Menu Fechar

Rua do Ouro

Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…

Cunha e Freitas (*)

“Ignoramos por que razão se chamava de Ouro um lugar antigo nas margens do rio Douro, que deu sobrenome à freguesia de S. Martinho de Lordelo – Lordelo do Ouro.

Lordelo, segundo a lição do Dr. José Leite de Vasconcelos, vem do medieval laurito ou laureto, palavra composta de laurus (loureiro), com o sufixo “ito” ou “eto”, significando abundância de loureiros – um loureiral.

Teria evoluído, sucessivamente, para Lauritello (séc.X), Lauridelo (séc. XI) e Laordelo ou Loordelo (séc. XIII). Efectivamente é já esta a grafia nas inquirições de D. Afonso III, em 1258.

A nós, na nossa imensa ignorância em matéria filológica, parece-nos que de laurito viria mais facilmente louredo ou Lordelo, mas Deus nos livre de querer discutir a opinião do grande mestre que foi Leite de Vasconcelos.

De modo nenhum aceitável, é a etimologia proposta por Pinho Leal: Lordelo seria um diminutivo de Lorde (lordezinho). Aquele sobrenome do Ouro, de que não sabemos a origem, parece-nos não seria tão remoto como o Lordelo.

rua do ouro - porto

Embora julguemos um tanto duvidoso que fossem ali as famosas taracenas ou tarecenas medievais, já existentes em tempo de el-rei D. Fernando, e onde se teriam construído as frotas que se encheram de glória em tempos de D. João I, não há dúvida que existiriam no Ouro velhos estaleiros, pelo menos desde finais do século XVI tão importantes que justificavam a existência de um superintendente dos galeões do Ouro no século XVII, depois chamado, na centúria seguinte, Superintendente da Ribeira das Naus.

Estes cargos serviam, respectivamente, por meados de seiscentos, o desembargador Paulo de Meireles Pacheco e, quase cem anos depois, Pedro da Costa Lima, o bem conhecido fundador daquele formoso palacete do Largo de S. João Novo.

Havia também um patrão-mor da Real Ribeira do Ouro, função que em 1732, ocupava um João Vicente Pereira da Cruz. De 1656 datam os privilégios dos calafates da Ribeira do Ouro.

Refere-nos o P.e Rebelo da Costa ao tratar da foz do Douro, que defronte deste Lugar do Ouro existiam umas pedras chamadas Lobeiras da Ínsua. Não conhecemos mais remotas referências ao Ouro.

Por curiosidade diremos que um documento de 1564 menciona, em Lordelo «uma vinha à Fonte das Rãs, e não se sabe onde jaz». E nós também o não sabemos.”

(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, de 15-06-73

Foto: Pesquisa Google

Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DA PALHETA

01jun17

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.