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ESPECIAL VIGO: PELOS TRILHOS DO “CELTA”À DESCOBERTA DE UMA CIDADE “ROMÂNTICO-INDUSTRIAL”

VENHA DAÍ CONNOSCO! Está feito o convite. Agora, é só embarcar. O comboio espera-nos, como também nos espera uma cidade encantadora; coração industrial de uma Galiza em crescimento; e tão secreta quão romântica. Vale a pena vir dar este passeio… vamos lá!

Opini - José + Pedro

José Gonçalves e Pedro N. Silva

         (texto)               (fotos/vídeo)

Não exibimos carteira profissional, nem qualquer título que nos identificasse como repórteres deste jornal. Os “periodistas” ficaram no Porto. Rumo a Vigo, pelos trilhos do comboio “Celta”, foram dois turistas à procura de descobrir, em sete horas, os encantos de uma cidade com um enorme peso na economia da nossa vizinha Galiza.

Por certo, terá sido pouco o tempo da nossa estada, mas chegou para “tirarmos a pinta” a uma urbe que não se confina ao seu porto de pesca (um dos maiores da Europa), à beleza da sua ria e ilhotas, das suas praias, ou até mesmo ao “velhinho” mas sempre moderno “El Corte Inglés”, que fazia a delícia dos portugueses que, há sensivelmente quarenta anos, desconheciam, por completo o que era um centro comercial, e passavam a fronteira à procura de azeite, bacalhau e… caramelos.

Vigo é muito mais do que isso…

VIGO (I)

O COMBOIO “CELTA” E A LINHA MAL-AMADA

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12 de março de 2017. 07h45. A equipa de reportagem reuniu-se junto à estação (Internacional) de Campanhã. Faltava meia hora para a partida do “Celta”. Os bilhetes já os tínhamos comprado há uma semana. Preços acessíveis: Normal: € 23,60; Jovem (até 25 anos): € 22,10… ambos de ida e volta.

Não havia pressas. Bebeu-se, no “Boa Viagem”, o primeiro “café curto” da manhã. Tentava-se espantar o sono, mas ele há muito que já tinha desaparecido, corrido que foi pela “tranquila ansiedade” que sempre surge quando se parte para uma viagem desconhecida.

Sim, porque quem vos escreve registava já algumas deslocações a Vigo (avião, carro e autocarro) mas nunca a pé (Caminhos de Santiago) ou de… comboio. O Pedro, por seu turno, fazia o seu batismo internacional como repórter, e também como turista na Galiza. Nunca lá tinha ido. Estavam reunidos os “condimentos” necessários para uma curiosa viagem.

A "nossa" automotora. Ou o "Comboio Celta"
A “nossa” automotora. Ou o “Comboio Celta”

E a viagem estava prestes a iniciar-se. Para os mais supersticiosos a coisa não começava da melhor maneira. A automotora que nos iria conduzir a Vigo, ia partir (como, aliás, é habitual) da linha 13, às 08h15.

Ainda por eletrificar, a linha obriga as composições a moverem-se a diesel, criando, à partida, uma barulheira de todo o tamanho. A carruagem, dividida em três “compartimentos” parece-nos confortável. Interessante é o facto de não haver qualquer tipo de indicação ou promoção ao comboio “Celta”. Nada!

O nosso compartimento vai mais ou menos cheio. Chegam alguns estrangeiros, mas, na sua maioria, são portugueses e com cara de não irem até Vigo, talvez e somente até à princesa do Lima, como é conhecida Viana do Castelo. Bem, palpites…

Histórias reais

O “Celta” (batizado com este nome em julho de 2013) efetua, até Vigo, paragens em Nine, Viana do Castelo e Valença. A duração da viagem é de cerca duas horas e quinze minutos. Maior parte do percurso é realizado pela Linha do Minho, passando a automotora, entre outras terras, por Ermesinde, Trofa, Famalicão, Barcelos, Barroselas, e pelas galegas, Tui, O Porriño e Redondela.

Esta ligação (Porto-Vigo) está recheada de histórias, algumas delas bastante tristes. A pior foi, sem dúvida, a ocorrida na manhã do dia 09 de setembro de 2016, quando o comboio, em direção ao Porto, descarrilou perto da estação de O Porriño, causando o acidente, a morte a quatro pessoas – entre as quais a do maquinista, de nacionalidade portuguesa -, e 48 feridos, sete dos quais em estado grave.

A única ligação internacional ferroviária do noroeste peninsular, entre duas grandes cidades, voltava à baila pela pior das razões, isto depois de ser ameaçada, por diversas vezes, de extinção.

De salientar que esta ligação a Vigo sucede a um outro serviço que, a partir de 10 de janeiro de 1868, ligava aquela cidade galega a Lisboa, realizando-se três vezes por semana para, pouco tempo depois, passar a ser diário. Só em 1913 é que se iniciou a ligação de Porto a Vigo, sendo, em 1952 – e isto segundo dados da Wikipédia – “utilizada uma carruagem que era rebocada de Campanhã pelo comboio internacional para a Corunha”.

A partir daqui, há um sucedâneo de histórias e historietas que fazem desta linha um “caso raro” da ferrovia ibérica.

Entre 1980 e 1984 o nome do serviço passa a chamar-se “Lisboa-Porto-Galiza”, constituído, diariamente, por três composições, para, em 1989, a ligação voltar a ser truncada, unindo apenas o Porto a Vigo, com duas composições. Em 2001, o serviço é já parecido com o atual – duas vezes por dia e por automotora -, mas com mais paragens no lado galego.

Os anos negros, que quase levaram à suspensão completa desta ligação, ocorreram em 2005 e 2011, sendo que, em 2013, o transporte é renovado, dando-lhe o nome de “Comboio Celta”, o tal, no qual, o “Etc” fará o seu “passeio”.

Centena e meia de quilómetros

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De regresso à nossa viagem, depois da outra que fizemos pela história, eis que, então, é dado o tiro de partida. Oito horas e quinze minutos… em ponto.

O S. Pedro vai fazendo umas caretas. Não está frio. Na carruagem ajustamos o corpo às almofadadas cadeiras, pensando já nas horas de viagem que temos pela frente e… “bora lá que já se faz tarde!”

Ao contrário do que existe nas composições da Metro do Porto, da CP (urbanos, intercidades ou alfas) e da STCP, não há, na nossa automotora, qualquer dispositivo (sonoro ou digital) que nos informe sobre por onde estamos a passar, ou, principalmente, sobre a paragem a efetuar ou que está a ser realizada. Só o revisor, de vez em quando, vai por nós passando, e respondendo a algumas dúvidas dos passageiros, mas nada mais do que duas ou três passagens durante toda a viagem.

Aliás, tanto o revisor como o maquinista (portugueses) saem em Valença para darem lugar aos seus colegas galegos.

Temos pela frente cerca de 150 quilómetros.

Começamos a “romper” por campos verdes, entre árvores e arbustos, num casamento que, pouco mais tarde, se fará com o mar, já depois de termos parado em Nine, estação onde se efetua a ligação com o comboio oriundo de Braga.

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Em marcha mais célere e sem que o oiçamos a apitar – o barulho do motor tem uns “decibéis” a mais -, lá vai o nosso Celta atravessando riachos e rios (Cávado e Lima), para chegar a Viana do Castelo, onde entram e saem (saem mais do que entram) alguns passageiros.

A partir daqui, há o referido e fabuloso encontro com o mar até Caminha, para depois nos “encostarmos” ao Rio Minho, que nos acompanhará até Valença e se despedirá de nós na travessia para Tui, a primeira localidade galega a… ver-nos passar.

Rio Lima
Rio Lima
O mar ao fundo
O mar ao fundo

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Estação de Valença
Estação de Valença

Em Valença paramos cerca de um quarto de hora. É o momento destinado para a tal mudança de revisor e maquinista. O “Celta” é, a partir desse momento, comandado por galegos. E muito bem! Um “olá!” e “Buenos Dias” do revisor. E, ouvimos, pela primeira vez, o “Celta” a apitar. Estava dado mais um tiro de partida rumo a Vigo, agora em trilho galego.

A paisagem é diferente. O primeiro impacto surge com uma zona industrial, mais concretamente, com o parque-auto da Peugeot/Citroën (grupo PSA), repleto de viaturas. Depois é o passar por pequenas e bonitas localidades, até que, uns bons minutos depois, avistamos a Ria de Vigo, já em Redondela, isto após termos deixado para trás O Porriño. Um pouco mais e… já estávamos na estação de Vigo-Guixar. Chegamos!

11h35 locais (mais uma hora que em Portugal).

Rio Minho
Rio Minho
Tui... ao fundo
Tui… ao fundo
Parque auto
Parque auto

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Ria de Vigo
Ria de Vigo
ponte de Rande
ponte de Rande
Um primo do "Celta"... em Vigo
Um primo do “Celta”… em Vigo

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Estação Vigo Guixar
Estação Vigo Guixar

VIGO (II)

CIDADE “SECRETA”

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A estação é relativamente pequena em termos de número de cais, o mesmo não se podendo dizer quanto ao seu ramal, que serve também para a passagem de comboios de mercadorias de ou para o porto de Vigo. O movimento é reduzido, até porque é domingo, e lá como cá, foi dia feito para descansar. Aliás, lá até se descansa mais, pois a tradicional “sesta” obriga a um repouso mais prolongado.

Tomamos um “café solo” (se não for “solo” leva um pingo de leite) e saímos da estação. Como em Campanhã – mas aqui em tamanho mais pequeno -, temos o interface local. Alguns táxis (branquinhos como a cal) e alguns autocarros (poucos… só mesmo o “nosso” 16) por lá se encontram estacionados.

Se o movimento de comboios e passageiros na estação é irrelevante, já o de carros na via pública é significativo, ainda que sem originar grandes congestionamentos de trânsito.

“Pés à estrada”, percorremos os primeiros metros em solo viguês pela “Rúa do Areal” (“Rúa” é assim que se escreve em galego), para depois seguirmos caminho pela Avenida Beiramar, passando pela bonita Alameda da Prazza de Compostela.

Não está frio (15º), faz algum vento e a ameaça de chuva (ao longe) é bem visível.

Antes, porém, o nosso repórter fotográfico fixou-se nos “revolucionários” semáforos que encontramos à saída da estação, como, depois, com o facto de em todas as passadeiras o acesso dos passeios à estrada esteja adaptado para deficientes motores. Já os visuais não têm a sinalização sonora (aquando do sinal verde) como no Porto.

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Outro facto a realçar: os vigueses são extremamente cumpridores quanto à sinalética para peões. Mesmo sem qualquer viatura à vista, se estiver vermelho, está (!), e é mesmo para ficar parado a olhar, nem que seja para o balão.

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Mas, a primeira e grande surpresa do dia, foi quando, quem vos escreve, decidiu – como sempre faz quando do Porto se ausenta para outras terras – comprar o jornal local. Um diário de referência, decano da Imprensa espanhola, bem paginado, com uma edição de domingo com mais de 70 páginas, incluindo duas revistas: o “Faro de Vigo”.

Para espanto nosso era esta a manchete da edição de domingo:

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faro vigo - 01

O Norte de Portugal em destaque. Aliás, sabemos que os galegos dão muita atenção à região norte do nosso país, e muito em concreto, ao “Eixo Atlântico”, sobre o qual falaremos na próxima edição. E não é só o “Faro de Vigo”, mas também o “La Voz de Galicia”. Ambos os jornais, nós (Etc e Tal jornal) acompanhamos, diariamente, via “net” e sabemos qual a relevância que dão a Portugal e ao Norte, em particular. É dez vezes mais que a que alguns dos nossos grandes jornais em papel lhes dão. Fica a nota!

Capital das camélias

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Regressemos ao nosso passeio e à beleza de Vigo.

Ruas limpas. Laranjeiras a cada passo. Camélias, muitas camélias! Estas mais visíveis que no Porto, uma vez que as japoneiras estão na via pública, mas, tanto como na Invicta, também aqui são “adoradas”… e logo neste fim de inverno, início de primavera.

Depois… há um cheiro diferente no ar. A maresia mistura-se com o odor das flores, dos frutos. Eis o primeiro “segredo” de uma cidade que, industrial como é, poderia ser cinzenta, austera, sem cheiro… mas não! Nada disso.

E eis que, de um momento para o outro, somos surpreendidos por um dinossauro. Era só que nos faltava. Mas, este era simpático e, artisticamente, bem feito. Continuamos a nossa caminhada, observando o pulsar e a beleza da Plaza Portas do Sol.

Dinoseto
Dinoseto
Portas do Sol
Portas do Sol
Uma das artérias centrais
Uma das artérias centrais

Ah… por Vigo também se passeia o cãozinho ou a cadelinha. Tal como em Portugal, logo cedo, é “dever cívico” pôr o bichinho a fazer cocó. Mas, tudo bem! Não se notou nada de especial no piso das ruas por onde passamos. Ou seja, não tivemos “recuerdos” inesperados, como às vezes acontece em algumas cidades que bem conhecemos…

“Se passear, com o seu o animal de estimação, é algo de salutar e que os vigueses cumprem à risca – pelo menos por aquilo que vimos-, também jogar na lotaria, ou em outros jogos ditos de “azar”, faz como que parte integrante do quotidiano desta nobre gente. Os quiosques espalham-se um pouco por todo o centro da cidade, mas em abono da verdade se diga, não vimos ninguém a jogar.

Já perto da uma hora da tarde, o movimento no centro da cidade é considerável. Os cafés e as suas esplanadas estão cheios. Se há comércio que se encontra encerrado, a hotelaria não!

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Fomos, então, caminhando em direção à Avenida de Gran Via, para, no seu cimo, chegarmos à famosa Praça de Espanha. É nessa avenida que se encontra o velhinho mas sempre atual “El Corte Inglés”, por acaso, e neste dia, de portas fechadas.

Antes, porém, e em outra artéria movimentada da cidade deparamo-nos com uma exposição de fotografia, destinada a artistas amadores.

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E lá chegamos à Plazza de Espanã, com uma escultura monumental, “Os Cavalos de Oliveira”, da autoria de Juan José Oliveira. A obra está gravada nos vigueses. Este conjunto escultórico atinge os 18 metros de altura e pesa 40 toneladas, representando uma tropa de cinco cavalos que ascendem ao céu por uma cascata.

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Avenida de Gran Via
Avenida de Gran Via
Praça de Espanha - Os cavalos de Oliveira
Praça de Espanha – Os cavalos de Oliveira

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Outras obras de Juan Oliveira podem também ser observadas no Monte de O Castro (bem perto da Praça de Espanha) onde “antigamente havia cavalos selvagens, que agora pastam por outros montes de Vigo “, como revela o “Turismo de Vigo”.

Vigo ao “Raio X”

Fique, entretanto, a saber que Vigo é um município de Espanha, da província de Pontevedra e da comunidade autónoma da Galiza. Tem qualquer coisa como 109 Km2 de área, e, em 2016, 296.817 habitantes. A 71 quilómetros de Santiago de Compostela (capital política da Galiza), e a pouco mais de 20 mil metros de distância da lusa Valença, Vigo é o município mais populoso da Galiza.

Porto marítimo por excelência, a sua atividade piscatória é reconhecida mundialmente, sendo considerado o principal porto pesqueiro da Europa.

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A sua economia carateriza-se pela diversidade vinculada à indústria e aos serviços, sendo de realçar, neste aspeto, o papel de capital importância que assume a indústria automóvel, liderada pelo grupo PSA (Peugeot / Citroën).

“A construção naval é também importante para a economia da região. Saiba que Vigo é o primeiro porto de comércio de peixe para consumo humano do mundo (650000 toneladas, no ano de 2004).

porto de Vigo conta com mais de nove quilómetros de milhas de atraque. Outras atividades económicas importantes em Vigo são a indústria química e farmacêutica, a indústria têxtil, a indústria editorial, alimentícia, a fabricação de produtos para a construção, a fabricação de maquinaria industrial, a engenharia naval e em menor escala a indústria aeronáutica”, lê-se na Wikipédia.

E pronto. Tirado o “raio X” a Vigo, vamos ao almoço que se faz tarde.

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Como as fotos acima chamam à atenção, chegou a hora de “dar ao dente”, como se diz cá pela terra (“cá”… pelo Norte de Portugal).

Não fomos, porque não tivemos mais tempo – o estômago tem destas exigências -, para procurar  uma tasquinha tradicional, nem saboreamos, propriamente, os pratos gastronómicos locais. Paciência, se o(a) leitor(a) for a Vigo, ou quando lá for, procure, se tiver tempo, algum restaurante que tenha, por exemplo, mariscos (são fenomenais), peixe (pescados), empanadas, “pimentos de Padrón, tapas acompanhadas vinhos da terra e licor de café, ameijoas e mexilhões, centolas, lavagantes… Dê uma saltada a Berbés, típico bairro marinheiro da cidade, e lá encontrará estes pratos todos, e mais alguns.

Nós ficamo-nos por um hambúrguer (para o repórter fotográfico), e um lombo assado no forno, para o chefe da equipa e diretor do jornal, que é como dizer, quem pagou a conta.

Não foi caro: O hambúrguer ficou-se pelos 03,70 euros, e o meu lombo pelos €8,00. O Pedro bebeu uma coca-cola e eu água com gás. O pior foi a sobremesa (carinha por sinal), com o rapaz a “atirar-se” a uma salada de frutas, e o “velhote”. a um pudim caseiro. No final, lá vieram os cafés solo. E as refeições foram “solo” 14,00 euros per capita.

Vá lá, como era domingo, a coisa escapa. É uma vez por outra, como se costuma dizer! Engraçado que na mesa ao lado estava uma família de portugueses.

Importante de referir que fomos muito bem atendidos (empregado muito simpático), aliás, como é apanágio dos galegos.

A comida estava boa… muito boa. Fica a indicação do restaurante. Tem o nome de “Ecos” e situa-se na Rúa Urzaiz, em pleno centro de Vigo. Vamos continuar o nosso passeio, e atenção que, de seguida, rumaremos para junto da Ria de Vigo.

A Ria e o porto

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O vento não parava. Soprava mesmo com intensidade. Encontramo-nos junto à Ria de Vigo e depois de um corre para aqui e para acolá, tivemos mesmo que nos abrigar por causa da chuva, que, entretanto, fez questão de dar sinais de vida.

Havia quem vendesse guarda-chuvas, mas sem sucesso. Quem comprasse um, voaria com ele, ou vê-lo-ia desfeito num instante.

Refugiamo-nos, então, no centro comercial A Laxe que, por sinal, tem um lindo “miradoiro” para a ria, e que o Pedro, com as fotos acima publicadas, já se encarregou de registar.

Espaço de média dimensão, mas muito agradável. Fomos lá para ver a paisagem e, fugindo do vento, acabamos por ser surpreendidos com a beleza de uma “baía” verdadeiramente paradisíaca.

Porto de recreio, porto de pesca… pouco movimento de barcos (ao domingo deve ser sempre assim), mas muita gente no centro comercial, com alguns portugueses lá pelo meio.

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El Nadador
El Nadador

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Tinha chegado, então, a altura de darmos uma saltada à zona histórica da cidade de Vigo, que fica perto da área portuária. São Pedro permitiu-nos tal veleidade, e fomos percorrer algumas das pracetas e vielas do local, destacando-se, na zona, a Concatedral de Santa Maria.

Foi numa dessas ruelas, e num simpático café, que bebemos o “solo” mais barato da jornada. Enquanto o preço normal do café é de 1,20 euros, naquele cafezito, pela chávena, o seu conteúdo, mais um pedaço de bolo e um croissant pequenino, desembolsamos a módica quantia de 95 cêntimos.

E é linda esta parte da cidade. Bairro de pescadores e marinheiros, tem características arquitetónicas, verdadeiramente, peculiares. Sentimo-nos como que um pouco na “nossa” tripeiríssima Ribeira. Lá está o secretismo de Vigo a vir ao de cima, ali bem perto do pulsar da cidade comercial e industrial. Digamos que este é um nicho com vida própria… diferente de tudo o que lhe está adjacente.

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Concatedral de Santa Maria
Concatedral de Santa Maria

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Bonita cidade!

Deixando o centro histórico – que, se o(a) leitor(a) ainda não o foi visitar, depois destas imagens, dificilmente resistirá a não faze-lo -, regressamos às origens, ou seja, à estação de comboios. Não para regressarmos ao Porto, pois ainda tínhamos (vejam lá!), mais umas quatro horas pela frente.

Ora, como ainda não nos tínhamos deslocado áquilo que vamos chamar de “parte alta” da cidade, constituída, na sua maioria, por bairros sociais e, com especial destaque, para o estádio municipal dos Balaídos, onde joga o Celta de Vigo, decidimos apanhar um autocarro… o 16 para a visitar.

Começa aqui a história do “nosso 16”…

Antes, porém, e para chegar à estação, passamos por belos jardins, tendo, depois, o autocarro, sem querer, mas a parecer de propósito, à nossa espera.

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O "nosso" 16
O “nosso” 16
O projeto para a renovação do estádio dos Balaídos
O projeto para a renovação do estádio dos Balaídos

A viagem custou – ida e volta – 2 euros e 66 cêntimos, durou aproximadamente 45 minutos, e mesmo em dia de futebol – o Celta recebia o Villarreal, para mais uma jornada da Liga Espanhola – ia quase vazio.

Junto ao Balaídos, tal como acontece em Portugal e em quase todos os estádios por essa Europa fora, lá estavam as barraquinhas com os seus comes-e-bebes, mas, à hora em que passamos, encontravam-se poucos adeptos no local, a contrastar com o número de polícias.

Para tristeza dos vigueses, o Celta acabaria por perder 1-0, mas, mesmo assim, manteve-se num confortável 11.º lugar na tabela classificativa, isto num campeonato disputado por 20 equipas, das quais as três últimas classificadas descem de divisão.

Mas, o futebol é aqui chamado por que razão? Não pela derrota do Celta no seu próprio estádio, mas porque, quando a cidade acordou da sesta (17h30), tudo quanto era café tinha as televisões sintonizadas no canal que transmitia, em direto, o encontro entre os galegos do Deportivo da Corunha frente ao todo poderoso “Barça”. Penso que para alegria dos vigueses, uma vez que são galegos de corpo e alma, o Deportivo venceu o Barcelona, em “casa”, por 2-1.

Futebóis à parte, façamos, quase para terminar esta reportagem, uma pequena “expedição” fotográfica ao porto de Vigo, para que o (a) leitor(a) tenha uma pequena noção daquela que é a maior infraestrutura da cidade e que catapulta toda a região para o mundo da economia real…

Porto de Vigo
Porto de Vigo

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VIGO (III)

PORTUGAL PRESENTE

Vice-consulado de Portugal em Vigo
Vice-consulado de Portugal em Vigo

A presença de Portugal na Galiza, e, neste caso concreto em Vigo, é quase uma constante, principalmente no que diz respeito a serviços. Mas, não só. Esta é a segunda região (Galiza) de Espanha onde se concentra o maior número de trabalhadores portugueses: 6.413, isto segundo dados publicados no “Faro de Vigo”.

O Norte de Portugal, em termos comparativos com a Galiza, só se encontra à frente desta, em áreas como a indústria, atividades financeiras, de seguros e imobiliárias.

Já os galegos “batem-nos” na agricultura, construção, serviços (comércio e transportes, à cabeça) e atividades artísticas e recreativas.

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Em boa verdade, são “dois territórios vizinhos, com duas economias diferentes”, como destaca o “Faro de Vigo, salientando ainda _ e esse é o destaque do estudo publicado pelo decano dos jornais diários publicados em Espanha, na sua edição de 12 de março – que o Norte de Portugal, nos últimos três anos, conseguiu “reduzir para quase metade a brecha económica com a Galiza”, o que é um dado extremamente significativo da evolução do PIB português que bateu, recentemente, um recorde, com um avanço “na indústria de mais de 18 por cento face a 2013”, revela o diário viguês.

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VIGO (IV)

REGRESSO À INVICTA

O interior do "Comboio Celta"
O interior do “Comboio Celta”

E, pronto! Preparamo-nos para regressar à (nossa) Invicta, depois de uma jornada que ficará para sempre na nossa memória. Visitar Vigo foi muito bom, bonito, foi como que a descoberta real de uma cidade romântica e industrial, com gente afável, alegre de um trato especial.

As relações luso-galaicas são cada vez mais importantes, e tão importantes são, que o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, convidou, recentemente, o responsável máximo pelo Governo da Galiza, Alberto Nuñez Feijóo a visitar a cidade do Porto, convite esse – como oportunamente noticiámos – foi aceite.

Os cais de embarque da estação de Vigo
Os cais de embarque da estação de Vigo

E começamos essa série de trabalhos, por esta viagem de comboio, porque ela representa, na realidade, a ligação real entre dois povos, que, tal como a linha, teve altos e baixos, mas que, mesmo assim, construíram, com muita luta, com muita força de vontade, determinação e empenho, o seu próprio “mundo”, a sua própria autonomia face aos poderes centrais de Madrid e Lisboa, que – a história confirma – normalmente se esquecem das regiões mais… “limítrofes”.

As lições dadas pelo Norte de Portugal e pela Galiza – com o seu Eixo Atlântico – do qual falaremos com destaque na próxima edição -, são disso um exemplo.

Estamos de partida. Mas antes deixo-vos com uma boa notícia, relacionada com o motivo desta reportagem, e editada, recentemente, pela agência Lusa:

“O comboio Celta que faz a ligação internacional entre Porto e Vigo, pela linha do Minho, registou um aumento de passageiros transportados em 155 por cento, desde 2013, ano que foi criado o serviço.
O presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, em declarações à agência Lusa, congratulou-se com estes dados recentemente divulgados pela RENFE, a operadora dos caminhos-de-ferro espanhóis, que no seu entender “vem provar que a ligação era necessária para que a euroregião cumpra a sua missão de aproximação das duas regiões(…) que trarão melhorias em termos de economia e do turismo”.

Desta forma o edil vianense considerou que o aumento da procura é “justificado pela diminuição do tempo de viagem, pela diminuição das paragens mas também pela conciliação das bilheteiras dos dois lados da fronteira, a que se irá juntar, em breve, a eletrificação da linha do Minho”.

Recorde-se que este serviço internacional esteve para acabar em 2011, devido a prejuízos anuais de 235 mil euros, segundo alegava a CP na altura, e após protestos dos organismos da região do Minho e da Galiza e com a RENFE a assumir os custos do lado espanhol, a decisão acabou por ser recuada, tendo em 2013 a CP e a RENFE criado em conjunto o serviço “Celta”.

Uma boa notícia.

Adeus Vigo… até à próxima (já em comboio elétrico)!

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VIGO (V)

VIAGEM EM… MOVIMENTO

01abr17

 

 

 

3 Comments

  1. Carla Ribeiro

    Fiquei simplesmente fascinada.
    Excelente , parabens
    Consegui qd sentir os cheiros e ouvir os sons.
    Magnifica reportagem que nos faz viagar.
    Simplesmnete e sinceramente , espetacular, PARABENS

  2. jose lopes

    este trabalho só pode ser candidato a prémio! Autores estão de parabéns por nos mostrarem e transmitirem de forma tão atrativa, o resultado de uma viagem aqui mesmo ao lado…

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