Um dos maiores eventos internacionais sobre a água decorreu na “Invicta”, mais concretamente no edifício da Alfândega, sob o lema “A Inovação no Sector da Água: Colmatar as Lacunas, Criar Oportunidades”. Para tanto, a Porto Water Innovation Week reuniu 1200 participantes das mais diversas áreas do conhecimento, entre cientistas e especialistas de todas as áreas empresariais, provenientes de 60 países dos cinco continentes. A conferência incluiu ainda uma exposição onde 118 empresas mostraram a sua oferta para a fileira da água.
Neste contexto, ganharam especial relevo as questões das soluções inovadoras que respondam não só aos desafios colocados pela Europa, mas também reclamadas por todo o Mundo. Do ponto de vista empresarial, foram abordados os assuntos relativos às oportunidades que o mercado oferece para a inovação em geral, dentro e fora da Europa, o que também implica a quebra de barreiras que permitam a aplicação das soluções encontradas.
Este grande desafio foi uma organização conjunta da Câmara do Porto, através da empresa municipal Águas do Porto, da Águas de Portugal, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e da Parceria Portuguesa para a Água, tendo sido confiada pela Parceria Europeia de Inovação para a Água (European Innovation Partnership on Water), ou EIP-Water.
Inovação e quatro eventos
A iniciativa foi composta por quatro grandes eventos: a “EIP Water Conference” e a“Mayors&Water Conference”, ambas com a chancela da Comissão Europeia, o“Water Innovation Lab Europe”, idealizado pela empresa canadiana Waterlution, e a “Water & People”.
A “EIP Water Conference 2017”, promovida pela Parceria Europeia de Inovação para a Água (EIPWater), realizou-se nos dias 27 e 28 de setembro, tendo sido esta a quarta edição da conferência internacional. Aqui foram debatidas as principais questões suscitadas pela revolução em curso no setor, sempre com o duplo objetivo de derrubar as barreiras à inovação e de criar oportunidades de negócio.
Por sua vez, a conferência “Mayors & Water Conference 2017”, que se realizou no dia 29, focou-se na Agenda Urbana para a Água 2030 (AUA2030) e na demonstração de casos de estudo sobre soluções sustentáveis e inovadoras para a gestão da água nas cidades. Foi também a oportunidade para que as cidades, através dos seus decisores políticos, assinem a Declaração do Porto para a AUA2030, em que se comprometem a apoiar o processo de cooperação entre as cidades e a Comissão Europeia no desenvolvimento da referida agenda. Naturalmente que o Porto, através da Câmara e da Águas do Porto, teve ocasião de demonstrar as boas práticas implementadas na cidade por ação desta empresa municipal.
Para os mais jovens, entre os 18 e os 35 anos, foi destinado o “Water Innovation Lab Europe Porto 2017”, que ocupou toda a semana de 24 a 29. Esta iniciativa destinou-se a reproduzir um ambiente “laboratorial” propício que convidasse à colaboração entre jovens líderes, mentores e facilitadores de ideias, pelo que constituirá de certeza uma experiência única e inesquecível de aprendizagem intergeracional e intersetorial para todas as dezenas de participantes.
A conferência teve, por fim, um evento de encerramento, que se realizou nos dias 29 e 30 de setembro, integrado no âmbito do “Water & People”. Tratou-se do Aquaporto 2017, o grande Festival da Água que esteve de volta ao Parque da Cidade e que visa envolver o público e a cidade. O Aquaporto é um evento dedicado aos recursos hídricos. Tem uma forte componente científica que une o saber à animação. Foram muitas as entidades presentes neste grande Festival da Água, desde instituições e entidades da cidade, centros de I&D e instituições de ensino superior. Houve uma programação variada que apostou muito no cariz prático das atividades, tornando-as apelativas e diversificadas.
Neste sentido, o espaço envolvente ao Pavilhão da Água irá tornou-se num festival multicor onde o conhecimento e a animação se entrelaçam, revelando-se uma ótima opção para os típicos programas familiares e turísticos.
Cinco objectivos-chave
A importância mundial do evento também foi medida pelo painel de conferencistas, não sendo propriamente possível destacar nomes, senão salientar que a presença de personalidades portuguesas foi muito relevante. Mesmo assim, deverá destacar-se a presença do ministro do Ambiente, Pedro Matos Fernandes, e, obviamente, do anfitrião Rui Moreira, presidente do Município. Mas, dada a importância que assume a posição, saliente-se a presença do Comissário Europeu para o Ambiente, os Assuntos Marítimos e as Pescas, Karmenu Vella, que apresentou o trabalho realizado na UE, em matéria de ambiente e inovação.
Em resumo, a conferência do Porto teve os seguintes objectivos-chave: melhorar o acesso ao financiamento e aos mercados para a inovação; facilitar a aquisição das inovações por parte dos utilizadores finais; desenvolver regulamentação favorável à inovação; partilhar as boas práticas e facilitar o acesso aos resultados através de plataformas abertas; construir amplas parcerias europeias com as diferentes partes interessadas e os colaboradores.
Entre os inscritos, houve representantes de países que, de algum modo, surpreenderam por causa da proveniência. Foram os casos do Butão, Irão, Iraque, Mali, Nepal ou Togo. Esta diversidade significa que tanto o presente como o futuro do elemento água constitui preocupação transversal do nosso Mundo, pelo que é determinante debater o tema do ponto de vista das diferentes áreas do conhecimento, sendo todas elas relevantes.
Palco às “startups” inovadoras
A conferência atraiu uma grande diversidade de peritos que apresentarão comunicações e participarão nos debates e concursos. Assim, de salientar o aparecimento de contributos para a solução das lacunas existentes no amplo setor da água e, com isso, a criação de oportunidades e parcerias fortes. Por isso, a conferência contou com a participação de líderes políticos a nível europeu, nacional e local. Mas ainda de entidades reguladoras, de decisores e técnicos de serviços públicos, das indústrias e da agricultura. Sentiram-se ainda atraídos muitos investigadores universitários e de centros de I&D, criadores em geral, startups e PME. Por tudo isto, a presença de investidores também será assinalável.
De entre as iniciativas mais aguardadas por parte das empresas, esteve a dirigida às “startups”. Para estas, foi criada uma competição, tendo o júri selecionado 16 finalistas entre 28 candidaturas internacionais. No palco, cada uma delas defendeu as suas competências com vista a alcançarem prémios. Cada uma das empresas dispôs de apenas três minutos para convencer o júri, que foi composto pelas seguintes entidades: Porto, UPTEC, Isle Utilities, Global Impact Partners e Launch Factory 88.
Exposição da fileira da água
Paralelamente à conferência, houve, nas furnas da Alfândega do Porto, uma importante exposição por parte de 118 de empresas. Aqui, foi possível conhecer as inovações e contactar com empresários de todos os segmentos de atividade da fileira da água. Neste contexto, foi realizado um evento designado “Splash Innovation Stage”, um palco destinado à apresentação das inovações que, sobretudo as startups, reservaram para o momento.
Texto: Amadeu Silva (APS) / EeTj
Fotos: Pesquisa Google
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