixo e positivo. De seguida destacamos as empresas do grupo Albano+Landim+Pacense; a E. T. Gondomarense, a MGC e a Valpi. Estas empresas apresentam uma idade média inferior a 15 anos nos veículos que têm em circulação. As empresas com pior desempenho são a Maia Transportes e a Espírito Santo, com idades médias superior a 18 anos na sua frota em serviço urbano. Contudo é de salientar o esforço forte da Espírito Santo na manutenção dos seus veículos, que apesar da idade apresentam boas condições de circulação na sua grande maioria.

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Mobilidade reduzida – Como estamos?

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É de destacar no notável trabalho que a STCPResende e Espírito Santo têm no investimento de autocarros de Acesso Fácil. A STCP apenas não assegura mobilidade reduzida nos autocarros de pequena dimensão (habitualmente em circulação nas linhas ZR, ZM e ZF). As restantes empresas ainda terão de fazer um investimento maior para assegurar acessos mais facilitados para quem circula de Cadeira de Rodas ou com carrinhos de Bebé.

Analisando os 11 casos

As 11 empresas anteriormente referidas vão ser agora analisadas em mais detalhe. O objetivo é constatar factos acerca da frota e dos principais pontos a melhorar. Também é apresentado um gráfico retirado do site “Info Empresas” que apresenta a faturação das empresas ente 2013 a 2015. Assim é possível perceber  se a tendência é o crescimento do volume de faturação ou o declínio.

STCP

A STCP opera regularmente em seis concelhos: Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar, Gaia e Valongo.
Número de linhas com Andante: 72 linhas (única empresa com totalidade das linhas no sistema intermodal).

Nota: 61 linhas diurnas (das quais 36 de serviço até à uma da manhã); 58 de autocarro e 03 de carro elétrico. 11 na rede de madrugada (00h00/06h00)

A STCP é das empresas com a frota mais recentes em circulação e estandardizada. Conta também com uma enorme percentagem de veículos a Gás Natural. As principais queixas dos utilizadores estão direcionadas às falhas de serviço, associadas ao défice de motoristas que a empresa tem vindo a corrigir.

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O número de passageiros transportados diminuiu consideravelmente desde 2012. Fonte: Relatório de Contas STCP 2015

Espírito Santo

A Espirito Santo opera regularmente no conselho de Gaia, com linhas para Lavadores, Paniceiro, Oliveira do Douro, etc.
Número de linhas com Andante: 20 linhas

Uma das empresas com enorme relevância em Gaia, assegurando serviços urbanos regulares. Inclui serviços noturnos nas principais linhas.

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 Resende

A Resende opera nos concelhos de Matosinhos, Maia, Valongo e Leça operando com múltiplas carreiras urbanas a norte do Rio Leça. Assegura ainda o transporte de passageiros para o MarShopping no serviço Marlines.

Número de linhas com Andante: 12 linhas

 A Resende é uma empresa que já foi noticia pelos piores motivos: má manutenção da frota. Contudo há um ponto muito positivo a salientar: é a segunda empresa com maior percentagem de veículos de piso rebaixado a circular na AMP: 66%. A empresa assegura serviços noturnos nas principais linhas.

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  Seluve

A Seluve é uma empresa de pequena dimensão, apresentando apenas carreiras para a Estação de Valadares e para Serzedo.

Número de linhas com Andante: Nenhuma

A pequena dimensão desta empresa ditou o seu destino: atualmente a Seluve foi adquirida pela Espírito Santo, e apresenta uma saúde financeira muito fraca. A empresa conta com uma frota muito envelhecida e frequências baixas nos troços onde opera.

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MGC Transportes

A MGC opera regularmente com carreiras a norte do Rio Douro, abrangendo concelhos como: Avintes, Lever, Vilar de Andorinho, Vila de Este, Carvalhos e Sandim.
Número de linhas com Andante: 2 linhas

A MGC é uma empresa que conta com uma frota de 82 autocarros para os seus serviços de transporte de passageiros. Os principais problemas levantados são a pouca percentagem de veículos com piso rebaixado e o grande número de autocarros de turismo em serviço comercial. Assegura serviço noturno nas principais linhas.

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  UTC

A UTC opera regularmente para diversos concelhos: Carvalhos, Santa Maria da Feira, Espinho, Esmoriz, Ovar e Perosinho.
Número de linhas com Andante: Nenhuma

A UTC encontra-se no “Top 10” das empresas de transporte de passageiros com mais reclamações no primeiro semestre, contando com 33 queixas. A fraca manutenção da frota e a falha de serviços são dois problemas que a empresa tem de solucionar. Assegura serviço noturno nas principais linhas.

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 A. V. Feirense

A Auto Viação Feirense opera regularmente nas zonas de Santa Maria da Feira, Castelo de Paiva e Lourosa e Arouca.
Número de linhas com Andante: Nenhuma

A A. V. Feirense é a única empresa privada na Área Metropolitana do Porto com autocarros a Gás Natural. O investimento foi bem sucedido a empresa tem um posto de abastecimento próprio atualmente. Os principal problema apontado são as baixas frequências de passagem.

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 E. T. Gondomarense

A E. T. Gondomarense opera regularmente com linhas para os conselhos do Porto, Gondomar e Valongo.
Número de linhas com Andante: 29 linhas

Esta empresa apresenta aos seus passageiros muito bom matéria de circulação, com conforto e boa manutenção. A empresa conta com uma frota muito estandardizada (a par da STCP). As queixas dos utilizadores remetem-se às baixas frequências de passagem de muitas das carreiras interurbanas, principalmente ao fim de semana. Assegura serviço noturno nas principais linhas.

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  Maia Transportes

A Maia Transportes apresenta linhas para os concelhos da Maia, Trofa, Matosinhos e Porto.
Número de linhas com Andante: 4 linhas

Esta empresa tem grandes problemas na frequência de passagem das suas linhas. Apresenta um grande número de autocarros de pequena dimensão ao serviço.

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 Valpi

A Valpi apresenta ligações regulares para Porto, Valongo, Penafiel e Paredes
Número de linhas com Andante: 8 linhas

Esta é das empresas que investiu recentemente em autocarros de grande dimensão, e apresenta boa manutenção dos seus veículos. Mais uma vez são as carreiras interurbanas que apresentam menores frequências de passagem.

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A. V. Albano + A. V. Landim + A. V. Pacense

O grupo destas três empresas opera nos concelhos do Porto, Valongo, Paços de Ferreira, Lousada, Santo Tirso e Felgueiras
Número de linhas com Andante: 1 linha

Estas empresas apresentam uma frota bem cuidada e recente no global. Contudo de 176 veículos apenas 38 são de tipologia urbana. Também é de salientar que a maioria dos trajetos duram mais de 1 hora, pelo que autocarros de turismo são mais confortáveis para os passageiros. O problema está na pouca existência de piso rebaixado, que dificulta o acesso a pessoas de terceira idade, deficientes e carrinhos de bebé.

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Texto e Grafismo: Pedro N. Silva

Recolha de Dados: Luís Gonçalves, João FilipePedro N. Silva

Fontes: Arquivo ETC e Tal; Base de dados Transportes XXI; Linha Andante; O Observador; Relatório de contas STCP 2015; Relatório sobre Reclamações no Mercado da Mobilidade e dos Transportes 1º Sem. 2016 – AMT

Link do Relatório sobre Reclamações no Mercado da Mobilidade e dos Transportes 1º Sem. 2016 – AMT: http://www.amt-autoridade.pt/media/1205/relatorio-amt_reclama%C3%A7%C3%B5es-no-mercado-da-mobilidade-e-dos-transportes_v3.pdf

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2 Comments

  1. Filipe Fernandes

    Gostei do artigo e foi bom revê-lo sobre os vários aspectos de cada empresa, mas existe algo que deixou-me incomodado durante esta semana e, por isso, tive de recorrer a este mesmo para expressar-me a tal situação, que é relativo à parte da UTC ter a frota degradada. Devo começar que, sim, existe parte da frota da cuja dita que não está naquele bom estado, especialmente na dos urbanos, mas o que fica mal visto é de a MGC Transportes e a Resende não terem esse problema… a Resende existem veículos que não ficam bem estimados, nem muito limpos, o mesmo acontece com a MGC, em que os urbanos, quer andem pelas carreiras com Andante, quer pelas normais (como, por exemplo, Avintes ou Lever), apenas que neste caso são vários veículos que não estão muito bem apresentáveis ao serviço comercial (sim, pode haver alguns em outras transportadoras que podem estar assim), alguns deles que circulam no estado que ficam (por exemplo, um ficou sem o vidro que tapa o painel de destinos frontal, deixando alguns pedaços pelas bordas ou de uma escova do pára-brisas ficar preso para baixo até chegar ao pára-choques e ainda um mais moderno já começar a ter alguns problemas na parte exterior da carroçaria e com a caixa de velocidades presa na segunda, circulando entre 30 a 35 km/h). Por isso, tenho pena em que a UTC fique considerada como a única empresa que ficou como declarada com a frota em degredo…

  2. Tiago Duarte

    Artigo deveras interessante…
    No quadro referente aos problemas da UTC faltou dizer que deve ser das empresas da AMP que pratica tarifários mais caros… mesmo com o novo ano, as tarifas exageradas, ainda o ficaram mais… lamentável pagar tanto por um serviço tão fraco…

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