Este homem que se imortalizou por ter sido o escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral e o autor da “certidão de nascimento” do Brasil, a célebre carta sobre o “achamento” de terras de Vera Cruz, é tido como natural do Porto. Embora não existam provas absolutamente concretas sobre o local do seu nascimento, a maior probabilidade é apontada para a cidade Invicta pois, se não nasceu nesta cidade terá, pelo menos, aqui vivido desde muito novo.
A data do seu nascimento rondará pelos meados da centúria de Quinhentos apontando, muitos autores, para a data de 1450, como sendo a mais viável.
Pêro Vaz de Caminha era proveniente de uma família da fidalguia, próxima da corte portuguesa. Tudo indica que Caminha deverá ter sido educado pelo pai, Vasco Fernandes de Caminha, cavaleiro da Casa do Duque de Guimarães, que o terá orientado para seguir a mesma profissão que a sua – escrivão. Dadas as características de estilo e erudição expressas na “Carta do Achamento do Brasil”, os estudiosos consideram que Pêro Vaz tivesse, segundo os padrões da época, uma formação cultural sólida, ou seja, era um homem letrado.
Tal como muitos outros homens da cidade, Pêro Vaz participou na guerra contra Castela, levada a cabo pelo rei Afonso V, em 1476, quando o monarca pretendia anexar aquele reino, mas acabou por ser derrotado pelas tropas castelhanas, na batalha de Toro.
Pela participação de Pêro Vaz nos combates, deve ter sido nomeado Mestre da Balança da Casa da Moeda do Porto, um cargo equivalente ao de escrivão e tesoureiro. No entanto, segundo outras fontes, teria herdado de seu pai esse cargo, uma vez que era comum, naquela época, a transmissão de pai para filho. De qualquer forma, a ocupação deste cargo de grande responsabilidade, revela prestígio e confiança junto à Corte portuguesa.
Aliás, é inegável a sua preponderância na cidade, dado que foi escolhido, em 1497, por nomeação de D. Manuel I, para redigir, na qualidade de Vereador, os Capítulos da Câmara Municipal do Porto, que seriam apresentados às Cortes de Lisboa. Afirma-se mesmo que o monarca o nomeou por lhe ter afeição.
Caminha acompanhou, como escrivão, a armada de Pedro Álvares Cabral, aquela que fez o “achamento” do Brasil, em 1500, enviando por barco, a D. Manuel I, a carta em que relatava os primeiros contactos entre os portugueses e os ameríndios, considerando-se esta carta, o primeiro documento escrito da História do Brasil, o que constitui uma verdadeira certidão de nascimento desse País.
A forma viva, expressiva, minuciosa e realista como descreveu tudo quanto observou na terra e nas gentes, torna este documento precioso e imprescindível para um conhecimento mais aprofundado sobre o encontro/confronto entre duas culturas e dois mundos tão diferentes.
Esta Carta escrita por Caminha só foi conhecida pelo grande público, quando foi publicada, no séc. XIX (1817), quase cerca de 300 anos depois da sua elaboração e constituiu uma enorme surpresa pelo seu conteúdo e pelo riquíssimo acervo de conhecimentos que deu a conhecer.
Na sequência do “achamento” do Brasil, a armada de Pedro Álvares Cabral continuou a sua viagem até à India, onde Pêro Vaz iria ser nomeado escrivão da feitoria que Portugal estava a construir para a defesa do importante entreposto comercial de Calecute, na Índia. Contudo, Caminha nunca chegou a ocupar esse cargo, pois um ataque muçulmano à feitoria tirou-lhe a vida.
Pêro Vaz de Caminha morreu no mesmo ano em que escreveu a carta que o imortalizou: 15 de Dezembro de 1500.
Texto: Maximina Girão Ribeiro
Fotos: Pesquisa Google
Obs: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.
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