A exposição Eterno Retorno, que, como assume a autora, artista Rosa Bela Cruz, “representa o prazer que sempre tenho no retorno à representação do mundo feminino, onde me revejo, e que também é igualmente um reflexo de mim própria”, ainda pode ser visitada até 6 de janeiro na Biblioteca Municipal de Ovar.
O conjunto de obras expostas desta pintora natural de Ovar, representam mulheres, que, como afirma, têm “algo de mim, mas, e acima de tudo, tem muito do meu mundo interior, dos meus sentimentos”. São mulheres anónimas, representadas “para além da feminilidade”, porque, “representam sentimentos, encarnam sentidos com algum mistério” na sua pintura através de técnica mista sobre tela, exprimindo sentimentos de inquietude, angústia ou melancolia.
Nesta exposição a artista realça ainda o seu retorno ao desenho assumido na tela, procurando, “criar um ambiente enigmático de ministério e nostalgia”.
“Eterno Retorno”, dificilmente passou indiferente aos utentes da Biblioteca Municipal neste último trimestre do ano, perante os olhares de mulheres ali representadas, “olhares humanizados que recordam olhares reais de pessoas que passaram por nós”, como afirma o jornalista e escritor, Vítor Pinto Bastos, num texto em que descreve a exposição, “de modo tão sentido”, agradece Rosa Bela Cruz.
Licenciada em Artes Plásticas pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), a pintora Rosa Bela Cruz, que expõe desde 1980, lecionou Artes Visuais no ensino secundário durante 36 anos e atualmente divide o seu tempo entre Ovar e o Porto, onde reside habitualmente.
Com uma vasta intervenção artística de que resultam trabalhos centrados, ao nível técnico, na experiência de vários materiais e técnicas mista com destaque para as colagens e texturas gráficas.
Do ponto de vista temático, tem explorado diferentes interpretações da figura humana, com especial destaque para o universo feminino, como principal expressão da sua obra, a exemplo desta mostra na Biblioteca Municipal de Ovar. Abordagens do feminino que intercala com trabalhos que têm, “associado à dimensão pictórica uma escrita poética e por vezes interrogativa sobre questões sociais que a perturbam”, e que são marcantes nesta última década mais intensa de exposições individuais e coletivas.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “EeTj” em Ovar – Aveiro
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