O Leça, o único rio que tem “coragem” de atravessar a cidade da Maia, nasce na aldeia de Redundo em Monte Córdova, Santo Tirso, e durante 44,8 km corre em direção ao mar.
Sérgio Silva e Sousa
(texto e fotos)
Outrora um dos mais belos cursos de água da região, o rio Leça é, atualmente, um dos destinos de resíduos das muitas indústrias que se encontram nas suas margens, muitas vezes sem o devido tratamento. Para esse efeito, existe na zona de Parada, em Águas Santas, uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) que, em vez de contribuir para a limpeza das águas do Leça, pelos vistos, contribui, isso sim, para um ambiente nauseabundo, impedindo a população, sua vizinha, de ter uma vida normal sem os cheiros das lamas que são depositadas para secarem e depois processadas.
No passado dia 31 de julho, após contacto da Comissão de Moradores da Lajem a coordenadora do BE, Catarina Martins, deslocou-se junto da referida ETAR juntamente com outros candidatos do BE à Maia, constatando todos os factos que a população da zona tanto se queixam: maus cheiros intensos e constantes, detritos (denominados monstros) atirados para o rio, muitos deles provenientes do Ecocentro lá existente também, e ouviu da boca dos próprios, o martírio que é viver junto daquela ETAR.
Segundo fonte da Comissão de Moradores da Laje, entre outros ali presentes, a referida ETAR, em vez de contribuir para um ambiente mais agradável e limpo, contribui para o declínio da qualidade de vida, da fauna e da flora que por ali ainda abunda.

Catarina Martins salientou que “as ETAR de primeira geração geração já não têm capacidade para responder aos problemas” e que “há uma incapacidade de fiscalização/inspeção a quem está a poluir e ser célere na resolução dos problemas”.
A líder do BE referiu ainda que “as autarquias têm uma enorme responsabilidade nesta matéria, pois não podem tentar resolver individualmente este problema”, já que, “em questões de ambiente não se conhecem fronteiras, exige-se então uma articulação entre os vários municípios e também da APA”.
Percorrendo as margens deste belo rio verificamos (como as fotos documentam) uma total disparidade de beleza, quer arquitetónicas, com moinhos recuperados ou mesmo em ruinas, quer de flora e fauna, com florestas de espécies autóctones bem como patos, peixes e até mesmo lagostins nadando em águas cristalinas, contrastando com a maior das poluições com águas pretas e, ou, azuis, peixes mortos e todo o tipo de lixo e um cheiro de apetecer fugir.
01set17










