Ouve-se: “É uma festa sem igual!” Aprovado e comprovado. O S. João do Porto cumpriu, uma vez mais, com a tradição, ainda que sem o tradicional lançamento de balões. Seja como for, as festas sanjoaninas viveram-se com a folia e o encanto de sempre, isto na companhia de milhares de turistas que invadiram (como já é hábito) a urbe, “rendendo-se” à alegria e afetos típicos das gentes tripeiras…
José Gonçalves e Pedro N. Silva
(Texto) (Fotos)
Colaboração especial: Amadeu Almeida
É sempre de 23 para 24 de junho que o santo repinica. É nessa altura que, de facto, o S. João faz “soar em bica” milhares e milhares de almas que enchem as principais artérias, ruas, ruelas e bairros da Invicta cidade do Porto. Às 00h00 as atenções centram-se na Ribeira, com o fogo-de-artifício, que, uma vez mais, e desta feita, com “Danças do Mundo” (ver vídeo em rodapé), foi, verdadeiramente, majestoso. Valeu os minutos (18) de atraso para o seu início. Valeu, mesmo!
E não “houve orvalhadas para as mulheres casadas”, nem balões a colorir os céus da cidade (proibição com coima até cinco mil euros), mas houve “marteladas”, e sempre aquele cheirinho a manjerico e a alho-porro que, atrevidamente, se passa pelos narizes dos mais “incautos”.
Bailaricos até às tantas. Sardinhas assadas, todas elas “afogadas” num bom verde ou maduro, tinto ou branco (pouco importa: “cá a gente não é racista”). Muita cor. Balões em terra para enfeitar vielas, restaurantes e tasquinhas. Muita música na Avenida que “aliou” nomes consagrados da canção nacional sediados na região (GNR, Clã, Trabalhadores do Comércio). E muita alma tripeira, muita alegria, muito convívio, com muitos ”camones” à mistura. Tudo “muito”, muito tripeiro, próprio, autóctone… nosso.
E foi, assim, das Fontainhas até à Foz (onde tradicionalmente “terminam” os festejos, junto ao mar com os respetivos banhos e outras coisas mais que para aqui não são chamadas), passando pela Rotunda da Boavista, por Campanhã, Aldoar, Ramalde, por todos os bairros da cidade. Já de madrugada e depois de muita martelada, veio, então, o cabrito ou o anho assado no forno, típicos da noite e dia do santo tripeiro que, por sinal, não é o padroeiro da cidade. Cidade que comemorou a jornada, com feriado municipal (24jun). Lá estava a Vandoma (essa sim, a padroeira) altiva, no brasão, a bailar-se nas bandeiras da Invicta, ladeadas pela de Portugal, ainda há pouco tempo a meia-haste.
As farturas, o café e…. o anhozinho assado no forno
E vêm as farturas e o café quentinho porque a noite está fria. Os mais cansados “tomam” o funicular dos Guindais rumo à Praça da Batalha, para, depois de viagem em transporte público (autocarro, metro ou comboio de serviço toda a noitada), irem “ferrar o galho” (dormir, em português). Os mais resistentes bebem ainda mais uns canecos com os amigos e amigas, dando – se ainda estiverem seguros de si – uns passos de dança ao som do Marante e da sua “Linda Portuguesa” na Praça da Alegria.
Aqui e acolá, ainda se vão servindo algumas sardinhas assadas (Ó Manel, não comas isso a esta hora, porra! Não bês que está tudo esturricado?! – Que se lixe! O que não mata engorda!) que, de manhã cedo, tinham “desaparecido” num ápice da lota de Matosinhos. E canta-se. E sente-se um Porto que ainda é mais Porto que o Porto que é moda e atrai milhares e milhares de turistas.
“A gente gosta deles (turistas). Nós gostamos de receber bem quem bem cá! Né ó Chico? É! Né? É! Fo… que é mouco o car…!”, dizia a Jaquininha, sem deixar o marido responder. A Jaquininha dos manjericos. “Como os meus não há nenhuns, filho! Ora cheira a ber! Né co nariz. Bota a mão…pronto. Agora cheira. Atão? Tás a ber, filho? Ná melhor!”
Pois., bimos… cheirando.
É assim esta nobre gente.
E nas Fontainhas ainda há tempo para a ganapada se divertir. “Quer dizer-se” já é tarde, mas ainda é cedo. Sim, porque o S. João é também uma festa para as crianças e jovens. É a alegria estampada nos seus rostos. São os carrocéis. É a Roda Gigante. É um sem-número de atrativos que deixam os pais, tios, padrinhos, seja quem for, de mãos coladas aos bolsos das bolsas.
“Oh mãe… anda lá! É barato! Deixa-me andar! – Põe-te a andar, mas é daqui pra fora, julgas cando a nadar em dinheiro. Vai ter co teu pai… fo..! car…! Só pra mim! Anda cá rapaz! Ondé que bais?… Só pra mim. Santa paciência! Minha Nossa Senhora! Rais parta o rapaz”) E o rapaz lá conseguiu levar a dele a bom porto.
Bem, verdade se diga, que isso não se passa só nesta festa, passa-se em muitas outras… todos nós sabemos disso, ou não? A linguagem é que pode ser um pouco diferente…
Olha a rusga!
Mas, os festejos não se circunscreveram à véspera e dia de S. João. Antes, houve concursos de Cascatas, Música, Desporto, Artes, um sem-número de iniciativas que envolveram milhares e milhares de pessoas, entre as quais a tradicional Regata de Rabelos no Rio Douro (este ano, na 34.ª edição da prova, e entre 15 concorrentes, venceu o rabelo da Calém (Sogevinus), seguido pelo da Fonseca (Fladgate) e o da Rozés), terminando as mesmas com o desfile das Rusgas do Porto, nas quais as sete freguesias da cidade foram representadas pelos seus mais rapioqueiros fregueses e apadrinhadas pelas coletividades convidadas pelas juntas.
Antigamente – e não vão lá muitos anos – não era assim. Tudo partia da espontaneidade: as rusgas formavam-se com cinco ou seis pessoas, que percorriam as ruas e a ela ia-se juntando mais gente, levando algumas testos e panelas para a barulheira (mais tarde, os conhecidos martelinhos) e ainda ramos de erva-cidreira e o indispensável alho-porro, cantando modas da terra.
Mas, o mundo pula e avança, e, como tal, as coisas mudam. Hoje, as rusgas, são diferentes…
Partiram da Praça da Batalha rumo aos Aliados. Milhares e milhares para vê-las passar e atuar no coração do Porto. Ganhou a de Campanhã. Rusga criada pela Associação Cultural e Desportiva do Bairro do Falcão.


DESFILE
E perante milhares e milhares de pessoas, foi, assim, como vão ver (fotos do nosso colaborador Amadeu Almeida) que as rusgas desfilaram pelas principais artérias da cidade. As fotos estão por ordem de saída… ora vamos lá ver a “coisa”..
Bonfim (2.º lugar)
Lordelo do Ouro e Massarelos
Ramalde
União de Freguesias do Centro Histórico do Porto
Campanhã (vencedora)
Paranhos
Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (3.º lugar)
Mas, muito antes das rusgas e ainda na tarde da véspera de S. João (a 23 de junho) acompanhamos (porque fomos convidados para tal. Nós e outros órgãos da comunicação social) um passeio do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, pela zona da Ribeira. Eis, o S. João político. A coisa até foi engraçada…
Rui Moreira: “Dava uma martelada à EMA”
O edil (Rui Moreira) cedo começou a distribuir beijinhos, abraços e “selfies”. Estava feliz da vida, não só pelo nosso, mas também pelo “seu” S. João (compra pela autarquia do emblemático Teatro Sá da Bandeira, e uma nota positiva da “Fitch Ratings” à economia do município). Responde-nos Rui Moreira: A quem gostaria de dar uma valente martelada esta noite? Bem, a martelada é uma forma simpática de, no S. João, tratarmos as pessoas. Gostaria de dar à Agência Europeia do Medicamento… à EMA”. Pois. E quanto à proibição do tradicional lançamento balões? “Isso é para os especialistas. Este é um país de especialistas. Eu sou independente, não sou especialista. Espero que o Governo trate de ressarcir os comerciantes que ficaram privados, de um momento para o outro, de vender os balões que já tinham adquirido”, disse-nos.
Disse-nos tudo, antes de um jantar de S. João, servido para convidados especiais, no Centro Social o Barredo, com umas vistas maravilhosas sobre as ribeiras do Porto e de Vila Nova de Gaia, precisamente a cidade, onde se encontrava o primeiro-ministro, António Costa, para também festejar o santo rapioqueiro.
Ah! Atenção! Não soubemos por onde andaram os outros candidatos à presidência da autarquia tripeira para as eleições de 01 de outubro, pois, se assim fosse, também os tínhamos acompanhado. O convite veio só do presidente da Câmara Municipal e, como tal, lá estivemos presentes no périplo por ele efetuado pela Ribeira-Barredo. Pronto.
Cascatas
Do S. João político, para o popular é um instantinho. E, antes de regressarmos à noitada, com mais imagens da autoria do Pedro N. Silva, fiquemos com as cascatas de Fernando Neto (Associação de Moradores da Lomba) e de Admário Moura (nosso leitor). A de Neto foi a concurso organizado pela Câmara (Menção Honrosa, depois de duas vitórias consecutivas), e de Moura não, mas ficou exposta para amigos, familiares e vizinhos.
Ora, vamos lá dar uma vista de olhos…


E, está prestes a terminar o “nosso” S. João de 2017. Uma vez mais com as imagens do nosso repórter fotográfico e o vídeo do fogo-de-artifício do “Porto.” (com a devida vénia). Despedimo-nos com um: “Até ao ano!”


01jul17
















































































