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Válega (Ovar) – Requalificação do Cais do Puxadouro sabe a pouco

Na linha das obras de requalificação já realizadas em outros Cais que ligam a Ria de Aveiro a zonas ribeirinhas de Ovar, como o Cais da Ribeira ou o Cais do Carregal, o Cais do Puxadouro, em Válega, cuja inauguração pela Polis da Ria de Aveiro teve lugar a 22 de julho, também no âmbito das comemorações do Dia do Município de Ovar.

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Apesar das melhorias criadas para a atividade tradicional da pesca, resultantes da empreitada integrada nos projetos comunitários de apoio ao reordenamento e valorização dos núcleos piscatórios Lagunares da região, continuam a saber a pouco, tal é o flagrante contraste entre a nova imagem das muralhas recuperadas e beneficiadas, e o cenário deprimente de outra parte de muralhas ao longo do canal do Cais, em que a degradação e ruinas se mantem e agrava.

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Quando as expetativas nas obras de requalificação do Cais do Puxadouro poderiam proporcionar ilusões numa reconstrução mais extensa na defesa e consolidação das margens do canal. A desilusão, agravada com o assoreamento do leito do Cais que limita a sua navegabilidade em função das marés, acabou, a exemplo do Cais da Ribeira e do Carregal, por marcar com alguma inquietação, mais uma intervenção da Polis no concelho de Ovar em que, nem mesmo o slogan “ganhar o presente, preservar o Futuro”, do projeto cofinanciado pela EU pode garantir a necessária consolidação deste projeto que deixa uma paisagem dividida entre as ruinas que se mantêm e a recuperação para valorização das atividades piscatórias que ali operam.

Há muito eram reclamadas obras de requalificação neste Cais do Puxadouro que durante séculos, teve uma umbilical relação com a Ria de Aveiro nas vias de circulação de pessoas e mercadorias da Beira Litoral. A exemplo de outros Cais que foram determinantes para o desenvolvimento do tecido económico da região, o Cais do Puxadouro foi, historicamente, uma porta de saída dos produtos da Freguesia de Válega (produtos da agricultura e da pecuária, telha e caulino). Num edifício que ainda ali se mantem de pé na área do Cais, funcionou um armazém de Caulino que serviu a Fábrica da Vista Alegre.

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Elementos do património humano, social, económico e cultural que mereciam que fosse erradicada a imagem que persiste de margens fragilizadas pela concessão do projeto no que toca á sua consolidação duvidosa devido às correntes das marés e das ruinas de antigas muralhas que ali continuam a desmoronarem-se.

Ainda que as obras de valorização deste Cais tenham tido como condição primeira, a criação de condições para manutenção das atividades tradicionais como as ligadas ao setor das pescas.

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A componente desportiva, nomeadamente as de lazer ligadas à náutica, estavam igualmente na base desta empreitada como um anseio que vinha sendo assumido pela modalidade de canoagem que tinha no canal do Puxadouro, uma extraordinária pista de treinos. No entanto, e ainda que as dificuldades e obstáculos do assoreamento na Ria se mantenham, a prática da canoagem voltou a mudar-se para a Marina do Carregal, procurando aí resistir a todas contrariedades do atual estado da laguna e continuar a formar campeões nesta modalidade.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro

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