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BATALHA ganha! CINEMA regressa à Invicta com “CASA” gerida pela Câmara

O cinema Batalha vai reabrir as portas, mas, em concreto, ainda não se sabe quando, devido à complexidade da obra de reabilitação do edifício. A verdade, contudo, é que nos próximos 25 anos será a Câmara Municipal do Porto (CMP) a gerir o espaço – classificado como monumento de interesse público (2012) -, depois de um acordo celebrado, recentemente, entre a autarquia e a empresa proprietária do edifício, “Neves & Pascaud”. A câmara pagará uma renda mensal de 10 mil euros, suportará o custo das obras, e será ainda responsável por dar vida a um espaço culturalmente abandono há, sensivelmente, sete anos.

Foto: António Amen (Arquivo EeT)
Foto: António Amen (Arquivo EeT)

Com a ideia de criar uma “Casa do Cinema”, o projeto para o novo Batalha será desenhado pelo arquiteto Alexandre Alves Costa, que ainda não faz ideia de quando os trabalhos estarão prontos, e, muito menos, da data em que o espaço será reaberto ao público… objetivo fundamental da obra.

Em conferência de imprensa realizada, no local, na manhã do passado dia 13 de janeiro, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, começou por referir que este trata-se da concretização “de um velho sonho nosso! Não queria que o Batalha fosse para outra coisa qualquer”.

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Rui Moreira: “Obras vão demorar algum tempo”

O edil tentou, durante as conversações com os proprietários, a aquisição, pela Câmara, do edifício, mas os responsáveis da “Neves & Arnaud” não quiseram desfazer-se do imóvel, e, assim, chegaram a um acordo para o seu arrendamento.

O Batalha vai assim, finalmente, para obras, as quais, segundo Rui Moreira, “vão demorar algum tempo”. Relativamente ao investimento a fazer no espaço, o autarca portuense salienta que o mesmo é “suportável pelo erário municipal”.

Rui Moreira quer que o Batalha “seja transformado numa Casa do Cinema”, esperando para o efeito a colaboração da secretaria de Estado da Cultura e da Cinemateca. “O cinema tem fortes raízes históricas na cidade e é, assim, natural que aqui se crie uma casa do Cinema”.

Alexandre Alves Costa: “Este é o projeto das nossas vidas”

alexandre alves costa

O arquiteto Alexandre Alves Costa – convidado pela CMP a desenhar o projeto do futuro Batalha – recebeu com “honra e enorme prazer” a proposta feita por Rui Moreira, salientando o valor cultural do espaço: uma obra moderna do século XX, que foi “um gesto de resistência ao fascismo”.

O arquiteto quer “repor as coisas destruídas no passado”, e avisa, desde logo: não poder adiantar datas para a sua reabertura, “uma vez que este não é um projeto simples, vai demorar o seu tempo, será, por certo o projeto das nossas vidas… do final da minha vida”.

Alexandre Alves da Costa enfatizou as obras que se encontram no cinema Batalha, desenhado pelo arquiteto Artur Andrade e decorado com murais de Júlio Pomar (no hall de entrada), e ainda “um baixo-relevo de Américo Braga, a interromper o vitral interior, referindo que é o seu primeiro trabalho “para a reabilitação de um cinema”, ainda que já tenha intervindo no projeto do cine-teatro Constantino Nery. “Há que preservar algo do passado deste cinema, mas também é necessário criar outras valências, adaptadas aos novos tempos”, concluiu.

Uma história de Batalha(s)

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No local onde se encontra o Batalha funcionou anteriormente, e desde 1908, a sala de projeção de cinema “Salão High Life. Em 1947, foi transformado, pelo arquiteto Artur Andrade, no Cinema Batalha. O cinema foi inaugurado em 3 de Junho de 1947, sendo constituído por dois auditórios, um com capacidade para 950 lugares sentados (plateia 346; tribuna 222 e balcão 382) e o outro para 135 pessoas. Tem ainda dois bares e um restaurante com esplanada.

Na fachada apresenta um baixo-relevo de Américo Soares Braga (1909-1991) alvo da censura por parte do regime fascista de Salazar. O edifício é propriedade da empresa Neves & Pascaud, tendo encerrado no ano 2000. Reabriu, contudo, ao público em maio de 2006, por arrendamento ao Comércio Vivo – uma parceria da Câmara do Porto e Associação de Comerciantes – com diversas valências: bar, restaurante, sala de espetáculos com 935 lugares, e Sala Bebé com pouco mais de 100 cadeiras.

A 31 de Dezembro de 2010, o Gabinete Comércio Vivo entregou as chaves aos proprietários, no último dia do contrato de gestão. Em 2012, o Batalha foi classificado como monumento de interesse público.

Texto: José Gonçalves

Fotos: António Amen (arquivo EeT) e pesquisa Google

Consulta: Wikipédia

01fev17

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