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Esquecidos e abandonados

Miguel Correia

Hoje não quero ter piada! Foram decretados três dias de luto nacional em homenagem às vítimas dos fogos florestais. Mortes cruéis e de um sofrimento atroz que tinham de ser evitadas! Não foram vítimas de guerra, explosões instantâneas ou qualquer outro fenómeno imprevisível. Morreram porque o fogo chegou às suas casas. Morreram porque o fogo as apanhou indefesas enquanto fugiam dele. A única intenção: sobreviver!

Hoje não quero ter piada! Porque afinal, que merda de país é este em que altos responsáveis da Proteção Civil – cuja obrigação é proteger os cidadãos – recebem diplomas de equivalência para justificar cargos com excelentes condições salariais enquanto se vão safando dos problemas escondendo a sua inexperiência e chocante falta de conhecimentos!

Hoje não quero ter piada! Porque tal como aconteceu em Pedrogão Grande, já não há abraços fraternos que consigam consolar a perda de uma centena de vidas humanas. O Presidente da República já não aparece nos ecrãs da televisão a reconfortar as pessoas. Aliás, a única cara que se repete é a da Ministra da Administração Interna. Derrotada e sem qualquer capacidade de responder ao estado de guerra em que o nosso país se encontra. Não tenham dúvidas: o fogo é o nosso Daesh!

Hoje não quero ter piada! Estou desgostoso com a incompetência revelada pelas diversas entidades. Nada foi feito após a tragédia de Pedrogão. Em quatro meses foram realizadas reuniões, encontros, chás de tupperware e outras coisas que se possam lembrar. Analisaram, verificaram e voltaram a analisar. Mais nada! O “brincar aos ministros” deu nisto. A tragédia repetiu-se! Mais vítimas e mais área ardida para juntar às estatísticas. Nem foi preciso ter uma Grande Muralha para que Portugal fosse visto pelos satélites da NASA. Somos considerados a lareira da Europa. O meu coração é da cor da área ardida…

opiniao-incendios7

Hoje não quero ter piada! Sinto-me envergonhado com tanta negligência, compadrios e inércia que todos os dias faz manchete nos jornais e telejornais. Morreram pessoas. Destruíram-se famílias e negócios. E mesmo assim, ainda há quem encontre descanso em pensar que foi apenas na parvónia (lá longe) onde há muitos pinheiros e eucaliptos que alguém resolveu plantar. Desenganem-se. Se uma catástrofe, deste tipo, tivesse lugar numa cidade densamente povoada a resposta das autoridades seria exatamente a mesma: inexistente!

Hoje não quero ter piada! Vou (mais uma vez) prestar a minha sincera homenagem aos bombeiros. São os heróis neste filme de terror de baixo orçamento. Mesmo com dificuldades físicas, falta de equipamento de proteção e sem remuneração adequada, recorrem ao Patriotismo para tentar defender um país que, por vezes, caio na tentação de pensar que não merece ser salvo. Obrigado bombeiros!

Caro leitor, quando estiver a ler este manifesto – que em nada vai alterar a casmurrice e estupidez Tuga – espero, sinceramente, que não chegue à conclusão que mais tempo passou e, lamentavelmente, a situação ficou na mesma… ou pior!

Foto: pesquisa Google

01nov17

 

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