Sete mil dos cerca de 30 mil inquilinos dos bairros sociais do Porto têm mais de 65 anos. O problema não reside na idade, é que desses moradores com mais de 65 anos, mais de dois mil e quinhentos vivem em situação de isolamento.
Estes importantes e preocupantes dados foram revelados, no passado dia 19 de abril, na Sala 2 do Coliseu do Porto, pelo “Porto Importa-se”, projeto criado para uma intervenção técnica e social direta sobre a população sénior residente no parque habitacional sob a tutela da Câmara Municipal do Porto e gerido através da “Domus Social”.
Este diagnóstico/estudo decorre desde setembro do ano transato e deverá estar concluído este verão, e é, considerado, de extrema importância; tanto assim é que a Sala 2 do Coliseu estava repleta de pessoas em representação de diversas forças vivas da cidade do Porto – desde autarquias, instituições particulares a coletividades.
Novas respostas sociais
Para o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, “aquilo que estamos a procurar com este projeto é dar uma resposta que tem que ir para lá da tradicional na habitação social”, para tal, “é preciso um diagnóstico das necessidades e uma política de acompanhamento envolvendo a rede social e parceiros”, isto para que “as pessoas (alvo deste estudo) não sucumbam ao isolamento e não estejam perdidas naquilo que é a habitação social”.
Antes, porém, já o vereador responsável pelo pelouro da Habitação e Coesão Social, Fernando Paulo, tinha dado a conhecer as linhas-mestras do projeto
“Este é um projeto pensado também para dar respostas novas, pelo que o apoio domiciliário tipificado pode configurar o apoio na alimentação ou na higiene pessoal “, ou seja, “são coisas tão simples como garantir uma companhia, ao médico e em algumas atividades de recreio e lazer tudo no sentido de garantir que as pessoas com maior longevidade do Porto tenham qualidade de vida”, referiu o vereador para quem, hoje, “há outras respostas que temos de garantir, nomeadamente cuidados de saúde ao nível da enfermagem. Terá de haver respostas atípicas em algumas situações”.
“Números” preocupantes
Entretanto fique saber que o “Porto Importa-se” está a importar-se mesmo com a situação de isolamento de idosos com mais de 70 anos, e casais de seniores com mais de 75 primaveras, isto num universo de cerca 2541 pessoas. Ora, destes, setenta por cento são do sexo feminino, 56,6 por cento têm rendimentos mensais inferiores a 500 euros, 56,7 por cento vivem sozinhos e 48 por cento referem sentir-se sozinhos “apresentando risco de isolamento social”, salienta o “PI”.
Este projeto está a ser desenvolvido com o apoio técnico do Instituto Superior de Serviço Social (ISSSP), em parceria com as setes juntas de freguesia da cidade e estruturas locais de solidariedade social, obedecendo o referido projeto a uma metodologia que parte do “reconhecimento profundo da realidade da população visada, nos bairros de habitação social da cidade”.
Entre as principais linhas de atuação está “o desenvolvimento do projeto a partir de um diagnóstico rigoroso e em atualização permanente, colocação de equipas no terreno e construção de uma rede alargada de parcerias e serviços da comunidade com recurso ao voluntariado, bem como a criação de uma plataforma de informação e comunicação em rede entre os técnicos de apoio ao projeto”, realça o “PI”.
Texto: José Gonçalves
Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)
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