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BURACOS RESISTEM (MULTIPLICANDO-SE) EM RUAS “CENTRAIS” DO PORTO! Passámos por eles de autocarro (ver vídeos) para “saudável digestão”!

A Câmara Municipal do Porto tem, nos últimos anos, “atacado” os buracos em muitas artérias da cidade. Segundo dados oficiais, terão sido os dois últimos executivos camarários que mais obras fizeram na beneficiação de ruas, avenidas e respetivos passeios. Seja como for, e atendendo ao número considerável de “queixas” enviadas para a redação deste jornal (na maioria utentes, mas também motoristas da STCP), fomos à descoberta de algumas artérias “centrais”, por onde passam, diariamente, milhares de viaturas – de transportes públicos a particulares (ligeiros e pesados) -, que estão – como nos alertaram e nós comprovamos – em estado considerado, no mínimo, “lastimável”…

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José Gonçalves       Sérgio Silva e Sousa     Pedro N. Silva

  (Texto)                  (fotos e vídeos)                      (vídeo *)

“Isto, aqui, está assim, numa miséria, há mais de trinta anos. Passam por aqui, diariamente, centenas e centenas de carros e autocarros, e nada tem sido feito para acabar com estes buracos. Esta é uma das ruas mais movimentadas e a mais esburacada do Porto”, referiu à nossa reportagem, uma moradora na Rua do Padre António Vieira, artéria que se encontra num estado, verdadeiramente, calamitoso.

Vamos já lá…

Começámos, assim, este périplo com queixas de moradores por causa, essencialmente, das “barulheiras” originadas pelas viaturas que passam pelas esburacadas ruas; assim como de utilizadores de transportes públicos, e de motoristas dos mesmos, pelas trepidações constantes, que dão cabo dos autocarros, da paciência das pessoas, e da saúde dos profissionais do volante.

Enfim, estamos perante um leque considerável de situações que, tendo em conta a importância dessas vias citadinas (algumas de saída e entrada no burgo) e o crítico estado em que se encontram, merecerão, por certo, especial reflexão de quem responsável.

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Não descorando o trabalho que a empresa municipal de Gestão de Obras do Porto (GO Porto) está a realizar – ainda recentemente com a conclusão de obras de beneficiação nas ruas de D. João Peculiar e Matias de Albuquerque, em Campanhã -, a verdade é que a “distinção” das artérias “centrais” mais esburacadas do Porto por parte dos leitores do EeTj tem razão de ser. E tanto tem, que a prova-la estão as imagens (fotos e vídeos) que se seguirão e que, como se referiu, têm como principais “vítimas” as pessoas nelas a residir, mas também as milhares que utilizam os serviços da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e de outras empresas privadas que operam na cidade, assim como os motoristas das mesmas.

Dores de cabeça para a STCP

Com parte da frota envelhecida, mas que será “rejuvenescida” dentro em breve, através da aquisição, à Caetano Bus, de 180 novas viaturas (das quais 15 movidas a eletricidade), começando oito a circular – segundo certas fontes – a partir de fevereiro deste ano, a STCP vive também preocupada com o crítico estado em que se encontram algumas ruas da cidade – parte das quais alvo da nossa reportagem -, sofrendo problemas de monta, principalmente no que diz respeito à manutenção dos seus veículos.

E uma das ruas mais esburacadas é, sem sombra para dúvidas, a de Padre António Vieira, por onde iniciámos este périplo…

RUA DO PADRE ANTÓNIO VIEIRA (Bonfim-Campanhã)

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A Rua Padre António Vieira, com somente 235 metros de comprimento, é das vias com maior movimento de transportes públicos, ligeiros e pesados da cidade do Porto, sendo, uma das principais entradas e saídas da Invicta, na sua zona oriental, isto para quem vem da Via de Cintura Interna (VCI), Estrada da Circunvalação, de Gondomar (entrada) ou do centro do Porto (saída).

A dois passos da estação ferroviária de Campanhã, esta rua, ainda em paralelo e sem obras de melhoramentos há mais de duas décadas, fica situada entre as (alcatroadas) ruas de Pinto Bessa (já com buracos dignos de registo) e do Heroísmo.

Esta artéria é “pertença” de duas juntas de freguesia, ou seja, e para quem sobe, o passeio do lado direito – onde se encontra sediado o Sindicato dos Ferroviários – é da responsabilidade da Junta do Bonfim, e o da esquerda, da de Campanhã.

Por lá circulam, diariamente, largas dezenas de viaturas de transporte público, propriedade da STCP e da Empresa de Transportes “Gondomarense” (ETG), sendo que a faixa ascendente, da direita, é que a regista maior número de linhas: 207 (Campanhã-Mercado da Foz), 400 (Parque Nascente-Aliados), 205 (Campanhã-Castelo do Queijo), ZR (Campanhã-Alfândega), estas da STCP, e 01, 22, e várias carreiras interurbanas, da ETG.

Já no sentido descendente, só o 207 percorre a rua, vindo do Mercado da Foz em direção à Estação de Campanhã, por sinal a parte mais degradada desta artéria.

Para ter uma ideia de como está a rua, é só observar com atenção as fotos que se seguem:

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Considerada, popularmente, a “capital da buracolândia”, a Rua do Padre António Vieira terá, pelos vistos dois destinos diferentes, no que concerne a obras, as quais serão da inteira responsabilidade da Câmara Municipal do Porto – e enfatizamos este facto, porque muitos dos nossos leitores poderão pensar que as juntas de freguesia têm obrigações na realização de melhoramentos nas vias citadinas… nada disso!

Para José Manuel Carvalho, presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, em declarações ao “EeTj”, as obras só arrancarão, quando arrancarem as da construção do “Intermodal de Campanhã”, já para Ernesto Santos, presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, também em declarações à nossa reportagem, as obras estão para breve, de acordo com informação camarária.

(Foto: Pedro N. Silva - Arquivo)
(Foto: Pedro N. Silva – Arquivo)

José Manuel Carvalho: “As obras de requalificação da rua estão integradas no processo relativo ao Centro Intermodal de Campanhã, o mesmo acontecendo com a rua da Lomba. Só quando esse processo avançar é que a rua será sujeita a obras de melhoramento ou requalificação. A rua faz parte de um todo, que é esse processo do Intermodal de Campanhã”

(Foto: Pedro N. Silva - Arquivo)
(Foto: Pedro N. Silva – Arquivo)

Ernesto Santos: “A Rua do Padre António Vieira, como outras ruas da freguesia de Campanhã, está num estado crítico. Recentemente expus a situação das nossas ruas à vereadora da Câmara Municipal do Porto responsável pelo setor, e foi-me dito que as obras estavam para breve. A competência é, na realidade, da Câmara Municipal e não das Juntas, as quais só têm de informar a autarquia dos problemas que afetam as suas freguesias. Há uma rua em estado idêntico à da do Padre António Vieira, que é a de Contumil, entre a Avenida de Fernão de Magalhães e a estação de Metro.”

Seja como for, e tendo em conta as declarações dos dois autarcas, parece que a Rua do Padre António Vieira vai ter de esperar mais algum tempo para ser “requalificada”, estando ainda por explicar o facto de já não ter sido alvo de qualquer intervenção, quando as ruas de Pinto Bessa e do Heroísmo (bem como a do Freixo) foram alcatroadas, ficando, porém, esta via com piso em paralelo granítico, por certo, para preservar alguma achado arqueológico, que, em boa verdade, desconhecemos qual.

Mas se ainda não passou pela Rua do Padre António Vieira, venha daí connosco, e de autocarro… É só fazer, de seguida, um clique e, pronto, Atenção: cuidado com a trepidação! Vamos no 207 e em direção à Estação Ferroviária de Campanhã… (vídeo *)

Agora, vamos de Campanhã – também no 207 – rumo ao Mercado da Foz. Agarre-se ao ferro se estiver de pé.

Por sinal – e devido ao facto de o autocarro ter relativamente poucos anos e a suspensão ainda ser razoável -, a trepidação não é tão acentuada como a verificada na viagem anterior. Mesmo assim, tenha cuidado…

Por certo, que ficou elucidado(a) quanto ao deplorável estado em que se encontra esta rua, mas há mais em idêntico estado, não tão grave – é verdade! -, mas quase.

RUA DE SANTOS POUSADA (Bonfim)

Se há rua onde as obras de Santa Engrácia são evidentes, é esta a principal. É verdade! Só o lado sul da Rua de Santos Pousada (300 metros, se tanto!) já teve um sem-número de intervenções – está a ser sujeita a mais uma – passando as mesmas pela criação de um novo tapete alcatroado. Só que, e devido a certos e complexos problemas, as coisas atam, desatam e voltam a atar-se. O projeto para a requalificação desta rua, situada no coração da freguesia do Bonfim, é interessante, mas nem um terço foi ainda concretizado.

A Rua de Santos Pousada é de paralelo “oscilante”, cada buraco parece ter uma história que vai sendo constituída por cada vez mais capítulos. E assim tem ficado, de ano para ano, até que o “livro” se transforme em “enciclopédia”. Os moradores queixam-se da situação – há anos que se ouvem lamentos nas assembleias de freguesia do Bonfim – mas, dos Paços do Concelho, poucas são as respostas concretas para resolver de vez este problema.

(Foto: Pedro N. Silva - Arquivo)
(Foto: Pedro N. Silva – Arquivo)

Estamos a falar de uma rua que tem uma extensão considerável (1.390 metros) e por lá “viajamos” (entrada por Latino Coelho e saída pela Rua D. Agostinho Jesus Sousa) numa viatura da STCP – linha “206” (Viso-Campanhã -), viatura essa de uma série de autocarros (200/2100 – Mercedes) a que chamam de “pandeiretas”.

Portanto, no vídeo que se segue além de ser audível o estado em que se encontra a referida artéria – sim, os buracos também se fazem ouvir – acresce-se o som da… “pandeireta”.

RUAS DA PRELADA E DE PEDRO HISPANO

(Ramalde e Cedofeita)

Nestas duas ruas, Prelada e Pedro Hispano, para além do piso irregular, há também a registar o problema do estacionamento abusivo, obrigando o trânsito automóvel (ligeiros, pesados ou de transporte público) a fazerem todo o percurso em contramão. A “viagem” que fizemos, começou junto ao talho Pessegueiro, no Carvalhido (Rua da Prelada) e acabou na Rua de Pedro Hispano, junto à Associação dos Deficientes das Forças Armadas. O “passeio” resultou naquilo que podem ver de seguida

RUA DE FRANCOS (Ramalde)

E estando quase a terminar este périplo pela “Buracolândia” portuense, demos ainda uma saltada até à Rua de Francos. Passar por esta artéria só quase com a autorização dos “Deuses”, tão estreita que é a via, assim como de irregular é o seu piso. Fomos no “206” da STCP e para o autocarro circular foi um bico-de-obra, tendo mesmo que, em certos sítios, galgar algumas das rampas que dão acesso a certas garagens…

Uma luta constante…

A herança não foi lá muito boa, em termos de buracos nas vias públicas da cidade do Porto, para os executivos camarários liderados por Rui Moreira. A “luta” da Câmara continua, sendo de destacar mais uma (recente) empreitada de beneficiação, desta feita, em parte da Rua Nova da Alfândega e da Rua de Monchique, entre o Centro de Congressos Alfândega do Porto e o atual Museu do Vinho do Porto, em Miragaia. As obras, que visam melhorar as condições de circulação viária e decorrem em horário noturno.

A realidade, contudo, é outra em diversas artérias da cidade, e não só naquelas em que fizemos reportagem, mas também – chamadas de atenção dos nossos leitores – na Rua do Jornal de Notícias (Aldoar), Rua de Contumil (Campanhã), Rua do Bonfim, Rua de Justino Teixeira (Campanhã), Rua de S. Vítor (Bonfim) e muitas outras mais, que ainda não sendo “centrais”, por lá não passarem serviços de transporte público, são utilizadas por largas centenas de pessoas, sejam ou não moradores nos locais.

Há, assim, muita obra para fazer, a ver vamos o que vem por aí…

01jan18

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