“A situação que se vem consolidando merece um clamor alerta”. Foi a frase que ecoou mais forte nas comemorações dos 150 anos da Polícia de Segurança Pública (PSP) do Porto, realizadas no passado dia 08 de agosto, no centro da Invicta, e proferidas por Miguel Mendes, nada mais nada menos que o comandante metropolitano daquela instituição policial.
Presente nas cerimónias estava também Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna, que ficou a saber pela boca de Miguel Mendes, que a PSP do Porto “em 1984 tinha 1.322 elementos. O efetivo atual para exatamente as mesmas áreas funcionais de comando e apoio e esquadras é de 1349 elementos. Claramente a situação que se vem consolidando merece este clamor de alerta”. Número que leva o comandante Metropolitano do Porto da PSP a sentir-se com menos “capacidade de voar como o falcão”.
Sérios avisos

Mas, Miguel Mendes não foi parco em palavras, e continuou a relevar situações que estão a levar a PSP do Porto a “aproximar-se perigosamente do chão” e de onde “terá colossais dificuldades para descolar”, dando o exemplo de “há anos termos retraído o dispositivo, fechando 11 subunidades, para termos mais efeito para visibilidade, proatividade e relatividade. Hoje, mantendo o permanente défice de 230 homens, significa que fechamos, definitivamente, mais 10 esquadras. Não posso exigir mais aos meus homens!”
Palavras e mais palavras, factos e mais factos, de um homem que “tenta tudo para cumprir as obrigações e deveres de comandante” e que é “mais um sem horário e com momentos de dificuldades, mas que mau grado a espada de Dâmocles, procura zelar por esta Polícia” que lhe “merece suprema dedicação e sacrifício”.
Estas realidades tem levado muita gente a questionar quanto à segurança existente numa área metropolitana, atualmente invadida por turistas e, ao invés do exigido, com menor capacidade de intervenção, facto que tem vindo também a ser referido pelos sindicatos do setor.
E se ainda houvesse dúvidas quanto ao problema que afeta a polícia do Porto, Luís Farinha, diretor Nacional da PSP, dissipou-as: “Se o Comando Metropolitano da PSP do Porto não receber pelo menos 200 elementos no próximo ano, muitas coisas terão de deixar de ser feitas”.
“Esquadras a cair de podre!”
Estas frases por certo, o leitor já terá tido conhecimento na altura em que as cerimónias dos 150 anos da PSP-Porto foram realizadas e por intermédio de outros órgãos de comunicação social, mas, dado a gravidade da situação levantada por responsáveis da PSP e, como vamos ainda poder ler, da GNR, o “Etc e Tal Jornal” relembra a verdade dos factos acrescentando, entretanto, alguns pormenores a estas realidades.
Ainda sem ser considerada uma profissão de risco, ser-se polícia em Portugal é, pelos vistos, e no entender de um responsável pela PSP por nós contactado, “uma verdadeira aventura”, passando a mesma “além da compra de fardas que não são iguais para todos os polícias – é conforme a loja onde as compram -, debate-se com problemas nas esquadras que ninguém imagina”. Esquadras, refira-se, situadas na cidade do Porto, muitas das quais, segundo este nosso entrevistado que preferiu o anonimato (“não me quero meter em problemas, já basta os que vivo”), estão “ a cair de podre”. Aliás, situação que o nosso jornal já deu conta em reportagem efetuada… há cerca de três anos, e que parece manter-se.
GNR-Porto também em… crise
Mas, se a PSP, neste caso do Porto, luta com grandes dificuldades, a Guarda Nacional Republicana (GNR), também da referida área metropolitana, não lhe fica atrás.
Segundo um trabalho efetuado pelos nossos camaradas do “Diário de Notícias” (“DN”), o Comando territorial do Porto da GNR está a viver “um período crítico, no que concerne à manutenção de viaturas”, isto devido “à falta de orçamento”, como assumiu o próprio comando em comunicação enviada a todas as chefias do distrito.
Ainda de acordo com o “DN”, os militares da GNR foram avisados de que “é absolutamente proibida a autorização de qualquer serviço que origine despesa, sem prévia emissão de nota de encomenda”, pelo que “os militares, que não cumprirem esta ordem, poderão ter de pagar as despesas não autorizadas”.
De acordo com César Nogueira, presidente da Associação Profissional da Guarda (APG/GNR), em entrevista ao “DN”, “o Porto é das maiores unidades do país, com seis destacamentos territoriais, mais meios e mais homens. É lógico que o comando não tem responsabilidades por haver falta de verba. A evolução desde 2001, desde os tempos da troika, é negativa. Cada vez está pior e agrava-se de ano para ano”.
Texto: J.G.
Fontes: DN e ASSPP/PSP-Facebook
Fotos: Pesquisa Google
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