A exemplo da Marcha dos Povos pelo Clima (People’s Climate March) que, no dia 29 de abril, teve lugar pelo mundo fora, também em Portugal várias associações ambientalistas e partidos políticos saíram à rua em algumas cidades sob o lema “Não ao Furo Sim ao Futuro”. Assim aconteceu no Porto, em que se reuniram diferentes plataformas ambientalistas e delegações partidárias que incluíram o BE, PAN e PEV. Participaram ativistas de Aljezur (Algarve), Lisboa, Viseu, Aveiro, Braga e Porto, representando várias localidades do norte do país para se manifestarem, exigindo respostas sérias às alterações climáticas.


O ponto de encontro foi a Avenida dos Aliados em que os participantes na Marcha e organizações presentes deixaram mensagens e denúncias, destacando-se a recusa da exploração de hidrocarbonetos no país em que o governo se contradiz, já que em novembro de 2016, na Cimeira do Clima, em Marraquexe, o próprio primeiro-ministro, António Costa declarou que Portugal seria neutro em carbono em 2050. Mas entretanto, “o mesmo governo deu licença à GALP/ENI para fazer prospeção de gás e de petróleo no mar de Aljezur”, denuncia a Plataforma de organizações da Marcha do Clima que passou pelo Porto.

Seguiu-se um desfile até à Ribeira do Porto em que os manifestantes foram sensibilizando para as diversificadas motivações ambientalistas e ecológicas que os unia nesta Marcha do Clima. “Mudemos o Sistema. Não o Clima!”, “Empregos com dignidade para o Clima e a Sociedade!”, “Justiça climática”, ou “Planta árvores! Faz um charco! Cultiva uma horta! Anda de bicicleta!”, era o cartaz transportado por um ativista, enquanto uma jovem tinha improvisado um outro com a frase, “Gás, Petróleo, Carvão – deixá-los no chão!”. Destacava-se ainda uma delegação que transportava uma faixa em que denunciava, “Ponte de Lima Contra a Central de Betuminoso”.

Esta Marcha terminou junto ao Douro como mais um contributo no engrossar do caudal que vai ganhando consciência de que, o combate às alterações climáticas precisam de politicas coerentes, bem contrárias das politicas a favor dos combustíveis fósseis de Trump.
Estas ações dos povos a nível mundial denunciam e alertam para as consequências, do uso de “combustíveis sujos e perigosos, como o petróleo, o gás natural e o carvão” ou “soluções insustentáveis como a energia nuclear e as grandes barragens” como afirma a Plataforma da Marcha pelo Clima no Porto, em que se fizeram ouvir com particular inquietação as ameaças ao longo da costa portuguesa, na sequencia das concessões para a realização de furos do Algarve à Beira Litoral, do Oeste à Costa Alentejana. “Atentados a uma política climática que deve recusar a exploração de hidrocarbonetos em Portugal”, foram alguns dos argumentos de mais uma jornada pelo Clima.
Texto: José Lopes
Fotos: Cátia Cruz e José Lopes
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