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(Análise)RESENDE: CONSTATAÇÃO DE FACTOS… ou tentativa de

Nos últimos tempos a empresa de transportes públicos Resende tem sido bastante abordada pela comunicação social e encontra-se na “boca do povo” pelas piores razões: autocarros velhos, má manutenção, falhas graves de segurança, incêndios dos veículos, etc.. Mas afinal o que se está a passar?

Este texto pretende então constatar o que está a acontecer, falando do bom e do mau. Pois sim, há coisas boas a salientar sobre esta empresa! Antes de mais, saliento que este texto é o mais imparcial possível, contudo há fortes criticas a tecer a esta empresa. Já lidei de forma muito próxima com um motorista da Resende (que entretanto arranjou trabalho noutra empresa) e presenciei muitas situações que pensava serem apenas “boatos”: aqui vou expô-las.

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A Resende é uma empresa de transportes públicos que opera nos concelhos de Matosinhos, Maia, Leça da Palmeira, Porto e Valongo. Conta com 14 linhas de serviço diurno e 5 de serviço noturno. A maioria destas linhas conta com integração na rede intermodal andante.

ASPETOS POSITIVOS

1 Recorrendo ao estudo realizado em Janeiro deste ano pelo “Etc e Tal Jornal”, a Resende é a segunda empresa com maior percentagem de veículos com piso rebaixado: cerca de 66%.

2 É também uma empresa que apresenta os horários e percurso das linhas no site. Também dá a conhecer aos clientes alterações de serviço nessa mesma plataforma.

3 Todas as paragens estão devidamente identificadas no local, indicando as linhas que passam e quais os destinos, algo que facilita a vida aos utilizadores.

4 Possui algumas carreiras com baixa adesão de passageiros, que mantém graças a veículos de reduzida dimensão usados nessas mesmas linhas.

ASPETOS NEGATIVOS

(estes aspetos não acontecem apenas na Resende)

1 Má manutenção da frota que se converte em falhas graves na segurança dos passageiros, motoristas e demais utentes da via pública. Falo por mim próprio que já assisti, junto ao motorista, o autocarro simplesmente não travar durante 5 segundos após se pressionar o pedal de travagem. Uma situação que só não se converteu em catástrofe por mero acaso (pois a falha de travagem aconteceu junto à paragem da Câmara Municipal de Matosinhos, onde se encontravam cerca de 10 passageiros para entrar).

2 Os motoristas não têm o mínimo apoio da garagem da empresa. Enquanto o autocarro andar está bom.

Acontecem situações como:

– A motorista telefonar para a garagem informando que o motor se encontra a 120 graus Celcius (quando devia estar pelos 90 graus Celcius.) e a resposta ser “ande mais devagar”.

–  O autocarro estar como os injetores bastante entupidos (diminuindo assim a performance e desenvolvimento do motor) e a conversa telefónica ser: “mas vai andando?” – “Sim.” – “Então tente aguentar. Bom trabalho!”.

3 Os horários de serviço são pensados para espremer ao máximo o autocarro e o tempo de trabalho de motorista, por isso os tempos de suporte são curtos ou insistentes em algumas linhas. Exemplo deste sobre aproveitamento dos motoristas é a extensão da linha 105 do MarShopping até ao Decatlhon e não ser alargado o tempo de viagem. Contudo, mesmo em grandes empresas como a STCP, há linhas que têm horários extremamente apertados de cumprir.

4 Não existe alteração de frequências nas horas de ponta. A Resende aplica sempre a mesma frequência na maioria das linhas, seja ponta da tarde ou no período morto da manhã (10h-11h).

5 A frota é pouco standart (embora este aspeto tenha melhorado com as ultimas aquisições da empresa). É de salientar que a maioria dos veículos provem de Espanha, contudo a maioria das empresas de transportes públicos em Portugal importa veículos usados do estrangeiro (não sendo uma situação propriamente má). Contudo a qualidade e manutenção dos mesmos é que faz a diferença.

6 Falta de formação do pessoal: há défices na formação de pessoal na Resende, e motoristas que ainda estão tenros na empresa já dão formação a outros motoristas.

7 Falta de controlo do cumprimento das carreiras: há múltiplas queixas de utentes, especialmente no serviço noturno de falhas de horários em certas paragens por o motorista “cortar caminho”.

8 Folhas A4: apesar de parecer um nome estranho para uma crítica a uma empresa tem a sua razão de ser: múltiplos autocarros da Resende não apresentam indicadores de destino operacionais, sendo uma Folha A4 a dar a conhecer a linha em que o autocarro se encontra. Há situações como: o autocarro indicar “RECOLHA” no indicador de destino mas estar em serviço comercial numa linha.

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 OS INCÊNDIOS

As notícias sobre incêndios da Resende têm tido enorme relevo na comunicação social, mas o que explica tais factos? A má manutenção é a principal razão, mas não só. É de destacar, agora entrando em pormenores mais “técnicos”, que os incêndios que aconteceram no último ano na Resende pertencem a um grupo de autocarros Mercedes provenientes da empresa espanhola Vitrasa.

Estes veículos têm algumas especificidades que põe em causa o normal desenrolar do motor, e estas caracteristicas aliadas a uma má manutenção resultam nos incêndios. Dos 12 autocarros deste modelo 6 arderam uma vez e 1 ardeu duas vezes. Há ainda outro que ardeu, mas foi fogo posto ao autocarro durante a madrugada enquanto este estava estacionado à porta de casa do seu motorista.

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Um dos 12 exemplares dos “Ex-Vitrasa”

É de salientar que os incêndios de autocarros acontecem em diversas empresas, mesmo empresas com boa manutenção. Contudo a frequência destes mesmos incêndios é que é muito mais reduzida (não sendo notícia sequer em alguns casos).

OS ULTIMATOS

São muitos os ultimatos à Resende que ganharam força após o acidente mortal que aconteceu a 6 de Outubro de 2016. Eis as mais recentes declarações da Câmara de Matosinhos:

A 28 de julho deste ano foi aprovado a antecipação do concurso público de concessão dos Transportes Públicos de Matosinhos, querendo isto dizer que a Resende pode deixar de operar em Matosinhos caso não reunia as condições para cumprir o caderno de encargos do concurso lançado, ou se outra empresa fizer uma melhor proposta. É de salientar que este concurso está limitado ao conselho de Matosinhos, pelo que as concessões da Resende nos outros municípios irão a concurso público no período normal. É de salientar que uma Diretiva Europeia obriga que todas as concessões de transportes públicos têm de ir a concurso público até 2019.

A 17 de julho deste ano “O presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Eduardo Pinheiro, comunicou à administração da operadora de transportes públicos Resende, Atividades Turísticas, SA que vai propor à Área Metropolitana do Porto a antecipação, com efeitos imediatos, da abertura de um concurso público para a concessão dos transportes públicos em Matosinhos. A decisão foi dada a conhecer durante uma reunião hoje realizada, a qual juntou os responsáveis da autarquia, da Área Metropolitana do Porto e da Resende. A proposta para a imediata abertura do concurso para a nova concessão de transportes público em Matosinhos será formalizada na próxima reunião do Conselho Metropolitano, marcada para 28 de julho.

O investimento insuficiente na substituição, conservação e manutenção de viaturas, bem como os dados alarmantes que constam do relatório elaborado pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, na sequência da solicitação feita pela Câmara Municipal de Matosinhos após um acidente mortal ocorrido em outubro último com uma viatura daquela empresa, levaram ainda a autarquia e a Área Metropolitana do Porto a declararem tolerância zero relativamente a quaisquer acontecimentos e incidentes que radiquem em questões operacionais da empresa Resende, podendo estar em causa a substituição total ou parcial da rede de transportes públicos por razões de segurança ou risco público.”

O QUE DIZ A EMPRESA?

Em entrevista ao JN, Martins da Costa, um dos administradores da Resende não mostra grande preocupação com as noticias sobre a empresa falando em “casos pontuais”, e garante que todos os veículos da empresa são verificadas todas as semanas pelo pessoal mecânico.

 

Texto e fotos: Pedro N. Silva

Fontes: JN

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