Num fim-de-semana (25 e 26 novembro) com uma autêntica maratona de eventos na programação cultural do Museu de Ovar, a pintura de Celeste Ferreira, com traços de corpos femininos, acabada de ser aberta ao público, destacava-se nas paredes da sala, que acolheu ainda dois eventos literários ambos com moderação de Carlos Nuno Granja, que fez questão de lembrar o 25 de novembro, como o Dia Internacional para Eliminação da Violência Contra a Mulher. Uma temática “no feminino, que marca as atividades do Museu este fim-de-semana” disse o escritor ovarense, alargando assim tal espirito ao conjunto das iniciativas, como os debates sobre o tema, “A questão de género na literatura”, que se seguiriam à apresentação do livro “Plenitude” de Maria Amélia Tavares.
Com uma sala que foi demasiado pequena para receber amigos, familiares e antigos alunos, a sessão de lançamento do livro “Plenitude” de Maria Amélia Tavares, teve como convidados a falarem sobre a autora, o padre Manuel Pires Bastos, que destacou as suas “qualidades literárias”, centrando ainda as suas notas, nos contributos dados pela autora do livro de poesia à colaboração na Revista Reis, lembrando alguns dos seus trabalhos em que sobressaem a sua proximidade às pessoas simples e particularmente da praia do Furadouro.
Outra convidada a falar sobre Maria Amélia Tavares foi a sua colega de profissão e causas sociais, Maria Luísa Resende, que acabaria por insistir na experiencia de ambas na Revista Reis. Como reconheceu, mais do que abordar a bibliografia da autora, preferiu falar do “empenhamento na vida” da colega a quem manifestou ter “grande apreço”. “O livro assume vivência e aprendizagens” e assume igualmente, “as consequências das suas opções sobre as contradições da sociedade em que se empenha” diria ainda Maria Luísa Resende para quem, “é um enriquecimento para quem trabalha com ela”.
Já à neta da autora de “Plenitude”, Eva Aguiar, que concluiu o curso de Piloto Aviador, coube fazer uma apresentação da composição do livro com 33 poemas divididos, “embora muito interligados”, por temáticas como, relação familiar, introspeção e problemática do mundo, de que se destacou a leitura do poema “Meu menino sírio”.
Nesta sessão em que se “revisitou memórias”, como sublinhou o moderador, a animação musical teve a atuação do Manuel Ferreira e Sara Ferreira, a quem Maria Amélia Tavares deixou palavras de reconhecimento, bem como às dinâmicas do Museu de Ovar “na vida cultural vareira”. Realçou também os afetos que a prendem à Revista Reis em que sempre colaborou. Perante alguns dos seus antigos alunos do primeiro ciclo, a professora com visível alegria, reavivou os valores que sempre lhes transmitiu, “para a dignidade humana e a solidariedade” no empenho para “ajudarmos a construir mais e melhor o país e o mundo”. Caminhada em que se continua a envolver, procurando sempre “aprender com os outros”, a exemplo do seu atual projeto de trabalhar Teatro com séniores.
Perante exemplares testemunhos de “missão” de duas colegas de profissão, Carlos Nuno Granja chamou atenção, para a forma “revoltante como a sociedade está a ver a luta dos professores”, que, e afirmou, “é pela sua dignidade”, mais do que por questões económicas. “A sociedade tem de valorizar os professores”, em que se destacam, “este espirito de missão aqui falado e presente”, destacando o papel de relevo que continua a ser desenvolvido pelas suas colegas de mesa nesta apresentação do livro “Plenitude”, que terminou com uma sessão de autógrafos.
Escritoras debateram as temáticas do “género”
Perante o desafio lançado pelo escritor Carlos Nuno Granja para em vários painéis temáticos as escritoras convidadas partilharem a sua visão e experiencias sobre “A questão de género na literatura” durante os dias 25 e 26 no Museu de Ovar. O arranque para estes debates (mesa 1), teve a participação de Fausta Cardoso Pereira, Minês Castanheira e Raquel Patriarca, que resultou numa animado diálogo sobre se, “Também há desigualdade na literatura?”. Diálogos em que as questões do “género” foram sempre o centro, ainda que, com naturais e diferentes abordagens por cada uma das escritoras de cada painel.
A mesa 2 teve como intervenientes, a dupla de escritoras, Andréa Zamorano e Tânia Ganho, que falaram sobre, “Podemos pela escrita perceber o género?”. Por fim no dia 26 o tema proposto foi sobre se, “O equilíbrio entre género existe ou é uma miragem de Futuro?”. Um desafio em jeito de conclusão deste ambicioso programa de debates, que esteve a cargo das escritoras, Inês Botelho e Anabela Borges.
Texto e fotos: José Lopes
05dez17


