Problemas de ordem financeira, relativos à realização do 37.º Festival Internacional de Cinema do Porto – Fantasporto marcaram a conferência de imprensa, realizada no passado dia 10 de janeiro, na sede da “Cinema Novo”, para apresentar o evento deste ano.
De acordo com Mário Dorminky, diretor e fundador do Fantasporto, “os constrangimentos financeiros têm condicionado a organização”, a qual conta “com cinco por cento dos patrocínios que recebia há dez anos” e que tem “complementado o orçamento (240 mil euros) com a venda de vários imóveis na posse da Cinema Novo”, a organizadora do certame.
Assegurando a apresentação a concurso, agendado para o próximo mês, para subsídios do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), Dorminsky reiterou o facto de que “o Fantasporto tem-se realizado nos últimos cinco anos em condições financeiras, que só o investimento da nossa parte é que tem garantido o evento”
O cinema dos nossos tempos
Já Beatriz Pacheco Pereira, também responsável pelo Fantasporto”, salientou o cariz do programa da 37.ª edição do “Fantas”, referindo a propósito que “o tema deste ano é o cinema dos nossos tempos, porque tanto na área fantástica, como na generalista, temos filmes que retratam a história dos nossos tempos, nomeadamente dos conflitos”.
Estando já na terceira geração de público, a edição deste ano conta com um orçamento de cerca de 240 mil euros e com o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), do Ministério da Cultura e da Câmara Municipal do Porto, como também o patrocínio da Unicer e dos canais TVCine e Séries.
De acordo com a organização, “que se rege pela constante renovação, sem nunca descurar a experiência”, 2017 é o seu “melhor cartaz”, com 96 películas provenientes de 33 países e repartidas entre o fantástico e o “Cinema dos Nossos Dias”, tema genérico da Semana dos Realizadores Manoel de Oliveira. Há também lugar para o cinema de animação e experimental.
O evento arranca dia 20 de Fevereiro e decorrerá até 5 de Março no Teatro Municipal Rivoli. A competição começa a 24 de Fevereiro com a exibição de “The Age of Shadows” de Jee-woon Kim, filme vindo da Seleção Oficial dos Festivais de Toronto e Veneza e considerado o Melhor Filme do Festival de Filadélfia, sendo ainda o candidato sul-coreano ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Kim Ki-duk, realizador sul-coreano considerado pelos seus congéneres como um dos maiores realizadores mundiais da atualidade, marcará também presença com a longa-metragem “The Net”.
Filmes “made in” Portugal
Há também filmes portugueses em competição e em antestreia mundial, como “A Ilha dos Cães”, “A Floresta das Almas Perdidas” e “Comboio de Sal e Açúcar”. Destaque aqui para “Rewind”, uma produção suíça da autoria do português Pedro Joaquim, assim como o Prémio de Cinema Português, que irá escolher o melhor filme e a melhor escola de cinema.
Poderemos ainda assistir a diversos filmes selecionados e premiados nos festivais de cinema de Cannes, Chicago, Edimburgo, Sitges, Fright Fest London, Rio de Janeiro, Varsóvia, Busan, Austin, Filadélfia, Fantaspoa, Locarno, Veneza e Toronto, bem como a clássicos dos “filmes de kung-fu”, o famoso Cinema de Ação de Taiwan, que serão exibidos pela primeira vez em terras lusas em parceria com o governo local de Taiwan.
Do mesmo modo, o público poderá contar com uma retrospetiva do moderno Cinema Argentino intitulada “TerrAr-Sabores das Pampas”, da qual fazem parte “El Ataud Blanco” e “El Muerto Cuenta su Historia”, e com a antestreia de diversas novelas e séries de TV fantásticas produzidas pela brasileira TV Globo.
Universidades colaboram com certame
Como vem sendo habitual, o Festival Internacional de Cinema do Porto – Fantasporto tem a colaboração de vários estabelecimentos de ensino superior, nomeadamente Universidade do Minho, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade Católica do Porto e Universidade Lusófona de Lisboa, cujas escolas de cinema trazem filmes dos seus estudantes a concurso, a fim de mostrarem o seu produto ao público em geral.
Outra ação frequente nas edições do Fantasporto é o programa especial de cruzamento com outras artes, ao longo do qual haverá conferências, workshops e uma exposição de artes plásticas da autoria de Catarina Machado.
Uma novidade na edição de 2017 é a secção “Mini Me”, inteiramente dedicada ao público infantojuvenil. Outro extra é a eliminatória portuguesa do Eurocosplay, a decorrer no dia 25 de Fevereiro, numa iniciativa coorganizada pelo portal Central Comics.
O evento encerrará com o filme brasileiro “Através da Sombra” realizado por Walter Lima Jr, numa adaptação livre do conto “A Volta do Parafuso” de Henry James.
Ao longo de todo o festival, haverá 10 a 11 sessões diárias. O cinema fantástico será exibido à noite. Por sua vez, os filmes de cariz generalista estarão em horário nobre a partir das 18h00.
Reconhecimento internacional
Recorde-se que a primeira edição do Festival Internacional de Cinema do Porto – Fantasporto foi em 1981 e teve origem na necessidade de mostrar algo novo, que divergisse do “mainstream” da época. Ao longo dos anos, a sua qualidade tem vindo a ser reconhecida internacionalmente, sendo considerado um dos três grandes festivais do cinema fantástico, a par com o SITGES – Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha e o BIFFF – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas, bem como um dos dez melhores festivais independentes de todo o mundo, de acordo com o site Tripper.
Texto e fotos: Cátia Cruz
01fev17

