Numa primeira experiencia para conhecer uma das grandes atrações turísticas, como são os Passadiços do Paiva localizados na margem esquerda do Rio Paiva, no concelho de Arouca.
A extraordinária beleza proporcionada pela natureza que nos é dada a desfrutar, bem como a biodiversidade local ou a deslumbrante geologia observada durante o percurso através de alguns dos geossítios integrados no Arouca Geopark, bem como toda esta paisagem natural que inclui a componente arqueológica, numa “viagem” ao passado com mais de mil anos de história, não parece ter sido suficiente nesta época, para nos fazer esquecer cenários dantescos de um país a arder.
As despropositadas manchas de eucaliptal ali lado a lado com os Passadiços, inevitavelmente só podiam trazer à memória os incêndios em áreas supostamente protegidas, mas aparentemente tão vulneráveis.
José Lopes
(texto e fotos)
Iniciado o percurso no sentido Areinho – Espiunca, para enfrentar a parte mais dura na fase inicial, com uma subida de cerca de 400 metros, na perspetiva de beneficiar fisicamente (ainda que numa próxima aventura se exija melhor planeamento e preparação) de um perfil do percurso seguinte no sentido descendente, para melhor usufruir da paisagem ao longo dos cerca de 9 km, em que se começa com o deslumbrante cenário da “Garganta do Paiva” e uma queda de água que nos começa alertar para quanto era fundamental o abastecimento de líquidos para chegar pelo menos à praia fluvial do Vau para o tão desejado refrescar de todo o corpo.
Esta caminhada em família pelos Passadiços do Paiva, tinha todas as condições naturais para nos fazer desligar dos dramas, que durante estes meses de verão, as populações mais isoladas no país continuavam dia e noite a enfrentar a progressão de chamas, que desde Pedrogão Grande vêm deixando vitimas e destruição de equipamentos e bens das pessoas indefesas. Mas, ali mesmo, em plena paisagem inegavelmente deslumbrante, visíveis alterações surgem neste paraíso manchado por um verde do eucalipto que invade o horizonte, ficando registado nas imagens das recordações de um dia que deixou ainda muito por conhecer.
O dia foi de irresistível aventura e resistência para regressar ao ponto de partida (Areinho), mesmo não tendo percorrido o total do percurso dos Passadiços. No entanto, nem mesmo a frescura das margens e das águas do Rio Paiva, nesta praia fluvial do Areinho, apagou da memória os cenários que nos fazem recuar aos fogos que no verão de 2016 chegaram aos Passadiços do Paiva que arderam mais de mil metros. Como noticiou então o Jornal de Noticias (11/08/2016)… “um troço de cerca de 600 metros dos Passadiços do Paiva, em Arouca, ardeu esta quinta-feira de manhã, entre a ponte de Alvarenga e Aguilheiras.” E somando a área ardida o mesmo diário acrescentava: “à tarde, ardeu outra parte, entre Aguilheiras e Vau, numa extensão compreendida em cerca de 700 metros. No total, terão ardido mais de 1200 metros de passadiço.”. O jornal lembrava ainda o incêndio de setembro de 2015 que já tinha obrigado ao seu encerramento para reparação de estragos.
Nas localidades de Alvarenga, Canelas e Vau que se mostraram de maior risco para a aproximação das chamas aos Passadiços, esperar-se-ia ver erradicado a pressão do eucalipto, que contrasta aliás com o equilíbrio da biodiversidade, como uma das potencialidades da paisagem a usufruir.
A preservação e valorização dos Passadiços do Paiva, potencial turístico que o município de Arouca continua a desenhar novos projetos complementares para atrair visitantes de tão díspares origens do Mundo, que se cruzam e entendem sobre a beleza da paisagem natural desta margem esquerda do Rio Paiva. Passará certamente por repensar a atual invasão de uma espécie de árvore que ali parece perfeitamente desajustada e perturbadora.
Assim seja então cumprida a promessa do município de Arouca que, como noticiou o jornal Público (18/04/2017), se propõe criar um “corredor florestal de 12 quilómetros com espécies mais resistentes ao fogo”. Um projeto, “a ser monitorizado ao longo de dez anos, arrancará em Setembro com a plantação de cerca de 80 mil árvores dispostas por uma faixa de terreno com 10 metros de largura a partir da estrada, no percurso entre o centro da vila e os passadiços do Paiva.”. Refere ainda este mesmo jornal segundo declarações à Lusa do presidente da Câmara Municipal de Arouca, José Artur Neves, “vamos usar cinco espécies de árvores autóctones que são mais resilientes e não deixam crescer grande vegetação sob as suas copas – sobreiros, castanheiros, bétulas, cerejeiras e carvalhos – e depois assumiremos a gestão deste corredor ao longo de dez anos, antes de devolvermos essa responsabilidade aos proprietários”.
Assim se espera por tal corredor, que sirva também de exemplo a tantos outros municípios do país que continuam impotentes perante o lavrar dos incêndios, que os eucaliptais facilitam a progressão até às aldeias e patrimónios culturais e ambientais, como o proporcionado pelos Passadiços do Paiva.
01set17







