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GAIVOTAS EM TERRA… TEMPESTADE NOS CONTENTORES DO LIXO! PORTO VIVE “PRAGA” DE AVES MARINHAS E POMBOS ERRANTES…

Reproduzem-se sem problemas. Invadem contentores de lixo, telhados e beirais de casas, monumentos, fábricas e “afins”. São agressivas em épocas de acasalamento ou nidificação. Na companhia de pombos galegos (errantes) deixam, frequentemente, e sem autorização, “presentes” nos tejadilhos de qualquer viatura, assim como na cabeça, kispo, fato ou fraque de qualquer transeunte. São as nossas amigas gaivotas; os nossos amigos pombos, mas não só…

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Opini - José + Pedro

José Gonçalves e Pedro Nuno Silva

(texto) e (fotos)

O Porto turístico está a ficar mal em alguns retratos, principalmente nos que à limpeza dizem respeito. Por certo, não muito preparado para o “boom” de turistas registado nos últimos anos, ou para o disparar do número de população flutuante na cidade e na região, a Invicta está a enfrentar problemas de higiene pública dignos de registo; registo esse fácil de captar por qualquer máquina fotográfica, ou telemóvel.

Com o lixo a transbordar em certos contentores, alguns dos quais a poucos metros de hotéis, está, por assim dizer, feito o convite a gaivotas e pombos para um prático “fast food”, ou até mesmo para um apetitoso “take way” que, pós-digestão, se transforma em brinde para os transeuntes. Tratam-se de “souvenirs” malcheirosos que trazem consigo outros (graves) problemas, entre os quais para a saúde.

Se juntarmos à falta de limpeza em certos locais, e a uma evidente ausência de eficácia dos responsáveis camarários do setor, a da educação e civismo de algumas pessoas que, mesmo avisadas, continuam a alimentar as aves com arroz, pão e outras sobras, está como que criado um cenário propício ao evoluir de uma “praga” que vai dando cabo, entre outras coisas, dos monumentos da cidade, devido ao efeito corrosivo dos seus dejetos.

Não é a primeira nem a milésima vez que este assunto é abordado, ou pela comunicação social, ou por responsáveis autárquicos, a verdade, porém, é que além do problema manter-se, tende a agravar-se. É, por isso mesmo, que o trazemos à coação.

A foto que se segue (de um leitor) é elucidativa do problema aqui colocado. Os contentores que se veem na imagem a transbordar de lixo, à luz do dia, encontram-se junto à Estação de Metro do Heroísmo; no passeio oposto à 3.ª Esquadra da PSP e Divisão de Trânsito; a poucos metros de restaurantes (um bem conhecido: “A Cozinha do Manel”); é passagem diária para milhares de pessoas, entre elas, estudantes e professores (há três estabelecimentos de ensino na área: “Alexandre Herculano”; “Pires de Lima” e Externato D. Dinis); e além de estar perto de uma zona residencial (Bairro do Bom Retiro) encontra-se a poucos metros de uma unidade hoteleira (hotel Eurostars), pelo que, como podem facilmente concluir, a imagem que se segue já foi presenciada por quem visita a cidade um sem-número de vezes. Lindo retrato. Ora vejam…

Foto de um leitor
Foto de um leitor

A falta de limpeza do local e o facto de certas pessoas alimentarem tanto as aves marinhas como outro dos residentes permanentes – os pombos -, além de criar maus cheiros, principalmente quando o calor aperta, origina uma “vaga” de moscas e mosquitos digna de registo, sendo que há já quem tenha vistos ratos pelas redondezas.

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Relatório(s)

Para o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR.UP) “os danos provocados pelas gaivotas é na realidade preocupante”, principalmente quando “encontram, no lixo, alimento com mais facilidade, o que acontece, principalmente nas cidades, onde também, essa alimentação é disponibilizada pela população”, refere a instituição unm relatório apresentado à Câmara Municipal do Porto (CMP), a pedido desta,, que salienta ainda um outro problema, levantado por moradores de locais onde as gaivotas proliferam, que é o do ruído produzido pelas mesmas, principalmente durante a noite: “esse ruído é para proteção de ninhos e crias.”

Telhado-ninho na “Alexandre Herculano”

O “Etc e Tal Jornal” constatou, por exemplo, que o telhado do pavilhão da Escola Secundária Alexandre Herculano é local privilegiado para a referida nidificação e, consequente, nascimento das aves marinhas, sendo, segundo alguns moradores “impossível dormir à noite”. “Já foi mais complicado, mas começamo-nos a habituar à barulheira”.

A referida estrutura teve, segundo se sabe, uma intervenção de limpeza há cerca de quatro anos, daí para cá nada mais foi feito nesse sentido, esperando-se que, com as obras a que a Escola vai, ou está a ser alvo, devido aos problemas infraestruturais abordados em fevereiro e março do corrente ano, e que levaram à tranbsferência de alguns alunos para outra escola da zona (Ramalho Ortigão), possam vir a resolver o problema.

Um problema metropolitano

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Entretanto, esta questão – abordada, inicialmente, pela CMP – é já discutida em muitos municípios da Área Metropolitana do Porto, principalmente, os juntos á orla marítima costeira. Para a autarquia portuense, este “é um problema comum a várias cidades da área metropolitana, pelo extenso território que as aves atravessam diariamente para se alimentarem, nidificarem ou repousarem, pelo que é necessária uma articulação à escala supra concelhia”, lê-se no semanário “Sol”.

A verdade porém, é que nada se sabe, em concreto, como que o problema está a ser resolvida, até porque o mesmo afeta, de forma mais preocupante, além do Porto, os concelhos de Vila Nova e de Matosinhos, calculando-se que o número aproximado de gaivotas presentes nestas cidades chega aos 15.962.

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Para já, e o caso estende-se também aos pombos, a solução para minorar este problema passa – e são muitos os avisos públicos nesse sentido – pela eliminação, ou redução acentuada da disponibilidade de alimento, e da tentativa de exclusão de zonas de pouso em áreas de elevada concentração de gaivotas.

A verdade, porém, é que estas aves são protegidas por lei, daí que qualquer ação para minorar este problema tem sempre de passar pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICN).

ICN esse que proíbe a captura abate e detenção dos espécimes, dos seus ninhos e ovos, mas, pelos vistos, não tem em conta o equilíbrio do número de aves devem ter em termos comunitários.

Pombo(a)s: praga II

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Alugaram janela e tudo, na Estação de Campanhã
Alugaram janela e tudo, na Estação de Campanhã

As questões que se colocaram em relação às gaivotas fazem-se também no que concerne aos chamados “pombos galegos” (errantes), ainda que estes não sejam tão agressivos e durante a noite deixem a população descansar sem problemas, até porque, à mesma hora, eles também se encontram em repouso.

Agora, em termos de “presentes voadores”; de serem alimentados pela população e invadiram tudo quanto é sítio (beiras, janelas e outras coisas mais) … a coisa é a mesma.

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Neste caso dos pombos, o problema é também considerado grave, desconhecendo muito boa gente dos riscos que correm ao alimentarem estas aves; riscos esses diretamente relacionados com a sua própria saúde.

Diversos sites especializados, e por nós consultados, relevam os efeitos do contacto de humanos com essas aves e os problemas que originam para os próprios animais.

“Nas grandes cidades existem muitas pessoas que, diariamente, no mesmo horário e local, faça sol ou chuva, alimentam com sacos de milho, pão e até mesmo com restos de refeições, centenas de pombos que vivem livremente nas praças e ruas das cidades.”

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“São pessoas que, sem dúvida nenhuma, têm um respeito muito grande pelos animais; muitas até se privam da sua alimentação para poderem alimentar essas aves. Ao receber esse alimento, as aves deixam de ir buscar à natureza alimentos adequados à sua dieta, como grãos, frutos e insetos.

As aves, na natureza, tem uma função muito importante de controlar os insetos e replantar as sementes das plantas que comem. Estas aves eliminam nas fezes as sementes prontas para germinarem no solo, pois suas próprias fezes mantêm as sementes húmidas e adubadas. A oferta ou escassez de alimentos influência a reprodução dos pombos. Em locais onde há fartura de alimentos, ocorre aumento da reprodução e portanto, aumento da população. Se houver escassez de alimento, a população de pombos mantém-se em equilíbrio”.

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Relativamente ao ambiente, os problemas provocados pelos pombos, “ além da contaminação do ambiente por fungos e bactérias, as fezes dos pombos também podem provocar danos materiais. As fezes dos pombos além de sujar, danificam pinturas, superfícies metálicas, fachadas de monumentos entre outros. Cada pombo produz cerca de 2,5Kg de fezes por ano.

Os pombos provocam o entupimento de algerozes e calhas pela acumulação de ninhos e fezes. Em locais onde os pombos são alimentados, ocorre a proliferação de ratos, baratas e moscas devido às sobras de alimentos que ficam no chão”.

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Quanto aos métodos de controlo da população de pombos errantes, dito de galegos, salienta-se a “redução de abrigos; redução e controlo de fontes de alimentação; controle e redução de pontos críticos de proliferação (edifício abandonados); captura e controlo de doenças realizadas pelas entidades oficiais; toda a atividade desenvolvida é cuidadosamente planeada, de forma a evitar a morte das aves ou o seu sofrimento…”

Visto isto, há ainda a salientar uma outra questão: a que diz respeito com a limpeza dos contentores do lixo e áreas envolventes. O que acontece na zona da Estação do Metro do Heroísmo é um exemplo lamentável da falta de limpeza por parte dos serviços responsáveis, mas outras zonas da cidade, não tão expostas aos turistas verifica-se senão o mesmo, coisa parecida.

Fica dado o alerta, entre muitos alertas que aqui foram revelados. Cabe, agora, aos responsáveis darem as devidas respostas aos problemas colocados, não só pelo nosso jornal, mas pelas pessoas que com eles sofrem…

01jul17

 

1 Comment

  1. João Alves Dias

    Muito oportuna esta reportagem. Uma vergonha para as entidades competentes e um aviso às pessoas que pensam estar a prestar um bom serviço quando lhes dão comida. Quando é que os proprietários das casas e carros danificados começam a exigir indemnizações pelos prejuízos que lhes são causados? Para quando um “movimento” das “vítimas”? Quem dá o primeiro passo?

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