Benigno de Sousa
Por hábito as conversas no café começam sempre pela meteorologia e à qual também chamamos tempo. E o nosso tempo não tem tempo para outro tempo porque nos engole e vomita-nos como Cronos. Toda a vida assim é morrer e nascer, para na morte nascer vida.
Do que se fala? Das palavras que significam as coisas; química e física, dor e riso, sonho e realidade, liberdade-verdade. Sentados à mesa dum café diziam e, então, eu ouvia: “Bom dia! E em Maio come a cereja ao “caralho”. E outro replicou: “Não é assim! É, em Maio se come cereja ao borralho, quer dizer, ainda vem frio.
Nestas coisas de provérbios nem sempre é certo pois em Abril esperou-se águas mil mas, em sua substituição chegaram assassinas bombas que inocente sangue derramaram na terra. Como se há-de resolver defeito? É que a bomba mãe já foi largada e as outras estão órfãs, mas a Leste o pai delas está pronto.
Que vida é esta? Qual o sentido? É desassossego! Um corre-corre sem meta à vista. Mentira n.º agrilhoado ao n.º infinito, de que nada se sabe. Disseram-nos haver divindade, por isso, rezamos a Fátima no caminho para a cova mas ela não vem e o que por lá há é Fé na visão, e não uma aparição.
Mas é hora de chamar Deus à questão para prestar satisfação, porque não foi cumprido o Jardim Éden prometido. Amabilidade e serenidade são dos felizes que têm paciência para estar ao serviço das pessoas que, como o vinho mau, se tornaram azedas.
Venham as grandes decisões políticas-económicas, mas será que haverá paz e pão para novos e velhos famintos? Chilra o pardal. Chora o cão e quando o mar embate na rocha quem se lixa é o mexilhão, e aquele que desejar viver livre de todas as preocupações terrenas como anjos que não trabalham e só louvam a Deus, desagrada-lhe trabalhar, todavia o trabalho dá dignidade.
E o pão de cada dia ganho com o suor de outro rosto é abominável. Afinal, o que se diz à mesa do café? Um supurar de nada recheado de ignorância. E isto dura? Sempre, ó macacada!
01mai17