A Feira do Livro de 2017, organizada pelo terceiro ano consecutivo, pela Câmara Municipal do Porto, tendo como palco a Avenida das Tílias, ao Palácio de Cristal, encerrou no passado dia 17 de setembro, depois de dezassete dias de um vasto leque de atividades culturais, abrangendo diversas artes criativas.
José Gonçalves Pedro N. Silva
(texto) (fotos)
Com 130 pavilhões, ocupados por onze entidades institucionais, 60 editoras, 13 livrarias, quatro distribuidores e 20 alfarrabistas, esta edição da Feira teve, como ponto alto, um festival literário, com seis lições comissariada por Anabela Mota Ribeiro, dedicadas a diferentes autores e obras, e ainda duas exposições na Galeria Municipal, integradas na temática de Sophia de Mello Breyner Andresen e da sua obra.
De salientar também a presença de convidados internacionais em debates comissariados por José Eduardo Agualusa; o ciclo de cinema internacional e de arquivo, e ainda um workshop de escrita criativa, com Gonçalo M. Tavares.
A Feira do Livro deste ano, tal como a do ano passado, foi inaugurada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, primeiro, com uma visita privada à Galeria Municipal do Porto, para observar as obras relativas às exposições “Quatro Elementos” e “O Anjo de Timor e Outras Histórias”, então, expostas, para depois de um atento olhar pelas obras à venda, conviver – muito ao seu jeito – com as centenas de pessoas que se encontravam no local.
Reparos e “saudosismos”
Se, por um lado, e no que ao programa diz respeito, a “Feira” teve atrativos de sobra para ser um sucesso, a verdade, porém, é que, e de acordo com algumas reações por parte de quem vendia livros, “este ano a coisa não foi famosa” em termos de afluência de público.
“Só ao fim-de-semana, e às sextas à noite, é que a coisa se compõe, de resto, pouca gente tem vindo cá”. Desabafo de um livreiro, que defende o regresso da Feira do Livro à Avenida dos Aliados, já que, em seu entender, “é mais central; tem melhores acessibilidades – autocarros, Metro, e comboios, além de mais parques de estacionamento para viaturas particulares, que este local. Os jardins do Palácio de Cristal são bonitos, mas para serem contemplados como jardins e sua paisagem envolvente. Não é para ter aqui uma Feira do Livro”, frisou.
Reparos do género foram também feitos por diversos leitores do “Etc e Tal Jornal”, na sua página do Facebook, defendendo, a maioria – além de outras pertinentes questões – o regresso da Feira do Livro ao centro da cidade, utilizando um espaço destinado a grandes manifestações culturais, como é o da Avenida dos Aliados.
E, verdade se diga – se calhar por azar -, que todas as vezes (cinco) que o nosso jornal por lá passou (uma das quais à noite, como reportam as imagens), eram poucas as pessoas que visitavam os pavilhões, com “acessos muito complicados não só para quem tem falta de mobilidade, mas para qualquer pessoa”, referiu um outro livreiro.
De relembrar que a Feira do Livro de 2017 teve um orçamento na ordem dos 100 mil euros, “números comportáveis tendo em conta uma Feira desta dimensão”, como fez questão de salientar, ainda antes da inauguração do certame, o presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP), Rui Moreira, na altura ladeado por Guilherme Blanc (adjunto para a Cultura da CMP) e de Nuno Lemos (diretor executivo do Porto Lazer).
De acordo com números oficiais, divulgados pelo “Porto.”, esta edição da Feira do Livro bateu o recorde de visitantes (285 mil) durante o dezassete dias em que esteve aberta ao público.
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