15 de outubro de 2017. Data marcante na história de Portugal. Era batido, num só dia, o recorde de incêndios (550) do ano, com um total de 45 vítimas mortais. Entre nós (“Etc e Tal Jornal”) vivíamos um dia alegre, estávamos de viagem por Trás-os-Montes e pelo Douro Vinhateiro. Em mais uma excursão (a 21.ª), meia centena de pessoas partia à descoberta da aldeia de Pegarinhos, da bonita Vila Flor, e ainda de Carrazeda de Ansiães e Alijó, isto com Amarante (como sempre, quando nos deslocamos para além do Marão) a servir de ponto de paragem semirrápida, mas obrigatória.
Na verdade, só viemos a saber da tragédia que assolava Portugal, quando chegamos ao Porto (21h00). Antes, não tivemos qualquer tipo de informação acerca de fogos, nem os vimos, a não ser (de reduzidas proporções), já no regresso, em Amarante, mais precisamente, numa encosta poucos quilómetros depois do túnel do Marão, e mesmo junto à A4.
Pelas terras as que percorremos, nem sinal de incêndios…
Contudo, sentiu-se, principalmente a partir de Vila Flor, um ar irrespirável e algumas nuvens. Caíram, sem exagero, cerca de umas 10 pingas de “chuva”. Mais tarde, soube-se, então, que, as nuvens, afinal, não eram nuvens; eram, isso sim, o acumular de fumo dos fogos que devastavam o Centro e parte do Norte do país. Uma tragédia!
Bem.
Logo de manhãzinha (08h00), lá fomos em mais uma jornada de convívio, que acabaria por proporcionar muitas e agradáveis surpresas, tendo como ponto central da jornada, a transmontana Vila Flor…

José Gonçalves Cátia Cruz e Fernando Neto (FN)
(texto) (fotos)
Temperatura agradável. Um Sol simpático ainda que na companhia de algumas mas tímidas nuvens. Estava criado o cenário para uma viagem que iria arregalar os olhos a muitos dos nossos e das nossas companheiros e companheiras de viagem.
Depois do habitual cafezinho em Amarante, percorremos o Túnel do Marão – estreia para muitos dos excursionistas -, admirando uma obra de engenharia que deixa orgulhoso qualquer português. Íamos a caminho da pequena, bonita e pouco conhecida aldeia de Pegarinhos, no concelho de Alijó.
Uma aldeia sui generis
Pegarinhos estava em festa. Ao terceiro domingo de cada mês (como era o caso) é realizada a feira local junto ao Santuário da Nossa Senhora dos Aflitos. Sabendo da nossa presença, seríamos recebidos pelo presidente da Junta de Freguesia local, José Santos. Uma festa dentro da Festa!

Com a nossa pacífica invasão, acabamos por ajudar a economia da terra (a malta comprou uns queijinhos, umas batatas … castanhas, sapatos feitos de cortiça., e por aí fora); terra essa considerada “capital da amêndoa”, e que abriu, de propósito, o “café” local por causa da nossa presença, tendo sido mesmo improvisada, para o efeito, uma nova Comissão de Festas, proprietária do estabelecimento, que, com a nossa “colaboração” (mas não só), ainda serviu uma boa dezena de cafés e aperitivos.
Entretanto, parte dos nossos excursionistas – pelo menos o(a)s que conseguiram – subiam as cerca de sessenta escadas do Santuário até à capelinha da Nossa Senhora dos Aflitos, contemplando do local, uma paisagem única sobre a “cordilheira” montanhosa de parte do concelho de Alijo.

Fique, desde já, a saber que a aldeia de Pegarinhos (que aconselhamos a sua visita) é conhecida – como se disse – pela excelência da sua amêndoa, mas também pela azeitona e respeito azeite, isto já para não falarmos no famoso “madurão”, vinho pronto a encantar os apreciadores. Por lá vivem perto de seis centenas de almas, tendo, parte delas, nos recebido com muito carinho e… admiração (não é habitual, sem ser na altura da grande festa da terra, aparecer por lá uma excursão). Foi emocionante!
De Pegarinhos, e porque já se fazia tarde para o almoço, partimos, então, rumo ao destino principal deste passeio: Vila Flor. Ao volante da viatura da AvintesTour, como já vem sendo habitual, a nossa amiga Edite.
“D. Dinis” e a bela Flor
Linda esta Vila Flor que nos recebeu. E boa a gastronomia local que saboreamos no restaurante D. Dinis (ali bem perto do edifício da Câmara Municipal), do simpático José Peres, que desde já recomendamos a quem visitar esta nobre terra. A posta à Vila Flor estava uma maravilha, assim como o bacalhau com cebolada e até mesmo a picanha. Divinal estava o leite-creme torrado, tudo isto num restaurante acolhedor, com um serviço eficiente e uma cozinha de excelência. Que o digam os 40 excursionistas que lá foram. O restaurante “D. Dinis” soube dignificar a terra onde está sediado. As imagens, de resto, falam por si…



Ainda houve tempo para passearmos por Vila Flor. Visitamos a Igreja Matriz, as bonitas e limpas ruas e pracetas da localidade, ficamos, no fundo, encantados com a beleza de uma vila que se ergue a poucos quilómetros a sul de Mirandela, que faz parte do distrito de Bragança, com os seus cerca de sete mil habitantes, e que é considerada a capital do azeite.
De Carrazeda para Alijó pelo Douro Vinhateiro
Da capital do azeite e de uma vila milenar, partimos rumo a Carrazeda de Ansiães. Nada de incêndios. Estradas bem tratadas, até que chegamos a um território que possui uma das mais antigas demarcações com referências escritas na história de Portugal. Este território foi demarcado por volta do século XI, estando, por assim dizer, encaixado nos vales dos rios Douro e Tua, e a norte e nordeste por um extenso planalto onde emerge uma paisagem paradisíaca.
Com os castanheiros e as macieiras em plano de destaque nesta terra com cerca de oito mil habitantes, Carrazeda “abraçou-nos” com um calor intenso, tão intenso quanto o vento que se fez sentir durante a nossa curta estada.
Depois de uma interessante visita, abalamos, então, para Alijó, passando pelo belíssimo Douro Vinhateiro, sendo de destacar as escarpas, a foz do Tua e a nova barragem, e as imagens que guardamos na nossa memória de um rio Douro com um caudal a registar a seca que se faz sentir no país, mas sempre (sempre!) belo…



Alijó
Sim, estávamos no Douro Vinhateiro, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Onde nasce o precioso néctar, tratado, por estas terras, por “vinho fino”, para depois de tratado e envelhecido nas caves em Vila Nova de Gaia, dar pelo nome de Vinho do Porto.
Mas se as ordenadas vinhas nos faziam companhia, também não faltavam as oliveiras, em terras férteis que também produzem boa batata, assim como árvores de fruto, com destaque para a excelência das laranjas e figos da região.
“Escalamos”, então, a serra rumo a Alijó, que se encontra a 620 metros de altitude, e conta com cerca de 14 mil habitantes. A casa dos Távora, o plátano centenário o fontenário e a Igreja Matriz são locais de visita obrigatória.


E, pronto. Depois de uma paragem em Amarante, para lanche-jantar, partimos rumo ao Porto, altura em que soubemos que o País estava a arder.

Antes, porém, foi o finalizar de um dia de salutar convívio entre nós… o que acontece pela 21.ª vez. Dia 19 de novembro, na última excursão do ano, iremos a Santo Tirso (uma curta viagem), parando em Vizela, Trofa e Famalicão.
01nov17







































