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“CELTA”: AS HISTÓRIAS DE UM COMBOIO DE PROMESSAS QUE DEIXA UMA MÁ IMAGEM DE PORTUGAL NA GALIZA E INSEGURANÇA NOS PASSAGEIROS

O comboio Celta, que liga a cidade do Porto a Vigo (e vice-versa) continua nas bocas do mundo, e pelo pior dos motivos. Se já muitos portugueses se mostravam “envergonhados” com a denominada “charrua” quando estacionada, na estação de Guixar, ao lado dos modernos comboios espanhóis, agora, são – e uma vez mais -, as condições de segurança das automotoras que estão na ordem do dia.

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José Gonçalves      Pedro N. Silva

(texto)                  (fotos *)

Depois da tragédia, por descarrilamento, verificada com um comboio Celta (automotora portuguesa), há pouco mais de um ano (09set16), na localidade galega de Porriño, acidente no qual morreram quatro pessoas e ficaram feridas cerca de meia centena de passageiros, veio, recentemente, o diário “Faro de Vigo” (FV) reavivar a polémica relativa à segurança das composições portuguesas, salientando, entre outros factos, a conclusão preliminar do inquérito ao referido acidente, o qual culpa o maquinista português, José Arnaldo Moreira, de conduzir o comboio com excesso de velocidade (118 Km/hora, quando o máximo permitido na linha é de 30 Km/h). A verdade, porém, é que José Moreira morreu no referido acidente, juntamente com o maquinista adjunto (espanhol) e dois passageiros estadunidenses.

Acidente de Porriño permanece na memória galega

Foto:pG
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Foto: DN
Foto: DN

Mas, a real questão levantada pelo diário viguês, refere-se à permanente – por ainda atual – falta de segurança das lusas locomotivas, as quais, segundo o jornal, carecem de ASFA digital, ou seja, de freio automático. De acordo com responsáveis galegos, se o comboio que descarrilou, no sentido Vigo-Porto, a nove de setembro do ano passado (2016) tivesse esse sistema de segurança instalado, a tragédia poderia ter sido ser evitada.

A verdade é que o acidente não foi evitado e, como a maior parte dos comboios continuam sem o referido ASFA digital, principalmente os “mais velhos” – que vão circulando devido ao facto de “faltarem novas unidades” por, normalmente, se encontrarem em reparação -, as autoridades do país vizinho temem o pior, que é como quem diz, um novo acidente.

Estação de Guixar 8Vigo)
Estação de Guixar (Vigo)

O “Etc e Tal Jornal” viajou este ano, por quatro vezes, e em reportagem, nesse comboio (duas – ida e volta- no dia 12 de março de 2017, a Vigo, e outras duas, mais recente – 04set17 -, a Viana do Castelo – ver reportagem “especial” nesta edição) verificando que nem tudo “bate certo” no Celta.

WC avariado…

Se para Vigo e de Vigo para o Porto (250 quilómetros), nada tivemos a registar relativamente à segurança do transporte (a não ser a ensurdecedora barulheira do motor), já nesta última viagem – a Viana do Castelo – as coisas, principalmente no regresso ao Porto, não foram, assim, tão “simpáticas”quanto o deveriam ser.

Registaram-se algumas travagens menos suaves e, pior, para uma turista (não era nem portuguesa, nem espanhola) que rumava ao Porto, o facto de o WC se encontrar… “avariado” e não saber nem onde, nem como, dar respostas às suas necessidades fisiológicas.

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É de sublinhar, que a viagem entre Vigo e a Invicta é de, aproximadamente, duas horas, e só se efetuam três paragens intermédias: Valença, Viana do Castelo e Nine. Mesmo assim, o tempo de paragem nada dá para fazer nos WC das estações, e isto mesmo sem sabermos se eles estavam a funcionar na altura em que a referida turista se sentiu “apertada”.

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Ora, estes exemplos, e não só o embaraço de o WC do comboio estar avariado, mas também do fosso existente entre as portas das composições e os cais de embarque e desembarque (como se pode ver nas fotos), deixam uma imagem vergonhosa do nosso país em termos de comodidade e segurança dos seus comboios internacionais, isto quando – todos sabemo-lo – circulam, por algumas linhas, confortáveis e seguros suburbanos e alfas pendulares.

Novo Alfa Pendular
Novo Alfa Pendular
Foto: CP
Foto: CP
Foto: CP
Foto: CP
Comboio suburbanos portuguesas
Comboio suburbanos portuguesas

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O que é que falta, então, neste importante percurso – acima de tudo, turístico – entre Porto-Vigo-Vigo-Porto? A eletrificação da Linha do Minho e, assim, a circulação de modernas composições? Parece que sim. Mas, só “parece”…

Postes esperam catenárias

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Ficamos a saber, entretanto – vimos, e as fotos provam-no – que já estão a ser montados os postes para receberem as catenárias na Linha do Minho, entre Nine e Viana do Castelo, e que há obras em diversos pontos do percurso, designadamente, em algumas pontes. Mas, de concreto, o que se passa com esta ligação internacional, que tem vindo a registar, dizem-no fontes oficiais, um crescimento do número de passageiros?

Ordem para aguentar!

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A 20 de maio de 2014, o jornal “Público” noticiava o seguinte: “Os governos de Portugal e Espanha estão empenhados em manter o comboio Celta a ligar Porto e Vigo, mas este passará a usar material mais moderno, mais rápido e confortável e efetuará paragens comerciais em Viana do Castelo, Barcelos e Nine (onde dará ligação a Braga). Estas medidas, que estão a ser discutidas ao mais alto nível, deverão ser anunciadas na próxima cimeira ibérica, que se realizará num hotel de Vidago (Chaves) a 4 de Junho.”

Recordo-lhe que estamos em outubro de 2017.

Ainda na notícia, refere-se que a “insistência no Celta é justificada como uma primeira fase de um projeto de mobilidade ferroviária que só terá realmente sucesso quando a linha do Minho for modernizada e nela puderem circular comboios elétricos.

Nessa altura, e depois de eliminadas, também, as atuais restrições ao nível dos cruzamentos, o futuro Celta poderá ser uma alternativa rápida, cómoda e barata para unir a Galiza e o Minho. Para já, a ordem é para aguentar um serviço que vai somando prejuízos, os quais poderão ser atenuados com a introdução de mais paragens comerciais.”

Interior do comboio Celta
Interior do comboio Celta

E os passageiros do Celta estão a aguentar isto há mais de três anos, mas ainda na altura (20maio14) escrevia-se que “no curto prazo, as automotoras 592 deverão ser substituídas por modernas composições da série 594 ou 598, que já são verdadeiros comboios do século XXI devido, sobretudo, ao seu grau de conforto. Atualmente o Celta é efetuado por automotoras que datam dos anos 80 e que já nem sequer estão em serviço em Espanha. Trata-se de material que a Renfe alugou à CP e que opera também na linha do Douro, não tendo a composição do Celta nada de relevante que diferencie um serviço internacional de um vulgar comboio regional”, in “Público”.

Resumindo, os problemas que se apontavam ao Serviço Celta há três anos, são idênticos aos de hoje, com a agravante de ter passado o tempo que passou e, por conseguinte, se terem agravado as condições em que se encontram as velhas carruagens.

Antigo mapa da Linha Celta (pG)
Antigo mapa da Linha Celta (pG)

Recuando ainda mais no tempo, leia-se esta notícia datada de 03 de julho de 2013: “Já é possível, desde o início de julho de 2013, viajar de comboio entre Porto e Vigo em cerca de 2 horas, sem as anteriores 14 paragens e por pouco mais de 14€. O comboio batizado de “Celta” tem partidas diárias de Porto-Campanha às 08h15 e 19h15 e de Vigo às 09h02 e 19h54 (horas locais). Uma das grandes vantagens do comboio “Celta” é a possibilidade de agora podermos viajar com bilhete único, que se mantém nos 14,75 euros.

Este comboio passa a ser também o primeiro operado em conjunto entre a CP e a Renfe, percorrendo os 175 quilómetros em duas horas e 15 minutos, com as mesmas composições e maquinistas.

O projeto, anunciado em Maio, durante a XXVI Cimeira Luso-Espanhola, vai permitir, depois de concluída a modernização da linha, em 2016,  reduzir a mesma viagem a 90 minutos. Umas das críticas que têm sido feitas prendem-se com o facto de o comboio não ter paragem em Viana do Castelo”, in “Dicas Portugal”.

Comboio Celta  - primeira paragem em Viana do Castelo... (pG)
Comboio Celta – primeira paragem em Viana do Castelo… (pG)

Uma Linha subalternizada

Foto: pG
Foto: pG

Promessas… mais promessas, e nada de novo, a não ser o referido acidente em Porriño e a notória preocupação das autoridades espanholas – pelos vistos, só dessas – em por cobro à atual situação de insegurança. Por falar em promessas, podem ler mais estas: O título de “O Jornal Económico”, de 22 de setembro de 2017, é apelativo: “Ferrovia vai aplicar no terreno 1.500 milhões no próximo ano”.

Fica a saber-se na notícia, que os investimentos aprovados no âmbito do Programa Ferrovia 2020, numa extensão total de cerca 1.200 quilómetros a ser intervencionados, incluem o Corredor Internacional Norte (linhas de Leixões, corredor Aveiro-Vilar Formoso e Linha da Beira Baixa), depois o Corredor Internacional Sul, e, por fim o Corredor Norte-Sul (Linha do Minho e do Norte). Atenção que o corredor onde está inserida a Linha do Minho, e onde circula o Celta, em Portugal, não é considerado Internacional!

Ponte Ferroviária Internacional de Valença-Tui (foto pG)
Ponte Ferroviária Internacional de Valença-Tui (foto pG)

Mas, este facto não é de estranhar, isto se tivermos em conta as declarações do primeiro-ministro, António Costa, em reunião de correspondentes da imprensa internacional em Lisboa, efetuada a 31 de agosto do ano passado (poucos dias antes do acidente de Porriño) que, e no caso do projeto de alta-velocidade entre Vigo e Porto (falava-se na altura nesse tipo de transporte), estava fora da “agenda política do executivo, pelo menos até 2018”, referindo que essa Linha (do Minho) só iria ser eletrificada (ainda está a começar a ser… em outubro de 2017) entre Nine e Viana do Castelo, pedindo, na altura, Costa, para os galegos fazerem o mesmo nos oito quilómetros da sua linha que também continua zangada com a eletricidade. Só então (?), e sem altas-velocidades, poderão circular composições com outra segurança e confortabilidade.

Respostas previsíveis

Foto: pG
Foto: pG

Tendo em conta este cenário, foi, assim, desnecessário ao “Etc e Tal Jornal gastar energias e dinheiro em emails ou telefonemas, para perguntar à Infraestruturas de Portugal ou à Refer, ou à Renfe – fosse a quem fosse – que novidades, a curto ou a médio prazo, têm para a Linha do Minho e, em concreto, para o Serviço (Internacional) “Celta”.

Pelo andar da carruagem, vai tudo ficar na mesma, e isto pelo menos, durante mais uma década, caso, claro está, o “comboio político” não descarrilar em qualquer “apeadeiro”, ou seja, naqueles “apeadeiros” que surgem do nada, mas que são construídos à pressa, com segundas intenções e proveitos.

Foto: pG
Foto: pG

E termina-se, relembrando o(a) leitor(a) que, desde 2012, está prevista para a Linha do Minho, a sua eletrificação; um melhor material circulante e uma renovação do percurso para comboios de mercadorias. Até agora… nada!

Por aqui ficamos e… boa viagem!

(*)Com Pesquisa Google (pG)

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2 Comments

  1. Alejandro Sambade Caamaño

    Eu fun Viana do Castelo núm comboio da série 592. E o que me aconteceu foi que entramos num túnel, e coma as janelas são muito velhas, abrironse e começou a entrar no comboio tudo o ar. Os espanhois não achamos que os comboios do minho sejam una vergonha. Olhe lá, precisam de intervençoes, mais até ten a sua graça viajar núm comboio dos 80. E não achen que aqui na galiza a situação é muito melhor , pode que os comboios sejam mais novos, mais o que acontece na linha do minho é que há muitas estaçoes e assim as populaçoes locais tenhem um bom serviço, pero na Espanha pechan estaçoes de lugares onde se emprega o comboio, assim que finalmente em 30 km entre Pontevedra e Vigo só há catro estaçoes. Alejandro, 12 anos

  2. antero sampaio

    Passo férias em Vila Praia de Ancora e desloco-me normalmente no ALFA ou no INTERCIDADES, para o Porto e depois naqueles combóios emprestados por Espanha e que já estavam para ir para a sucata, vou para aquela vila alto minhota. Se a viagem para o Porto dá para dormir, do porto para vpa é uma dor de cabeça, dado o barulho do combóio. e continua. em 2017 o então ministro das infraestruturas dizia em vpa que a electrificação da linha do minho, seria feita naquele ano. acontece que no ano passado, quando um combóio fazia a viagem porto valença, na povoação de AFIFE, parou porque, imaginem…tinha o motor caido no chão. a.sampaio jornalista

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