Bruno Ivo Ribeiro
Seja a Felicidade um assobio na boca de qualquer inebriado pela vida, e seja o Universo o álcool que nos correrá eternamente nas veias e nas artérias do nosso corpo, desta humanidade tão desumana.
Quem se escapa apenas fenece desta amarga e doce Vida. Quem se esquenta e se escalda com os desígnios que deste mundano e redundante, bem como redondo, mundo fazem parte; apenas à cova, nova rota e mais rápida têmpera tem em conta que lá dará com o melhor vento que surja, na turvaria de uma esquina do cruzamento seguinte.
Quem é de mar e de sol, e som e silêncio, ou entre escumas e espumas faz brotar luz, onde esta já silenciada, jaz em alto pregão à mocidade vindoura; é ainda a esperança de Primaveras consequentes.
Mas aquele que encara o sol com o amor que acarta em si no peito, com esse mesmo amor que provém desse luxuoso e incauto cofre de sangue, que aos quatro nortes faz bater em ritmo descompassado e sensitivo o sentimento dos amantes; desta mesma forma que se olham e se beijam, olhará aquele para o astro alto e dourado, que doura, ilumina, rege e guarda, alimenta e nutre, este mundo de sombras e de seres sombrios.
A melodia apoteótica que vibra e faz vibrar.
O ritmo que faz pulsar a vida.
O amor de que se nutrem os veros amantes, familiares e amigos.
As relações sem sangue mas cravadas de invisíveis e apertados glóbulos vermelhos bem como brancos e plaquetas sorrindo.
E todos os sorrisos sentidos, dados e imaginados.
São puros atos da criação do silêncio.
São consequências da sinceridade.
E são a luz, daqueles e naqueles, onde já botou a água eterna, o brilho nos olhos, ou o abraço de quem são.
Foto: Bruno Ivo Ribeiro
01jul17
