Menu Fechar

A SÉTIMA PONTE

As cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia vão ficar ainda mais unidas, desta feita, e como já se sabe, com a construção, num período máximo de quatro anos, de mais uma ponte (a sétima) sobre o rio Douro. À cota baixa, com 250 metros de extensão; podendo ser atravessada por trânsito rodoviário, transporte público, pedonal e ciclista, a ponte, a construir entre as já existentes de S. João e do Freixo, terá um custo (a pagar pelos dois municípios) de 12 milhões de euros, ligará a freguesia de Campanhã (Porto) à de Oliveira do Douro (Gaia), e será batizada com o nome do bispo do Porto, falecido em setembro do ano passado, D. António Francisco dos Santos.

d antonio francisco santos - 01

A novidade (que, pelos vistos, não era tão secreta quanto isso), foi revelada, no passado dia 12 de abril, no Laboratório Edgar Cardoso, por Rui Moreira e Eduardo Vítor Rodrigues, presidentes das câmaras municipais do Porto e de Gaia, respetivamente.

Local perto onde, em VN Gaia, a ponte será construída (foto pns)
Local perto de onde, em VN Gaia, a ponte será construída (foto pns)

Esta, como atrás se referiu, será a sétima travessia sobre o rio Douro, entre Porto e Gaia, e nem todas elas foram tão consensuais quanto a que agora é novidade. A necessidade da ligação do Porto ao Sul e, essencialmente, a aproximação à capital – tanto em termos rodoviários como ferroviários – esteve durante anos na ordem do dia, mas nem todos os projetos foram pacíficos dadas as divergências políticas entre os dois municípios.

Um dos projetos que muitos apoiam
Um dos projetos que muitos apoiam

Dos projetos mais megalómanos (não concretizados) aos outros que fizeram história, as pontes são, para Porto e Gaia – independentemente de certos desentendimentos, como os verificados com a Ponte do Infante -, um importante fator de união entre populações (ribeirinhas) que têm raízes históricas comuns.

Consenso generalizado

Foto: pG - Mundo Português
Foto: pG – Mundo Português

A verdade, porém, é que a futura travessia (atenção que há ideias para mais algumas) reúne consensos, basta termos em atenção as declarações dos protagonistas no dia em que foi anunciado o projeto para a nova ponte.

Rui Moreira: “Esta é uma solução que vinha sendo exigida pelas necessidades atuais e pelo facto de as duas cidades conviverem quase como uma. Temos um centro histórico, não temos dois. Não precisamos de pedir nada ao senhor ministro das Infraestruturas e também não precisamos do Ministério da Cultura”

Eduardo Vítor Rodrigues: “Este será um alívio para a pressão das pontes atuais, e servirá para a inclusão de territórios que, ao longo dos tempos, têm sofrido alguma estigmatização.”

Critérios para a localização da futura ponte

Pedro Baganha
Pedro Baganha

Mas, se entre os dos municípios há o consenso que se vê, também não são muitas as divergências relativas ao projeto por parte dos vereadores na Câmara Municipal do Porto (CMP).

Prova é que, aquando da apresentação, por Pedro Baganha (vereador do Urbanismo da CMP, na foto) dos critérios que presidiram à localização da nova ponte em reunião de executivo, nem Manuel Pizarro (PS), nem Álvaro Almeida (PSD), nem Ilda Figueiredo (CDU) se manifestaram contra o projeto. Colocaram, isso sim, algumas dúvidas…

Então quais foram os critérios apresentados por Pedro Baganha? De acordo com o site de informação da CMP “Porto.” Nos critérios referidos pelo vereador do Urbanismo prevaleceram o “oportunismo e a política”.

“De ordem oportunista, porque após a ponte ferroviária São João começa a entrar-se no vale de Campanhã, pelo que a altitude das escarpas diminui consideravelmente, permitindo um melhor relacionamento entre a cota baixa e a cota alta – ou seja, é facilitada a amarração de uma nova infraestrutura na margem do Porto.”

Por outro lado, “o critério político também pesou na escolha da localização. No programa eleitoral do Movimento Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido, sufragado pela maioria dos portuenses em outubro de 2017, consta a revitalização da zona oriental da cidade, e esta localização resolve um problema de mobilidade e catalisa novas atividades”.

“Este novo atravessamento”, disse ainda Pedro Baganha, insere-se numa rede global de transformação da zona oriental que, já está em curso com outros investimentos estruturais”, como sejam o Terminal Intermodal de Campanhã e o projeto de reconversão e exploração do Antigo Matadouro Industrial .  Acrescentou ainda que o atual PDM, através da ORU de Campanhã, já prevê a criação de empresas na zona agora eleita para a construção da nova ponte.”

Reação da oposição

Manuel Pizarro (PS): “Na lógica de cidade metropolitana há vantagens de melhorar as ligações com Gaia. Portanto, é perfeitamente adequada a ideia de uma nova travessia”.

Só que manifestou dúvidas quanto a “se a nova ponte melhorará a fluidez do trânsito do lado do Porto”, lamentando o vereador socialista que a Infraestruturas de Portugal (IP), assim como as entidades ligadas ao património tenham “inviabilizado a solução do alargamento do tabuleiro inferior da ponte Luiz I”, pois a “pedonalização” dessa travessia levanta-lhe “dúvidas”.

Ilda Figueiredo (CDU): “Já ouvi falar de muitos projetos de pontes, mas, depois, nenhum se materializou”. A vereadora contestou, porém, o facto de o projeto “não ter sido apresentado anteriormente” em sede de reunião de executivo.

Álvaro Almeida (PSD) concordou com a contestação feita por Ilda Figueiredo e pediu uma explicação fundamentada sobre a decisão quanto à localização da futura ponte, a qual foi dada por Pedro Baganha e que atrás reproduzimos.

Igreja católica e Sindicato da Construção aplaudem nome e construção da ponte

D. António Taipa (pG)
D. António Taipa (pG)

Entretanto, o Administrador Diocesano do Porto, D. António Taipa salientou que “D. António era uma grande ponte, entre as pessoas e entre as instituições. E foi isso que o notabilizou. Foi um homem de proximidade, que foi capaz de sair de si próprio e das suas pequenas ou grandes preocupações pessoais para ir ao encontro dos necessitados, dos doentes e dos pobres, de toda a gente e de todas as instituições” – disse o Administrador Diocesano do Porto, justificando o agrado com que a Igreja recebeu a escolha do nome do antigo Bispo de Porto, D. António Francisco dos Santos, para a nova ponte.

Albano Ribeiro, presidente do SCP (pG)
Albano Ribeiro, presidente do SCP (pG)

Por seu turno, o Sindicato da Construção de Portugal considera (em comunicado) que “esta infraestrutura é de grande importância para as populações da Área Metropolitana do Porto bem como para aqueles que visitam esta região. Os dois presidentes de camara, ao tomarem esta medida, ela reflete que há muita saturação de tráfego na Ponte do Infante. Se a região estivesse à espera que o Governo tomasse uma iniciativa destas quando aconteceria? Como sabemos uma ponte com estas características vai criar muitas centenas, para não dizer milhares, de postos de trabalho na região, mas como é do domínio público nos últimos seis anos saíram mais de 200 mil trabalhadores da Construção para a Europa e fora da Europa, é caso para perguntar, quem vai construir a ponte são trabalhadores portugueses ou estrangeiros dada esta realidade? Será que vamos recorrer à mão-de-obra chinesa?”, fica a pergunta

Quem será o futuro engenheiro a ficar na história?

Eng. Edgar Cardoso (11mai1913/01jul2000) pG
Eng. Edgar Cardoso (11mai1913/01jul2000) pG

Carlos Amarante (Ponte das Barcas), Stanislas Bigot (Ponte D. Maria II – Pênsil), Gustave Eiffel (Ponte Maria Pia) Théophile Seyrig (Ponte Luiz I) e Edgar Cardoso (Ponte da Arrábida e Ponte de S. João), António Reis (Ponte do Freixo) e José António Fernandez Ordóñez (Ponte do Infante) são nomes que ficaram para a história das cidades de Porto e Gaia

Quem será o engenheiro responsável pelo projeto da ponte D. António Francisco dos Santos? Uma pergunta que ficará no ar ainda durante algum tempo. Primeiro terá de ser aberto, ainda este ano, o concurso público para a conceção, e outro (internacional) para a construção, e só depois ver-se-á como se desenrolará o processo.

Registos

E como lindas são, ou como foram as que vida efémera tiveram, as pontes que unem Porto e Gaia. Fica o registo, a maior parte dos quais com trabalhos fotográficos dos nossos colabores, um dos quais já desaparecido, António Amen.

PONTE DAS BARCAS

(15ago1806/1843) Carlos Amarante (por)

ponte das barcas

PONTE D. MARIA II (PÊNSIL)

(17fev1843/1887) Stanislas Bigot (fra)

ponte pensil

PONTE MARIA PIA

(04dez1877/desat.24jun…abandonada) Gustave Eiffel (fra)

pns
pns
pns
pns
pns
pns

maria pia gaia 01

PONTE LUIZ I

(31out1886…) Théophile Seyrig (fra)

aa
aa
aa
aa
sss
sss
pns
pns

PONTE DA ARRÁBIDA

(22jun1963) Edgar Cardoso (por)

aa
aa
pns
pns
pns
pns
mm
mm

PONTE DE S. JOÃO

(24 de junho 1991) Edgar Cardoso (por)

pns
pns
pns
pns
pns
pns

PONTE DO FREIXO

(set1995) António Reis (pt)

pns
pns
pns
pns
pns
pns
pns
pns

PONTE DO INFANTE DOM HENRIQUE

(30mar2003) José António Fernandez Ordóñez (esp)

ponte do infante - destaque - 01ago13

pns
pns
pG
pG

 Texto: José Gonçalves

Fotos: António Amen (aa), Mariana Malheiro (mm), Pedro N. Silva (pns), Sérgio Silva e Sousa (sss) e pesquisa Google (pG)

01mai18

 

 

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.