São Pedro do Sul (distrito de Viseu) foi o destino principal da 19.ª excursão organizada pelo “Etc e Tal Jornal”, realizada no passado dia 13 de agosto. Quatro dezenas de excursionistas, o organizador (quem vos escreve) e uma motorista, sim uma mulher a conduzir a viatura da Avintes Tour, facto que causou de início (mas só de início) alguma surpresa entre os convivas, e também a muitas das pessoas que, por acaso, presenciaram a nossa chegada a terras como Albergaria-a-Velha, Oliveira de Frades, Estarreja e ao Furadouro (Ovar).
Habituada a estas “olhares de estupefação” e “comentários de admiração”, a Edite, que “domou” a viatura com mestria e profissionalismo, só se ria com a situação, até porque é das poucas que conduz, em Portugal, autocarros de turismo, ao contrário do que já acontece com o crescente número de mulheres a exercer a profissão em transportes públicos, principalmente, nas grandes cidades.
José Gonçalves e Fernando Neto (*)
(texto) (fotos)
Curiosidade à parte, os excursionistas foram brindados – era de esperar – com um bonito dia de sol e de muito calor (logo pela manhã – 08h30 – uns 24º na Invicta). Temia-se que, ao longo da viagem, fossemos surpreendidos com algum dos muitos fogos que, na altura, devastavam hectares e hectares de floresta na região centro do país, mas, felizmente, ao longo de toda a viagem, nem sinal de incêndios.
Rumámos, então, para São Pedro do Sul, vila do distrito de Viseu, famosa pelas suas termas. Íamos, contudo, percorrer a região do Vouga e Caima, dois rios onde foi visível a seca que grassa em Portugal, bastando, para o efeito, um rápido olhar para os seus reduzidos caudais. Uma preocupante realidade, que está a deixar marcas indeléveis, entre outras, na agricultura nacional.
Depois de muito movimento na A1, e uma área de serviço (Antuã) a arrebentar pelas costuras, chegamos a Albergaria-a-Velha, primeira paragem da comitiva.
Pouca gente no centro desta pequena mas bonita cidade, onde o “Vouginha” (nome popularmente dado aos comboios que circulam na Linha do Vouga) assume papel de destaque, ainda que, tanto a estação, assim como a linha férrea, apresentassem, “estranhos” sinais de abandono, situação sobre a qual já demos destaque em reportagem, recentemente publicada, de autoria do José Lopes.
Mesmo assim, os bem tratados jardins de Albergaria-a-Velha, foram suficientemente acolhedores para as dezenas de companheira(o)s de viagem, por lá, desfrutarem de uma fresquinha.
Quarenta e cinco minutos depois já estávamos prontos para nova etapa, desta feita com epílogo em Oliveira de Frades. Destino: almoço.
Capital do Frango do Campo, a vila surpreendeu todos os convivas, naturalmente aqueles que nunca lá tinham ido, mas também outros que, embora conhecessem Oliveira de Frades, já há muito que a não visitavam.
“Isto cresceu muito!”, desabafou uma excursionista surpreendida com a realidade bem diferente da vivida “há quinze anos”.
É verdade, pelo menos tendo em conta as antigas imagens que vimos através de uma pesquisa na Google, e aquilo que deparamos na realidade. Uma vila muito bonita, com um pequeno mas airoso centro, e muita – muita! – gente a percorrer o espaço, profuso em cafés e restaurantes (todos à pinha), se bem que o nosso (“O Mirante”) ficasse a um quilómetro do centro de Oliveira de Frades.
E, assim sendo, foi “O Mirante”, com uma bela vista sobre a Serra do Caramulo, que a maior parte dos excursionistas se deslocou para almoçar. O menu completo (entradas, bebidas, sobremesas e digestivos e um prato principal: bacalhau à moda da casa, ou bacalhau com broa, ou ainda nacos de vitela com batatas a murro) ficou-se pelos 15 euros.
Tudo muito bem confecionado (boa cozinha), e com um serviço à mesa estranho, isto só pelo simples facto de ser efetuada por uma menor, que – vá lá – deu conta do recado. Seja como for, Denis, um dos responsáveis pelo restaurante, esteve a bom nível, revelando uma boa e ativa colaboração com a organização (Etc e Tal).
Fica a recomendação, caso vá a Oliveira de Frades: Restaurante “O Mirante”. Tem página no Facebook, mas está pouco desenvolvida.
Barriguinha cheia. Lá partiu a “caravana” rumo ao destino principal desta excursão (São Pedro do Sul, mais concretamente às suas termas), deixando para trás a capital do Frango do Campo.
E foi com uma temperatura a rondar os 38º, que fomos recebidos pelo São Pedro mais “sulista” do País. Uma bonita localidade, banhada pelo Rio Vouga.
As termas, a ponte romana, os espaços verdes e os muitos hotéis lá sediados marcam uma imagem muito própria de São Pedro do Sul, se bem que o seu centro seja relativamente pequeno. Algum comércio do “ para mais tarde recordar”, que, pelos vistos não estava muito famoso – “já houve anos melhores. Este está muito aquém do esperado. Olhe, foi tudo para a sua terra (Porto)” – como nos referiu uma comerciante, sabendo da nossa excursão e da origem dos excursionistas.
Havia, então, que rumar para uma paragem rápida em Estarreja. Os convivas estavam satisfeitos com as visitas até agora efetuadas na jornada, e preparavam-se para deixar o quente do interior, pelo mais fresquinho do litoral.
E Estarreja recebeu-nos com um centro quase deserto. O calor, por certo, afastou as pessoas de locais menos arborizados, mas a localidade continua, como sempre, linda.
E, pronto, estava a finalizar este nosso périplo pela região do Vouga-Caima, faltando, agora, chegar a Ovar e, mais concretamente, à praia do Furadouro, onde nos esperava uma agradável surpresa, tal como aconteceu em Oliveira de Frades. Mas até chegarmos à praia, há histórias curiosas para contar…
A bonita Ovar – que por razões profissionais, e não só, quem vos escreve conhece bem – estava, praticamente, recolhida em casa, quando lá chegamos quase ao final da tarde. Mas, nem todos estavam em casa, está claro!
Fomos ao centro da cidade, e no centro encaminhados (a sinalética na urbe vareira é quase de dez em dez metros!) para uma estreita rua, onde dificilmente passava a camioneta que nos transportava. Um teste para a nossa motorista, que se viu, literalmente, à rasca para por cobro a situação.
Dos “céus” apareceu, então, um jovem (pelo sotaque) da terra, que, amavelmente, se prontificou a “encolher” os retrovisores das dezenas de viaturas que se encontravam estacionadas na referida artéria, onde está também localizada uma esquadra da PSP. Com muita perícia e engenho da Edite, lá se conseguiu resolver o problema, muito graças à disponibilidade do jovem, que foi brindado pelos convivas com uma salva de palmas. Ainda há gente boa neste País, e, neste caso (o que não me surpreendeu) em Ovar.
E lá chegamos à Avenida Sá Carneiro, de onde, todos os anos, partem os corsos carnavalescos, uma tradição que a par do pão-de-ló e da azulejaria são marcas de referência de uma sui-generis cidade. Da Sá Carneiro ainda andamos às voltas para encontrarmos a via de acesso à longa estrada para o Furadouro (uma vez mais a sinalética a criar confusão), mas… finalmente, demos com o destino, um destino que surpreendeu tudo e todos, pela positiva: a praia do Furadouro.
Muita gente. Muitos turistas. Tudo muito limpinho. Praia bonita. Esplanadas lotadas. Enfim, um Furadouro que, com certeza, já entrou no “Top” de muitos itinerários turísticos.
A equipa de “reportagem” teve ainda tempo para comer umas sardinhas assadas… e que boas elas estavam. Uma maravilha!
Finalmente, partimos rumo à cidade Invicta, nos quilómetros de despedida á nossa motorista, Edite, que como de início se referiu, fez um excelente trabalho, aliado o mesmo à simpática forma como tratou as pessoas que transportou, incluindo o sempre “chato” guia da excursão.
Para setembro há mais. Dia 10 rumamos para o Alto Minho. Vamos a Caminha, com passagem e paragens em Vila Nova de Cerveira e Ponte de Lima. Até lá…
(*) Com o apoio (informático) de
Mariana Malheiro e de Pedro N. Silva
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