Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…
Cunha e Freitas (*)
“A designação da Rua do Passeio Alegre, na Foz do Douro, substitui um muito velho topónimo, que não se perdeu de todo, porque está ainda no dizer do povo: a Cantareira.
Cantareira significa, ou significava, o poial onde se colocavam as cântaras, à espera de vez na fonte.
Remonta, pelo menos, ao século XIII, porque o mencionam as Inquirições ordenadas por D. Afonso III, em 1258. Os inquiridores foram ao couto de S. João da Foz, e aí averiguaram que quantos iam pescar «no lugar que chamam Cantareira» se entendiam com o mordomo de Bouças, que costumava arrendar a dita Cantararia por 30 morabitinos, cada ano.
Segundo uma descrição dos começos do século XVIII, a Cantareira – ou as “cantareiras, que são do mosteiro de Santo Tirso” – jazia nos limites do couto de S. João da Foz, “daí parte com Lordelo, e daí vai ao Douro, aonde chamam as pedras Ruivas, que é entre Sobreiras e a Cantareira”.
No Passeio Alegre há dois monumentos dignos de menção: o lindo chariz que veio de Monchique, e as pirâmidas que ornamentavam antes dos jardins da Quinta da Prelada. E ainda aquela malograda capela e farol quinhentista, mandado edificar pelo comendatário de Santo Tirso, o famoso D. Miguel da Silva, bispo de Viseu.”
(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, de 15-12-72
Foto: Pedro N. Silva
Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DE PASSOS MANUEL””
01ago17
