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Quarta edição do FESTA animou Ovar com teatro, dança, música, circo…

Pelo quarto ano consecutivo realizou-se na cidade de Ovar o Festival Internacional de Artes na Rua – o FESTA, durante os dias 21, 22 e 23 de julho, com organização da Câmara Municipal de Ovar, proporcionando espetáculos de dança, teatro, circo, música, performance, jogos e oficinas.

Um diversificado programa que reuniu artistas internacionais, nacionais e locais em diferentes palcos ao ar livre, praças, largos, jardins, incluindo o Rio Cáster, como locais a revisitar e novos locais a descobrir com artistas profissionais e amadores, que desafiaram a viajar, a descobrir, rir, aprender e sonhar durante estes três dias, a que só faltou mesmo maior adesão do público.

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Como afirma Fátima Alçada, da direção artística do FESTA no editorial do desdobrável do evento, “há quatro anos surgiu a intenção e vontade de criar um festival que acontecesse fora de portas e fora de muros. Um festival que mostrasse a cidade onde vivemos 365 dias por ano, de uma forma surpreendente e apelativa e nos obrigasse a olhar os locais que acompanham as nossas vivências, de uma forma diferente e criativa”. Foi pois com muita criatividade que corresponderam os vários projetos culturais e artísticos que surpreenderam e ficaram na memória das pessoas com que se cruzaram nas diferentes atuações em que a interação com o público é uma das características da generalidade dos espetáculos.

Entre as propostas para a abertura do Festa, no seu primeiro dia (21), foi possível partilhar com o Teatro Mais Pequeno do Mundo que voltou a Ovar, a apresentação de Microglobo – Shakespeare numa Caravana. Miniespectáculos com duração de 10 minutos, em que o drama, o suspense e a emoção que resulta de criações originais de artistas da região de Viseu, foi partilhado pelo público na Praça da Republica.

Enquanto a música tomava conta do Pátio do Torreão (Museu de Ovar), com a atuação dos Lola Muff, um projeto local com músicas que refletem a vontade de explorar diferentes estéticas musicais dentro do rock, que tem na voz principal, guitarra ritmo e solo, Luís Pinto, guitarra elétrica e baixo FX, Óscar Barbosa e Américo Brazens na voz harmonias e bateria. A noite terminaria na Praça das Galinhas com o grupo musical Cais Sodré Funk Connection para apresentar o seu último álbum, “Soul, Sweat & Cut The Crap”.

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O programa do FESTA apresentou alguns dos espetáculos em duas e mesmo três sessões, facilitando as escolhas do público para usufruir o maior número possível da oferta disponível em diferentes áreas artísticas. Foi o caso do conceito de Teatro apresentado pelos Laika, com “Piknik Horrifik” ao transformarem o parque de estacionamento Júlio Dinis, num desolado pedaço de terra transformado num oásis verde, em que exploram com grande envolvimento do público, o limite entre o paraíso da boa comida e o inferno da produção de alimentos modernos. Já no género “novo circo” o Largo do Tribunal foi palco para a Companhia Erva Daninha apresentar E-nxada, como um espetáculo que remete para a ruralidade, a sua desconstrução e imaginário, sob um ponto de vista urbano e contemporâneo.

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O Jardim do Cáster decorou-se para a performance “Passagem” do PIA-Projetos de Intervenção Artística, CRL que contou a história de “Quatro velhos viajantes que caminham por entre um universo de objetos suspensos, onde através das memórias do passado, que lhes embrulharam a vida, encontram o início de uma nova jornada”. Ainda nas margens do Rio Cáster, entre o Espaço Empreendedor e Escola de Artes e Ofícios, teve lugar na noite de (22) a estreia absoluta “Chuva” de Leandro Ribeiro e Comunidade.

Uma peça de Teatro que teve a interpretação de João Miguel Mota e Manuel Nabais, com a participação da comunidade, que teve como palco o leito do próprio Cáster, “numa terra onde não chove o Rio é um sonho e o desejo de reencontro dos amantes confunde-se com o medo de partir e a necessidade de se ficar agarrado a alguma coisa, nem que seja ao chão, nem que seja a uma memória”. Projeto inspirado no texto de Mia Couto, que foi um dos grandes sucessos desta edição do FESTA, com cerca de 700 pessoas num só espetáculo realizado.

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O FESTA foi mesmo, “Dar Cultura, nas suas mais variadas expressões artísticas, de forma gratuita”, como também afirmou o presidente do Município de Ovar, Salvador Malheiro, no convite que fez à participação das pessoas, “num ambiente de alegria e animação, onde a cultura espreita a cada esquina, estimula emoções, aguça sentidos e desafia-nos a festejar”. Também através de momentos artísticos que envolveram crianças e graúdos na construção de jogos e torres, não das incríveis torres humanas que caraterizam os Tombs Creatius da Catalunha, mas numa versão desta arte das torres em madeira, que foram apresentadas como “Xics de Xurrac”, numa estreia nacional.

Da componente pedagógica do Festa destacou-se ainda a peça de teatro “Arre”, uma peça para dois burros e dois atores, que foi levada à cena no Parque Urbano pela Companhia Rei sem Roupa e pela AEPGA-Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino. Um espetáculo intercalado com “Aula do Burro” e que visou proporcionar a aproximação e o conhecimento da raça asinina de Miranda, atualmente ameaçada de extinção.

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Do vasto programa musical deste evento, que contou também com a cantora Selma Uamusse ou o projeto “Ciranda” dos músicos Gileno Santana & Inês Vaz, registou-se ainda a estreia absoluta da “Orquestra Clássica Inventada”. Um projeto que resultou do convite/desafio ao clarinetista Ivo Pinho para criar um espetáculo de música, para esta 4.ª edição do FESTA e em que os jovens músicos de Ovar fundem a música clássica com a música popular e tradicional de vários países. “Um caminho entre estilos musicais” desta orquestra, que durante três dias deambulou pela cidade.

Texto: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro

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