Os Contos d’ Avó, o festival de narração oral, realizado pelo Teatro da Didascália que, ontem terminou, invadiu espaços privados e públicos para levar a arte da palavra e da escuta a todos os que desejaram viajar por umas horas no maravilhoso mundo da memória coletiva. Este ano, o festival realizou-se, exclusivamente em Joane, visitando espaços icónicos da vila.
A abertura do festival realizou, na passada quinta-feira (28set17) no Largo 3 de Julho (centro de Joane), onde o público se concentrou, sendo então convidado a percorrer a pé os cerca de 50m que separam o Largo da Casa da Igreja, onde ocorreu a primeira sessão do evento. O percurso será acompanhado pelos percussionistas da Cooperativa de Artes, Intervenção Social e Animação CRL (CAISA), numa arruada festiva.
A Casa da Igreja, edifício centenário com origem no século XIV, tem um espírito muito próprio, que todos adoraram conhecer, pelo que o público foi conduzido num breve percurso por esta casa histórica, ao som de textos ocultistas de Fernando Pessoa, pela voz de Mauro Amaral, já que esta casa tem fortes ligações à Ordem de Cristo, de quem foi pertença. O percurso finalizou no antiquíssimo salão da casa, onde os narradores desta edição (Jorge Serafim, Luzia do Rosário e Cláudia Fonseca) os esperaram para uma sessão de contos mágica.
O festival continuou sexta e sábado (30set17), nomeadamente na Capela dos Santos Passos e na Quinta da Bemposta. Na Capela podemos assistir à versão de câmara do espetáculo Prelúdio: a mulher selvagem, um espetáculo inspirado nos Contos d’ Avó e seu repertório, especialmente no que diz respeito à essência feminina. À performance seguiu-se, naturalmente, uma sessão de contos, que seguiu o mote Mulher, com os narradores Cláudia Fonseca e Jorge Serafim.
Finalmente, ontem, dia 30, o festival encerrou com uma ode à celebração (porque é de celebração que os Contos d’ Avó são feitos!), na Quinta da Bemposta, com contos na natureza, com Jorge Serafim e Luzia do Rosário, e um arraial a cargo da Rusga de Joane. O início da tarde ficou a cargo de Alberto Fernandes (CAISA) e Ricardo Carneiro (Rusga), que orientaram workshops de percussão e danças tradicionais, respetivamente, para que os espíritos e os corpos se preparassem para o bailarico final.
Texto: Teatro da Didascália / EeTj
01out17