A Avenida Gustavo Eiffel (Porto – margem direita do rio Douro) entre a Calçada das Carquejeiras (Corticeira) e a Ponte Maria Pia, continua encerrada ao trânsito rodoviário devido a obras de requalificação e segurança da denominada escarpa da Fontainhas, o que acontece, nos dois sentidos, desde o passado dia 17 de dezembro, altura em que Proteção Civil do Porto tomou tal decisão.
Além das obras de renovação do intercetor marginal e de requalificação da referida avenida – empreitada avaliada em cerca de 3,7 milhões de euros, apoiada pelo programa de Valorização do Território – e da instalação de um sistema de telegestão que permitirá a monotorização e controlo remoto do funcionamento das instalações, o mau tempo que se fez sentir, em dezembro de 2017 e a ameaça de derrocadas, obrigaram a uma intervenção com redobrados esforços, facto que condicionou o previsto e normal desenrolar das obras, e a abertura da via marginal ao trânsito automóvel.
José Gonçalves Pedro N. Silva
(texto) (fotos)
A Avenida Gustavo Eiffel dificilmente será reaberta ao trânsito nos tempos mais próximos, distribuindo-se o seu fluxo rodoviário – rumo à zona oriental da cidade, e saída da mesma, pela Via de Cintura Interna ou Estrada da Circunvalação -, por artérias que viram, naturalmente, um acréscimo significativo de trânsito, como os casos mais notórios da Avenida de Rodrigues de Freitas, Rua do Heroísmo, Rua do Freixo, Campo 24 de Agosto, Rua do Bonfim, Rua de S. Roque da Lameira, Avenida de Fernão de Magalhães e Rua de Pinto Bessa.
Com o aumento de trânsito, aumentou também, o número de acidentes, ainda que ligeiros, nessas artérias, assim como a queixa dos utilizadores dos serviços públicos de transportes rodoviários (STCP, Valpi e Gondomarense) que, principalmente em horas de ponta, “não saem do sítio”. A acrescentar a este facto há ainda a registar a circulação de viaturas de passageiros em serviço ocasional, que tem aumentado exponencialmente, devido ao crescente interesse turístico pelo Porto e ao considerável aumento do número de unidades hoteleiras, junto às quais estacionam, ainda que temporariamente, esse tipo de serviço de transporte.
Linha da Alfândega vai “virar” Via Panorâmica
De acordo com José Manuel Carvalho, presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, da qual faz grande parte da área onde estão a decorrer as obras, é “difícil estar a dizer quando é que e empreitada na escarpa das Fontainhas terminará”, salientando o autarca, que “as obras são complexas e, como tal, demorarão o seu tempo”.
Obras que passarão, entre outras transformações na escarpa, pela criação de uma Via Panorâmica na antiga via-férrea que ligava Campanhã a Alfândega.
“Vai aproveitar-se o espaço deixado pelos trilhos do comboio, e os túneis da antiga da Linha da Alfândega, para ser construída uma Via Panorâmica sobre o Douro, destinada, essencialmente, a peões e ciclistas, não estando afastada a hipótese de lá poderem circular outras viaturas”, referiu ainda José Manuel Carvalho, que, com esta informação, deita por terra o objetivo de muitos amantes do transporte ferroviário, que gostariam de voltar a ver passar os comboios (por que não um “turístico”) por aquela “ligação histórica”.
Entretanto, a verdade – e foi o motivo desta quase que foto-reportagem – é que as obras estão a decorrer a bom ritmo, mas sempre sujeitas às variações meteorológicas, que se prevêem instáveis nos primeiros dias de março, o que irá, com certeza, condicionar o ritmo dos trabalhos.
Teimosamente – e fica aqui este apontamento de reportagem – nada se fala sobre o destino a dar à velhinha Ponte Maria Pia, ali especada a ver as obras perto de um dos seus “braços”, e sem nada saber para quando um definitivo “abraço”, de Porto e Vila Nova de Gaia, para a sua utilidade. Neste particular estamos fartos de “bater no ceguinho”!
01mar18










