Os irmãos gémeos Eduardo e Filipe Soares, sócios gerentes da “Vale de Leandro, Agropecuária Lda”, sitiada em S. Pedro Fins, na Maia, são pioneiros e estão na vanguarda deste tipo de indústria, com um investimento de cerca um milhão de euros. Têm uma “espécie de SPA” para os seus animais. O Etc e Tal Jornal foi descobrir algo mais sobre este “investimento”…
Numa exploração familiar, onde estes dois técnicos agrários são já a terceira geração, trabalham também suas esposas entre outros, com uma produção média de 5500 litros/dia o que perfaz a média de 2 milhões de litros/ano, os animais não vivem apenas para a produção de leite, o nosso jornal testemunhou que as condições em que os animais são mantidos são dignas de serem consideradas um SPA, com camas individuais feitas de areia branca, com rolos/escovas motorizados para escovagem/massagem disponíveis 24 horas, com limpeza automática do chão, as vacas conseguem-se manter limpas e saudáveis durante todo o tempo em que se encontram na exploração…
Sérgio Silva e Sousa
(texto e fotos)
Vamos à história…
Um animal come cerca de 50 kg de ração todos os dias, ração essa que é controlada por um técnico nutricionista que dá o acompanhamento à exploração desenvolvendo a fórmula ideal de ração para a exploração.
Os dejetos são aproveitados para fertilizantes orgânicos, servindo para os próprios campos de milho bem como os campos de produção de hortícolas dos vizinhos, pois estes não têm produção deste fertilizante.
Eduardo Soares em declarações ao “Etc e Tal Jornal” (EeTj) disse que “com a prática de preços baixos, graças à conjuntura económica e social -, tais como, o fim das cotas de produção de leite, o embargo da Rússia e até mesmo a crise política em Angola -, Portugal passou de um país onde o litro de leite era dos mais bem pagos na Europa para um dos pais onde esse mesmo litro é o terceiro mais mal pago, obrigando a exploração a trabalhar em escala para conseguirem manter a eficiência da exploração, obrigando assim à venda de uma maior quantidade de leite”.
Informou ainda que “a ordenha é totalmente automática e totalmente robotizada, sendo que a vaca está identificada com um colar que contém um chip eletrónico, o sistema em si é totalmente voluntário. A vaca vai à estação de ordenha sempre que quiser e as vezes que quiser! Após a identificação do animal e da leitura das configurações pré-definidas para a média do efetivo, o robot vai saber se essa vaca tem permissão, ou não, de ordenha. Se houver permissão a vaca será ordenhada, se não tiver a porta de saída será aberta”.
“Havendo permissão”, continua, “o robot irá fazer a preparação de ordenha, com uma tetina o robot irá fazer a limpeza dos quatro tetos sendo aplicado um turbilhão de ar e água que limpará o teto secando-o em seguida, retira também os primeiros jatos de leite pois estes poderão estar contaminados. A água utilizada para a limpeza dos tetos bem como os primeiros jatos de leite serão encaminhados para o esgoto.
De seguida começa o processo de ordenha com outras tetinas que são colocadas/guiadas por lazeres a cada um dos tetos, durante a ordenha o leite é constantemente analisado sendo que se estiver dentro dos parâmetros será enviado para o depósito e refrigerado entre 2 a 4 graus, o depósito da exploração tem a capacidade para 12 mil litros de leite e esse leite é recolhido por um camião a cada 48h.”
A nível social a exploração também não deixa de contribuir, tendo protocolos com escolas profissionais e universidades recebe, sempre que solicitado, estagiários onde estes fazem períodos de formação nas instalações da exploração. Em termos lúdicos a exploração também é requisitada nas férias de verão pelas juntas de freguesia e também por ATL (Atividades de Tempos Livres) onde fazem vistas guiadas à exploração, na qual as crianças ficam a conhecer todo o maneio da exploração, desde a alimentação da vaca, o seu dia-a-dia até à ordenha. Finda esta visita fazem um Workshop de queijo fresco e de leite-creme com degustação no final.
Assim fossem todas as empresas, que lidam e vivem diariamente dos seus animais, tivessem as condições de salubridade e acondicionamento para que no final todos ficassem a ganhar, os animais que, dadas as circunstancias, são a matéria-prima, neste caso em primeiro dão o leite e por fim a carne, não podendo fugir a este facto. A região com o crescimento da economia sem esquecer a sociedade, esta última com o benefício direto da produção de leite e carne bem como cultural com os estágios e visitas pedagógicas às instalações da “Vale de Leandro”. Por fim será de salientar que quanto maior a qualidade do leite, mais bem pago este será! Daí toda a preocupação no bem-estar e higiene do animal que o EeTj assistiu.
01nov17















Parabéns aos dois irmãos Eduardo e Filipe, aos seus pais e esposas pela forma exemplar de produção (esta exploração pecuária dedicada à produção de leite de vaca é uma referência internacional).
Parabéns também pelo esforço que têm feito para divulgar esta produção, como a produção de um alimento de elevada qualidade e seguro, rastreada permanentemente, desmistificando a imagem negativa deste produto alimentar, que se tem divulgado há anos na comunicação social. O leite de vaca é seguramente o alimento mais controlado no nosso país.
Parabéns também por divulgarem a grande preocupação com o bem-estar dos animais, outro tema muito maltratado em Portugal, por ignorantes ou que se fazem passar por tal; está família trata este assunto incansavelmente.
Parabéns finalmente ao repórter e jornal pelo artigo, cujo título é magistral.