Brás Cubas é hoje um ilustre desconhecido, não só no País inteiro como, especialmente, nesta cidade do Porto, onde nasceu em 1507. Embora tenha o seu nome atribuído a uma rua, este portuense não tem nenhuma outra referência de destaque, na sua cidade natal.
Nascido numa família com ascendência nobre, era filho de João Pires Cubas e de Isabel Nunes. Como fidalgo da Casa Real acompanhou Martim Afonso de Sousa na armada que chegou ao Brasil, no ano de 1531. Esta viagem, realizada a mando do rei de Portugal, tinha como objectivo principal proceder à divisão da costa brasileira em capitanias, entregando as terras aos respectivos capitães donatários que se encarregariam de promover o povoamento do território que lhes seria doado.
Para além deste aspecto, existiam ainda outras missões que interessava concretizar, como combater os franceses que atacavam o litoral do Brasil, assim como dar início à exploração de metais preciosos no interior do território.
Podemos afirmar que Brás Cubas cumpriu todas estas intenções expressas pela coroa portuguesa.
Em 1536, Brás Cubas recebeu como doação vastas terras de cultivo, na Capitania de São Vicente. Aí, incrementou o povoamento destas terras, atraindo muitos colonos para trabalhar no cultivo da cana-de-açúcar. O êxito desta cultura permitiu-lhe mandar edificar um engenho de açúcar e, com o grande rendimento que foi obtendo, conseguiu abrir um porto de mar, construir uma capela e um hospital, assim como criar, em 1543, a Santa Casa de Misericórdia de Todos-os-Santos (a primeira do Brasil).

Este enorme incremento fez com que esta capitania de S. Vicente se destacasse entre as outras do Sul do Brasil, pois apresentava uma relativa prosperidade, já no século XVI. Assim se gerou uma concentração populacional que contribuiu para o nascimento de uma pequena vila, o núcleo da actual da cidade de Santos, uma das vilas mais importantes da Capitania de São Vicente.
Brás Cubas governou por duas vezes a Capitania de São Vicente (1545-1549 e 1555-1556) e, como capitão-mor nomeado por D. João III, em 1551, assumiu o cargo de Provedor e Contador das rendas e direitos da mesma capitania. O rápido e lucrativo desenvolvimento deste território permitiu que, em pouco tempo, existissem mais de 600 povoadores brancos e funcionassem seis engenhos que transformavam a cana-de-açúcar em melaço e açúcar.

O papel de Brás Cubas salientou-se, ainda, na busca de ouro e prata, no sertão brasileiro, onde realizou várias expedições, sendo o primeiro a encontrar ouro, em território paulista.
Outra das suas acções de destaque foi a protecção da capitania, enfrentando os constantes ataques das tribos ameríndias e dos piratas. Em 1562 combateu os franceses, quando defendeu Piratininga (núcleo inicial da actual cidade de S. Paulo), atacada por tribos indígenas com o apoio dos franceses.
Brás Cubas, homem de confiança do rei de Portugal, salientou-se pela grande importância na colonização do Brasil, por ter sido um lutador e um empreendedor, evidenciando sempre a sua capacidade de iniciativa. Por todos estes motivos é considerado, até aos dias de hoje, com respeito e admiração, na cidade de Santos e em todo o Brasil. Faleceu em Santos, a 10 de Março de 1592.
Obs: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.
Texto: Maximina Girão Ribeiro
Fotos: Pesquisa Google
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