Maximina Girão Ribeiro
Ainda estamos no segundo mês de 2017 e é bom lembrar que este ano foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento.
Tem esta decisão a finalidade de realçar a importância do Turismo, no mundo em que vivemos, reconhecendo-a numa perspectiva de sustentabilidade em três vectores fundamentais: económico, social e ambiental permitindo, assim, uma reflexão mais aprofundada sobre a dimensão deste sector.
Embora esta actividade, tão presente nos dias de hoje, represente uma avultada fonte de receita, nem sempre assim foi. Houve tempos em que não existiu turismo, ou o mesmo foi subestimado. Contudo, nos dias de hoje, se bem concebido e bem gerido, o turismo poderá contribuir para as três dimensões fundamentais do desenvolvimento sustentável promovendo, também, a criação de emprego e o incremento da economia. O turismo sustentável, ou responsável, deve ser aquele que salvaguarda o ambiente e os recursos naturais, garantindo o crescimento económico da actividade, ou seja, capaz de satisfazer as necessidades das presentes e das futuras gerações.
O fenómeno turístico é uma realidade “relativamente” recente. Tão recente, que o nosso país e a nossa cidade só há poucos anos sofreram o chamado “boom” turístico.
Desde tempos imemoriais que existem registos históricos sobre a realização de viagens com a finalidade de descobrir novos lugares, novos dados sobre o mundo, ou por simples curiosidade, ou por pura aventura. Citamos, como exemplo, entre muitos outros, dois dos grandes viajantes de todos os tempos: o mercador italiano Marco Polo (1254-1324), ou o português aventureiro e explorador, Fernão Mendes Pinto (1510-1583).
No entanto, é a partir de uma maior circulação de conhecimentos e da aquisição de uma maior cultura por parte da população que esta vai sentindo, cada vez mais, a necessidade de viajar. As viagens tornaram-se, pouco a pouco, uma nova forma de instrução.
Mas, é seguramente o séc. XVIII, o Século das Luzes, que as ideias iluministas abrem novos horizontes culturais, o que permite um novo impulso à necessidade de realizar viagens, como descoberta do Mundo e do Outro. Viajar era, por essa altura, ainda uma acção de extrema dificuldade, quer pelo dinheiro que envolvia, quer pela ausência de transportes regulares e organizados, pela falta de vias de comunicação, ou de alojamentos e de locais de fornecimento de alimentação para quem se deslocava.
Com as grandes transformações industriais, tecnológicas, económicas e sociais do mundo ocidental, que tiveram lugar na 2.ª metade do século XIX, viajar tornou-se mais abrangente e mais emergente. Por via da melhoria das condições de vida, vão surgindo as noções de tempo livre, direito ao repouso, ao lazer e até às férias. Criaram-se, em consequência disso, as condições que permitiram o acesso às viagens a novos e mais alargados estratos populacionais. As termas e as estâncias balneares para onde as famílias mais ou menos abastadas se deslocavam, são um dos inícios que marcaram esta transformação, em Portugal.
O gosto de viajar vai-se tornando cada vez mais popular e os aspectos educativos das viagens começam a ser valorizados. Lentamente começava a despontar o turismo como actividade económica.
Numa visão, muita rápida, sobre os primeiros passos do turismo, chegamos à actualidade, em que esta actividade atinge um maior crescimento, tornando-se uma componente importante da estrutura económica da maioria dos países desenvolvidos.
Neste planeta tão globalizado, o turismo poderá estimular uma melhor compreensão entre os povos, tomando-se consciência da herança de várias civilizações, numa melhor apreciação dos valores inerentes às diferentes culturas, aspectos que, por certo, contribuirão para o fortalecimento da paz no mundo.
A implementação de 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento remete-nos para a responsabilização e trará um outro olhar mais consciente sobre as verdadeiras dimensões do turismo, porque esta opção surge como alternativa ao turismo de massa, dado que tem uma maior preocupação com a quantidade de pessoas que irão visitar as respectivas zonas de acolhimento, tendo em atenção as questões ambientais, culturais e sociais. Com um turismo responsável, pretende-se minimizar os impactos desta actividade, contribuindo-se para que os moradores locais fiquem inseridos económica e socialmente.
Fotos: Pesquisa Google
Obs: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal Jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.
01fev17




