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“ALEXANDRE HERCULANO”: A ESCOLA DESPREZADA PELA TUTELA QUE HOJE (EM RUÍNA IMINENTE) ANDA NAS BOCAS DO MUNDO…

– ESTABELECIMENTO É FREQUENTADO POR 970 ALUNOS. TREZENTOS SERÃO TRANSFERIDOS PARA A “RAMALHO ORTIGÃO”

– ANTÓNIO COSTA PROMETE OBRAS

– EX-MINISTRO NUNO CRATO TRAVOU PROJETO DE REQUALIFICAÇÃO DA ESCOLA

A Escola Secundária Alexandre Herculano (ESAH), no Porto, volta a ser notícia neste jornal, e pela pior das razões. O estabelecimento está a cair aos pedaços há vários anos, e nada tem sido feito por parte do Ministério da Educação para resolver o problema. No passado dia 26 de janeiro, a Escola teve mesmo de encerrar as portas. A situação em que se encontra o imóvel agravou-se e, se tal aconteceu, não foi, com certeza, por falta de avisos…

Texto: José Gonçalves (*)

Fotos: Pedro N Silva (**)

As cerca de mil pessoas (alunos, pessoal docente e auxiliar) que frequentam a Escola Secundária Alexandre Herculano decidiram, no passado dia 26 de janeiro, abandonar o referido estabelecimento de ensino, pelo facto, não só, de chover nas salas de aulas, mas também, por causa do estado de ruína em que o mesmo se encontra, situação que tem vindo a ser alertada, há vários meses, pelo Sindicato da Construção de Portugal (SCP).

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O encerramento do estabelecimento de ensino, partiu da Direção da ESAH, depois de uma Reunião Geral de Alunos, os quais decidiram não comparecer às aulas devido á falta de condições nas salas. “Nelas chove como na rua e algumas têm os vidros das janelas partidos, não se suportando o frio que se tem feito sentir nas últimas semanas”, disse à nossa reportagem uma aluna.

Os professores foram solidários com os alunos, referindo um deles, que é “impossível lecionar nestas condições. Os alunos, esses, não conseguem ter o mínimo de concentração nas aulas devido ao precário estado em que se encontram as salas”.

Com baldes nos corredores e em algumas salas de aula, naquele que foi o primeiro dia de chuva, no Porto, em 2017 (e a precipitação nem foi por aí além), os funcionários não tiveram mãos a medir para tentarem pôr cobro à situação.

Reabertura(s)

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Entretanto, e depois de uma reunião efetuada na passada sexta-feira (27jan17) entre a Direção da ESAH, a Associação de Pais da Escola e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), ficou decidida a reabertura da escola para o dia de hoje (01fev17), mas só para 600 dos mais de 900 alunos que a frequentam, designadamente, as turmas do 9.º, 10.º, 11.º, 12.º anos e do horário noturno. Os restantes (fazem parte de 10 turmas) serão transferidos para a Escola Ramalho Ortigão, nas redondezas, onde ficarão até ao final do presente ano letivo.

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Fotos (esta e a de cima): Escola Ramalho Ortigão
Fotos (esta e a de cima): Escola Ramalho Ortigão

Mas, depois desse encontro, e numa visita relâmpago à Escola, a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, informou, na passada sexta-feira ao final da tarde, que a ESAH reabriria as suas portas na segunda-feira (30jan17) só para os alunos da unidade de multideficiência e ensino noturno, sendo que no dia 31jan17 (ontem), reiniciariam as aulas os alunos do 9.º ano e secundário.

Neste vaivém de informações, Alexandra Leitão, referiu ainda que as obras (parciais) nas áreas críticas do edifício iriam decorrer durante o fim-de-semana de 28,29 e parte de 30 de janeiro, e que se mantinha a informação quanto à transferência de alunos para a Ramalho Ortigão (10 turmas do 7.º e 8.º ano de escolaridade).

“Serão realizadas, durante o próximo fim de semana, obras imediatas e urgentes para melhorar as condições de conforto, de habitabilidade e de dignidade da Escola, isto ao nível dos vidros, do desentupimento de caleiras, do chão para que os alunos possam a continuar a ter aulas aqui”, disse Alexandra Leitão.

“Fundos” só podem ser “mobilizados” pela Câmara do Porto

Alexandra Leitão, secretária de Estado da Educação
Alexandra Leitão, secretária de Estado da Educação

Com novidades quase ao minuto – nunca a ESAH foi tão badalada e visitada, nas últimas décadas, por responsáveis do Ensino em Portugal -, Alexandra Leitão, além das informações que revelamos nos parágrafos anteriores, reafirmou o facto que a requalificação da Escola Alexandre Herculano, necessita dos seis milhões de euros inscritos no fundo de 2020, aos quais “só a autarquia tem acesso”.

“No mapeamento, que foi feito pelo anterior governo, consta que o montante só pode ser mobilizável pela Câmara Municipal do Porto e é por isso que nós precisamos e vamos seguramente ter uma ótima colaboração com a autarquia, no sentido de mobilizar essa verba. Só o Município se pode candidatar a essa verba!”.

António Costa: “Estamos preparados para arrancar com as obras…”

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Na passada sexta-feira (27jan17) – ainda antes de se saber da decisão relativa à reabertura da escola -, o Bloco de Esquerda (BE), por intermédio da deputada Catarina Martins, levou a questão relacionada com a ESAH à Assembleia da República, aproveitando o debate quinzenal com o primeiro-ministro, António Costa.

A coordenadora confrontou o líder do governo, com o facto de ter visitado o estabelecimento de ensino em dezembro passado, já depois de ter sido prometido um investimento de seis milhões de euros na requalificação do estabelecimento, e ter, na altura, reparado que nada tinha sido feito nesse sentido.

O primeiro-ministro respondeu:

“Houve um desinvestimento do anterior governo em obras públicas, e o caso da Alexandre Herculano é exemplar nesse ponto de vista, porque essa era uma obra que estava adjudicada em 2011 e foi anulada quando o doutor Pedro Passos Coelho chegou ao governo.

Estavam 39 escolas adjudicadas. Tudo foi anulado, porque para o governo anterior, o modelo existente para a Parque Escolar, não era bom. Mas não sendo um bom modelo, a verdade é que não introduziram um modelo alternativo. O que fizeram com as obras nas escolas, fizeram-no com as Novas Oportunidades!”

“Por isso, nós, no ano passado”, continuou António Costa, “com os poucos recursos que tínhamos, começamos a procurar corresponder. Este ano, o Orçamento de estado já tem 20 por cento para o investimento público, parte é da iniciativa do estado, outra em parceria com as autarquias locais, e um dos casos é precisamente o da Escola Alexandre Herculano.

Estamos, por isso, preparados para arrancar com essas obras em mais de 200 escolas no nosso País, e uma delas será a de Alexandre Herculano. Não iremos fazer aquilo que já deveria ter sido feito. Vamos fazer tudo de novo e isso não compensa o tempo perdido”, concluiu o primeiro-ministro.

Catarina Martins rematou: “Temos andado devagar demais no investimento nos serviços públicos. O investimento é essencial. A Escola Alexandre Herculano não pode esperar mais!”.

Manuel Lima: “Tutela comprometeu-se a fazer obras efetivas até 2020”

Por seu turno, Manuel Lima, diretor da ESAH, em declarações à comunicação social, finda a reunião com a DGEstE, garantiu que a “escola vai sofrer na próxima semana (30jan17 a 03fev17) pequenas intervenções”, as quais “viabilizarão a solução provisória de ali manter as 23 turmas do 9.º ao 12.º ano e noturno”.

Manuel Lima informou ainda que “a tutela comprometeu-se a fazer uma efetiva intervenção na escola até 2020”, ou seja, “um conjunto de obras que estão mapeadas no programa “Norte 2020” e estão avaliadas em seis milhões de euros”.

O diretor da ESAH realçou que “as obras foram sempre prometidas”, só que, “o que nunca houve foi uma resposta inequívoca, e uma justificação devidamente fundamentada sobre o seu adiamento sine die, que é o que acontece até hoje”.

Associação de Pais preocupada com o futuro…

A Associação de Pais dos alunos da ESAH (APESAH) mostrou-se, entretanto, preocupada com a situação em que se encontra a Escola, referindo a propósito que era “impossível aos alunos estudarem em salas onde a temperatura média era de nove centigrados”.

Fernando Barbosa, em representação da APESAH, frisou que “a medida encontrada para a transferência de alguns alunos para outra escola (Ramalho Ortigão) é aceitável, desde que isso não impeça, mais tarde ou mais cedo, o regresso dos alunos à Alexandre Herculano”.

“Orelhas moucas” do ME

Ministro da Educação
Ministro da Educação

Mas, este processo tem uma história; história essa que as mais recentes reações e previstas soluções para o problema relacionado com a ESAH não fazem esquecer.

A verdade é que, independentemente dos avisos do Sindicato da Construção de Portugal (SCP), o Ministério da Educação (ME) não reagiu de forma efetiva ao problema, tentando, ultimamente, “encaminhar” a resolução da questão para a Câmara Municipal do Porto.

Dado o estado em que se encontra o edifício – qualificado de Interesse Público-, muitas vozes se levantam contra a negligência governamental, assim como, quanto à (estranha) morosidade de todo este processo. A CDU manifestou já a sua preocupação quanto a esta questão, assim como a Câmara Municipal do Porto, que realça o facto de que as obras na “Alexandre Herculano” são da responsabilidade do “Estado Central”.

Mas, é o SCP, conhecedor das caraterísticas do edifício e do degradado estado em que o mesmo se encontra, que tem, periodicamente, alertado os responsáveis governamentais para a situação da ESAH, a qual se veio agravar no passado dia 26 de janeiro.

Antes – muito antes! – do sucedido, o SCP já tinha, por diversas vezes, dado a conhecer a sua preocupação face à ruína em que se encontram diversas salas de aula, e o risco (de vida) que corriam, e correm, os cerca de mil alunos, professores e auxiliares de educação.

Os alertas do Sindicato da Construção

“Este Sindicato, em 2016, realizou uma iniciativa junto à Escola (Secundária Alexandre Herculano), que teve uma grande visibilidade dos média e o Sindicato pediu uma audiência ao Sr. Ministro da Educação e só um Ministro com características arrogantes é que se remeteu ao silêncio até hoje”, começa-se por ler em comunicado do SCP, datado de 03 de janeiro de 2017.

O SCP, como que prevendo o que aconteceu no passado dia 26 de janeiro, referia, enfatizando, o seguinte: “Com a chegada do Inverno, a cada momento, parte do telhado pode ruir, bem como outras zonas da escola. Desde já, este sindicato responsabilizará este Ministro caso venha a suceder o que acima referimos. São muitos os alunos que telefonam para o Sindicato, que estão disponíveis para se deslocar e fazer uma Concentração em frente ao Ministério da Educação, e o Sindicato está disponível para apoiar esta iniciativa, aos mais variados níveis”, realça o presidente da Direção do SCP, Albano Ribeiro.

Mas, os alertas não ficaram por aqui…

“(…)a situação do Parque Escolar envolve milhares de pessoas que têm de ter condições dignas para exercer a sua profissão, neste caso os professores, alunos e auxiliares de educação.

Se esta situação não se alterar rapidamente este Sindicato com outras Organizações e com a comunidade escolar vai mobilizar uma Ação com todas as escolas envolvidas no país destacando o liceu Alexandre Herculano porque não tem condições para ensinar, aprender e auxiliar”.

“Desafiamos desde já o Sr. primeiro-ministro a encontrar uma alternativa para colocar os mais de 900 alunos do Alexandre Herculano noutro estabelecimento de ensino dando já início às obras. Hoje mesmo solicitamos uma audiência de carácter urgente ao Sr. Primeiro-Ministro para o sensibilizar, para que a requalificação do Parque Escolar seja retomada, para bem do ensino e da criação de milhares de postos de trabalho”. Eis mais um comunicado do SCP, este datado de 16 de janeiro de 2017.

Reação ministerial

A reação do Ministério da Educação (ME) a estes e-mails, que se saiba, foram nulas, mas quando o encerramento da ESAH foi uma realidade, no tal dia 26 de janeiro, o ME foi pronto a responder, isto numa nota enviada à comunicação social.

“O Ministério da Educação está a recolher todas as informações sobre a situação registada hoje (26jan17) na escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto, e a trabalhar no sentido de encontrar uma solução imediata que garanta a regularização das atividades letivas”.

Ainda nessa nota, o ME recorda que “a requalificação desta escola integra a lista de investimentos em infraestruturas educativas e formativas, a executar no âmbito dos Pactos Territoriais para o Desenvolvimento e Coesão (PTDC), celebrados no âmbito dos Programas Operacionais Regionais do Acordo de Parceria Portugal 200”.

Câmara do Porto responsabiliza Estado Central

camara do porto - fev17

Também no passado dia 26, altura em que todos parecem ter acordado para encararem de frente este grave problema, a Câmara Municipal do Porto difundiu um comunicado, o qual transcrevemos na íntegra:

“A Câmara do Porto esclarece que quaisquer obras referentes ao Liceu Alexandre Herculano são da exclusiva responsabilidade do Estado central – mais precisamente do Ministério da Educação – e não da autarquia. À Câmara do Porto cabe a construção, manutenção e reabilitação das escolas do 1.º Ciclo, o que tem feito neste e em anteriores mandatos, através de fortes investimentos municipais, como é do conhecimento público.

Apesar disso, e dada a gravidade da situação de degradação e a importância histórica do edifício do Liceu Alexandre Herculano, a Câmara do Porto manifestou, há meses, junto do Ministério da Educação preocupação e a disponibilidade para custear 50% da comparticipação nacional da obra necessária.

Cabe ao Estado Central, enquanto único responsável pela realização da empreitada, lançar os procedimentos necessários e avançar com os trabalhos, sabendo que contará com esta ajuda excecional por parte da Câmara do Porto.

Não existe, por isso, por parte da Câmara do Porto, qualquer questão que obvie à realização da obra que, espera, se realize com a máxima urgência.

O presidente da Câmara do Porto já manifestou, por diversas vezes, nomeadamente no seu discurso de tomada de posse, a vontade da autarquia em assumir responsabilidades noutros ciclos do ensino que não apenas no básico, desde que seja garantido por parte do Estado a transferência dos recursos necessários, sob pena de se tratar de uma medida que nada tem de descentralizadora e que corresponde apenas ao alijar de responsabilidades”, sic.

CDU considera a situação “intolerável e inaceitável”

cdu - fev17

Por seu turno, a Coligação Democrática Unitária (CDU/PCP-PEV) também em comunicado endereçado à comunicação social (dia 26jan17) fez questão de realçar a preocupação que, há anos, manifesta sobre a degradação da ESAH, culpando o governo do PS, e os anteriores, de não resolverem “este grave problema”.

“Questão levantada pelo PCP inúmeras vezes, como mais recentemente, aquando de uma visita realizada por deputados e dirigentes do PCP, a 20 de junho de 2016 e o último Projeto de Resolução n.º 449/XIII/1.ª entregue pelo PCP na Assembleia da República no mesmo dia. Nestas e noutras iniciativas que o PCP e a CDU tiveram durante os últimos anos, foi sempre recomendada a necessidade urgente da requalificação da escola, quem durante anos a fio tem ficado à margem de intervenções de fundo”.

Para comunistas e ecologistas, “num edifício que é património de interesse histórico, arquitetónico e urbanístico, classificado como imóvel de interesse público, que acolhe o Museu de Física e o Museu de História Natural, é inaceitável e intolerável que o Governo PS, como todos os que o antecederam, não resolvam este grave problema, que põe em risco não só a tranquilidade necessária à aprendizagem dos alunos, como põe em perigo de segurança e, quem sabe, de vida, alunos professores e funcionários desta escola”.

A CDU, ainda de acordo com o referido comunicado, promete “continuar a lutar e a intervir para que sejam, desde já, tomadas medidas para a realização de obras urgentes, bem como a apresentação de nova pergunta ao Ministério da Educação, tendo já agendado para discussão o seu projeto de Resolução sobre a necessária e urgente requalificação da Escola Secundária Alexandre Herculano”.

Nuno Crato: o ministro que travou processo de requalificação da ESAH

nuno crato - 01fev17

O antigo ministro da Educação, Nuno Crato, – no governo chefiado por Passos Coelho – deixou o seu nome no “livro negro” da ESAH, quando em 2011 decidiu travar o processo de requalificação da Escola, isto depois de, em 2009, ter sido aprovado um projeto de intervenção na ESAH, com um investimento, para obras, de 15 milhões de euros para o Estado. Aliás, a obra estava já adjudicada à empresa “Soares da Costa”

Por coincidência, ou não, o edifício da Escola Secundária Alexandre Herculano era, em 2011, classificado “monumento de interesse público”.

José Manuel Carvalho: Culpado ou culpados? “O que interessa é, sobretudo, resolver a situação”

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Para José Manuel Carvalho, presidente da Junta de Freguesia do Bonfim (JFB), onde se encontra sediada a ESAH, os problemas infraestruturais que afetam a Escola são, entre outras considerações um caso de “injustiça flagrante”.

Atento, há bastante tempo, aos problemas que afetam a Escola, José Manuel Carvalho, sempre disponibilizou a colaboração da autarquia para determinadas necessidades, isto sempre numa ação limitada, tendo em conta os seus reduzidos poderes de intervenção direta.

“A Junta de Freguesia não tem nenhum tipo de competência para interferir nas escolas. Isto tem a ver muito com aquilo que se vai falando mas que, normalmente, não se concretiza, como é a descentralização de poderes. As pessoas dizem que quanto mais próximo o Poder estiver das situações, maior é a probabilidade que as coisas sejam resolvidas, mas, depois, quem tem, efetivamente, o poder – mesmo, às vezes, defendendo essa teoria – na prática, tem grandes dificuldades em se desfazer dele”.

Incapacidade(s) da Parque Escolar

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O autarca bonfinense defende, assim, poderes mais alargados, como aconteceu, recentemente, com a abertura de áreas de intervenção às câmaras municipais.

“Como sabe, e neste caso específico, as escolas do Ensino Básico já pertencem às autarquias, portanto são as câmaras municipais que estão encarregadas de fazer diretamente a intervenção nessas escolas. Neste caso, e no Porto, as coisas têm corrido relativamente bem nessa área”

“No que diz respeito às outras escolas, a tutela continua a pertencer ao Estado, através dos instrumentos definidos, como a Parque Escolar, que é a entidade que, respondendo perante o Poder Central, tem vindo a demonstrar alguma incapacidade na resolução de muitos problemas, e não apenas no Bonfim, mas, neste caso paradigmático (“Alexandre Herculano”), já que se trata de uma escola fantástica.”

Uma Escola histórica

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José Manuel Carvalho, em recente encontro com a secretária de Estado Ajunta e da Educação, Alexandra Leitão, não se esqueceu de valorizar o “histórico” da ESAH, assim como a passagem por ela de ilustres e conhecidas personalidades.

“Tive a oportunidade de dizer à senhora secretária de Estado, que fui aluno do Alexandre Herculano, e, nos dois primeiros anos, partilhei a escola – eu era da turma “B”, ele da “A” – com o senhor D. Duarte Nuno, “rei” de Portugal. Isto independentemente do número infindável de personalidades que por lá passaram.”

“Por outro lado, fiz questão de relevar a importância do edifício cuja própria instalação e estrutura é histórica, e, como tal deveria ser alvo de um especial cuidado. Hoje, falamos na preservação de todos os monumentos históricos e esquecemo-nos que aquela escola é também património artístico… está classificada como tal.”

“Infelizmente”, continuou o presidente da JFB, “só grandes atitudes conduzem a algumas correções. Até agora não se verificou, felizmente, nenhuma desgraça física, mas poderia ter-se verificado e é só nessas alturas que as pessoas se concentram um pouco mais nos problemas.”

“A Junta sempre esteve, e estará, disponível para ajudar”

Independentemente das limitações a que as juntas estão sujeitas, a Junta de Freguesia do Bonfim esteve “ sempre e sempre estará disponível para ajudar a “Alexandre Herculano”, naquilo que lhe for possível. Já o dissemos várias vezes! Tenho a impressão que a única forma desta sociedade evoluir é através da evolução humana; da ligação entre as pessoas; da partilha; da capacidade de reconhecer as dificuldades ou capacidades do outro…tudo isso são fatores decisivos e a Educação é um veículo indispensável para isso”.

Com tanta oferta disponível, questiona o repórter se a própria Escola precisaria de uma intervenção de fundo e dos apoios financeiros a ele adjacentes para recolocar vidros (vidros!) nas janelas das salas de aula?!

“Esta e outras são perguntas pertinentes e nós podemos alegar sempre uma razão para alegar erros, mas há, realmente, pequenas coisas que às vezes dependem exclusivamente da vontade de cada um”, responde José Manuel Carvalho, dando de seguida um exemplo….

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“Ainda há pouco tempo, apareceu uma senhora na Assembleia de Freguesia, que tem oitenta anos, e uma filha deficiente. Ela tem que se mover em cadeira de rodas, e para entrar na Escola Secundária Aurélia de Sousa, tinha que o fazer apanhando chuva desde a rua até à entrada do estabelecimento, porque não tinha meios para poder abrigar-se.

A senhora expôs o problema na Assembleia de Freguesia do Bonfim, e, no dia seguinte, eu estava em contacto com a diretora da escola, que me disse que já há anos tentava resolver o problema e que nunca tinha tido sucesso.

Falei, então, com a Parque Escolar e, passado vinte dias, foi criada uma estrutura adequada para proteger os alunos, e até um professor, portadores de deficiência. Isto era muito simples, mas esteve muitos anos sem ser resolvido.”

Portanto, é capaz de ser mais difícil resolver o problema estrutural de uma escola do que colocar os vidros nas janelas, mas, o que também é verdade, é que o número de vidros que estão em falta e partidos no “Alexandre Herculano” é impressionante. Quase me atrevia a dizer que há tantos vidros para o exterior, como vidros partidos. Isto dá uma imagem do que é realmente a situação da Escola. Depois não vale a pena andar aqui a apontar dedo ao culpado ou aos culpados, interessa é sobretudo resolver a situação.”

“Um caso de injustiça flagrante…”

Para o presidente da JFB, “estão criadas, neste momento – por aquilo que ouvi da senhora secretária de Estado e por aquilo que tenho conhecimento pela comunicação social e ainda pelo interesse que a Câmara do Porto – não sendo obrigada a isso – tem demonstrado nesta resolução, inclusivamente do ponto de vista material, penso, que chegamos ao ponto de não olhar para trás, mas sim para resolver os problemas e acabar com esta situação.

“A Junta esteve sempre, e estará, atenta à situação do “Alexandre Herculano. Tudo o que a Junta poder fazer deve fazê-lo e, neste caso específico, quanto mais não seja sensibilizar sistemática e permanentemente as pessoas para um caso de injustiça flagrante como é este”, concluiu.

Testemunhos

O “Etc e Tal Jornal” é testemunha – tendo revelado periodicamente este problema -, de que a escola está mesmo a cair aos pedaços.

As fotos que se seguem, da autoria do Sindicato da Construção de Portugal (SCP), foram publicadas na nossa edição de abril de 2016.

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Muro da ESAH aluiu sobre esplanada
Muro da ESAH aluiu sobre esplanada

Novas, atuais e preocupantes fotos

As fotos que se seguem foram tiradas no dia 30 de janeiro de 2017, pelo nosso colaborador e repórter fotográfico Pedro N. Silva…

Parece o mapa de Portugal, mas não é. É uma fissura num muro da Escola
Parece o mapa de Portugal, mas não é. É uma fissura num muro da Escola
Muro (à esquerda) que parece um relvado para a prática de futebol...
Muro (à esquerda) que parece um relvado para a prática de futebol…
Mais uma "fissura"
Mais uma “fissura”

Estes registos fotográficos dizem tudo; o ME teve conhecimento dos mesmos (dos primeiros) através do SCP e da comunicação social e… nada fez para acabar com o estado em que se encontrava e se encontra – pior, agora – a escola.

Mas, atenção! As fotos tiradas, recentemente, como deve o(a) leitor(a) ter reparado, não são do interior da escola, são do exterior com um muro prestes a desmoronar-se para o passeio da Rua de António Carneiro, na qual passam por dia, milhares de pessoas, não só, mas também, alunos e professores de outros estabelecimentos de ensino sediados no local. Um perigo!

Aliás, o nosso jornal não só testemunhou o estado de degradação da ESAH em tempo de aulas, mas também quando a mesma abriu portas, como é habitual, para a instalação de mesas de voto, aquando das eleições.

Nas “Presidenciais”, há pouco mais de um ano, era já notório o estado funesto em que se encontravam certas áreas do edifício, e, a propósito, não faltaram reações por parte de alguns elementos das mesas de voto, tipo: “ Estamos aqui: Estamos a levar com o teto na cabeça!”. O repórter estava lá e ouviu-os, observando, naturalmente, com atenção o… “teto”.

 “Obras” ocasionais

O “Etc e Tal Jornal” sabe que, durante os meses de verão do ano passado (férias escolares) foram realizadas algumas obras na ESAH, designadamente, no muro que faz “fronteira” com uma esplanada de um café situado na Rua de António Carneiro, e que ruiu no Inverno do ano passado.

Nessa intervenção foram cortados três gigantescos plátanos, que se encontravam também junto ao muro, mas este, fronteiriço ao Bairro do Bom Retiro, local onde residem perto de duas centenas de pessoas.

De resto, e quanto ao exterior das traseiras do edifício (junto ao parque desportivo), nada mais foi feito, nem mesmo, como era habitual, o arranjo do telhado do pavilhão da escola, que ainda serve de “ninho” para largas centenas de gaivotas.

“Ilustres” que passaram pelo “Alex”

Manuel Alegre
Manuel Alegre
Siza Vieira
Siza Vieira
Pedro Abrunhosa
Pedro Abrunhosa
Belmiro de Azevedo
Belmiro de Azevedo

A história do “Alexandre Herculano”, ainda como liceu, conta com a passagem de gente ilustre da sociedade portuguesa. Lá estudaram, lá criaram amizades, também lá resistiram ao regime fascista e logo com o “quartel-general” da PIDE logo ali à beira (nem 200 metros).

Manuel Alegre, Álvaro Siza Vieira, Belmiro de Azevedo, Rui Vilar, Rui Reininho, Pedro Abrunhosa, Manuel Sobrinho Simões e José Pacheco Pereira foram alguns dos “ilustres alexandrinos” e que do Liceu ou da Escola Secundária guardam boas recordações.

“Recordo os bons professores que me ajudaram muito na minha adolescência literária, assim como colegas como o José Augusto Seabra”, referiu ao Expresso, Manuel Alegre, o histórico socialista que entrou no “Alexandre” em 1950.

História

À direita: O Lideu Alexandre Herculano nos primórdios. À esquerda: arquiteto Marques da Silva
À direita: O Lideu Alexandre Herculano nos primórdios. À esquerda: arquiteto Marques da Silva

“Nos inícios do século XX, o aumento da população escolar o Porto exigiu que se aumentasse as zonas escolares para o secundário e o número de liceus em funcionamento. Eram as exigências do tempo a requerer a modernização imediata das estruturas e do sistema de ensino.

Porto foi, então, dividido em duas zonas escolares, a Oriental e a Ocidental. Cada zona tinha vários liceus, coordenados por um liceu central. Em 26 de Setembro de 1908, o Liceu Central da Zona Oriental passou a designar-se Liceu Central Alexandre Herculano, tendo sido batizado com o nome de um dos portuenses mais ilustres no campo das letras.

Nesta altura já se tornava necessário dar novas instalações ao liceu, que passou, temporariamente, para um edifício alugado na Rua de Santo Ildefonso. Após muitas críticas no Parlamento, relacionadas com o tipo de edifício que acolhia este liceu em particular, o Estado decidiu construir um edifício de raiz para o acolher, um prédio novo, à altura da importância do estabelecimento e da cidade.

Foi escolhido para o efeito um dos talhões em que a Avenida Camilo dividiu a antiga Quinta de Sacais, recentemente urbanizada (na freguesia do Bonfim). Em 31 de Janeiro de 1916, o Presidente da RepúblicaBernardino Machado, presidiu ao lançamento da primeira pedra do liceu, que teria traço da autoria do conceituado Marques da Silva.

O novo liceu abriu as portas no ano letivo de 1921/22. Compreendia 28 salas, laboratórios, salas para Física e Química, Ciências, Geografia, Desenho e Música, uma biblioteca, um anfiteatro, cinco pátios de recreio, um pátio de desporto, três ginásios, piscina, refeitório, entre outras valências”. (Wikipédia).

ÚLTIMAS 

ALBANO RIBEIRO DEFENDE INTERVENÇÃO IMEDIATA NO TELHADO DA ESCOLA

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Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção de Portugal (SCP) alertou, em conferência de imprensa, realizada no passado domingo (29jan17) para a preocupante situação em que se encontra o telhado da SEAH… “prestes a abater”.

O responsável é contrário a uma obra de reabilitação feita “com remendos” – uma crítica indireta à solução encontrada pela secretária de Estado da Educação -, defendendo uma intervenção “diurna e noturna” no local. “Limpar caleiras não chega. As caleiras estão no exterior da Escola e não matam ninguém. A começar é pelo telhado!” Intervenção que poderá ser efetuada durante o dia, já que, em seu entender, “não afeta o normal funcionamento da escola”.

O alerta foi dado por quem percebe da “poda” e que tem um plano concreto para a reabilitação da ESAH, o qual envolverá cerca de quatro centenas de trabalhadores e que vai apresentar, brevemente, ao ministro da tutela.

MINISTRO DA EDUCAÇÃO REÚNE COM SINDICATO

O Sindicato da Construção de Portugal vai ser, finalmente, recebido pelo ministro da Educação, informou a estrutura em comunicado enviado à comunicação social, não sendo uma reunião para debater, exclusivamente, a questão relacionada com a ESAH, a verdade é que o problema será, obviamente, tratado no referido encontro.

“Por indicação do senhor primeiro-ministro, este Sindicato irá ser recebido pelo senhor ministro da Educação. As questões quer lhe irão ser colocadas serão as seguintes: – Evitar a emigração de cerca de 10 mil trabalhadores da Construção. – Para haver crescimento e desenvolvimento económico tem que se apostar no Setor da Construção, para assim serem criados muitos milhares de postos de trabalho; – Não podíamos estar mais de acordo com o senhor primeiro-ministro quando ele diz que tem que se apostar no Setor da Construção; isto revela uma grande sensibilidade da parte dele, que vem ao encontro das nossas posições que são do conhecimento público”, refere o comunicado.

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIA DISCUTE REQUALIFICAÇÃO DA “ALEXANDRE HERCULANO”

Por iniciativa do PCP a Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República discute hoje (01fev17) a requalificação da Escola Secundária Alexandre Herculano.

De acordo com um comunicado enviado á comunicação social, “o PCP tem vindo a concretizar um amplo conjunto de iniciativas em defesa da requalificação da Escola Secundária Alexandre Herculano, neste momento encerrada temporariamente em resultado da falta de condições mínimas para funcionar. Entre essas iniciativas consta a apresentação de um Projeto de Resolução na Assembleia da República, que foi entregue no passado mês de julho.”

“Na sequência da alarmante situação que se verifica, o Grupo Parlamentar do PCP solicitou o agendamento urgente do seu Projeto de Resolução, o que terá dia 1 fevereiro, na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência da Assembleia da República.

A discussão do Projeto de Resolução do PCP pode corresponder a um contributo importante para forçar a realização urgente das obras de requalificação que este histórico estabelecimento de ensino tanto necessita e que há longo tempo são aguardadas pela comunidade escolar.”, lê-se no documento.

(*)Apoio/Pesquisa: Wikipédia /JN

(**): Fotomontagem

Fotos: Pesquisa Google

01fev17

 

1 Comment

  1. jose lopes

    Muitos parabéns pela reportage… este é um trabalho fundamental para se conhecer verdadeiramente e de forma muito profunda o tema que superficialmente os diferentes órgãos de comunicação têm tratado, ajudando apenas a empurrar responsabilidades de uns para outros como se vem assistindo…

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