A última tertúlia de Maio “Conversas Úteis” que se vêm realizando no Museu de Ovar sob coordenação do escritor ovarense Carlos Nuno Oliveira, que habitual modera estes sempre animados momentos literários, recebeu a escritora espanhola Eugenia Rico, para conversar sobre o seu livro, Os Amantes Tristes, que curiosamente, depois da sua primeira apresentação em Lisboa, Ovar foi a segunda cidade portuguesa a poder partilhar tal encontro com a autora na promoção do seu livro, considerado um dos melhores livros do ano, que para surpresa da escritora, veio encontrar também em Ovar o seu segundo leitor deste livro acabado de lançar em Portugal pela editora Parsifal, cujo editor Marcelo Teixeira, igualmente presente, assumiu ele próprio a tradução.
Apresentada pelo editor da Parsifal, Eugenia Rica, não sendo ainda “muito conhecida em Portugal”, está traduzida em línguas como, italiano, russo e inglês, com edição nos EUA. Destacam-se neste percurso da sua carreira literária iniciada com o romance O guarda dos anos (2000), o galardão Bauer You th Prize do Festival Internacional de Literatura, Veneza, o Prémio Azorín (2002) com o livro A Morte Branca, Prémio Ateneo de Sevilha (2006), com o livro O outono alemão e o Prémio Espiritualidad (2005) que resulta de um ensaio sobre a Índia. Foi também finalista em 2004 do Prémio da Primavera de Novela.
Feitas as apresentações, a conversa fluiu rapidamente com a escritora a procurar na colaboração do moderador, a tradução para português de algumas palavras da sua língua materna, o galego, onde nasceu em Oviedo, em 1972.
Eugenia Rico, que se manifestou admiradora de autores portugueses como, Miguel Torga, falou do seu livro Os Amantes Tristes e de como começou a sua relação com a literatura e a escrita. Uma caminhada traçada ainda na escola em que escreveu um texto que acabaria por despertar o desejo por si manifestado aos cinco anos de idade, quando terá afirmado que queria ser escritora.
Lembrou mesmo, que na altura da escola, não queria editar a “tal carta”, referindo-se ao artigo que escreveu aos onze anos e foi lido pelos colegas, “e agora publica livros”, referindo-se ao seu percurso literário, aos prémios, às viagens, e naturalmente à sua obra, falando de personagens de uma trilogia de livros sobre paixões, começando pela “amizade”, em Os amantes tristes, seguiu-se “amor fraterno”, A morte branca e terminou a trilogia com “amor carnal” em, A era secreta.
Mas tal como era objetivo da sua presença neste país vizinho, a promoção do livro Os amantes tristes, foi desta obra que tanto o editor Marcelo Teixeira, como o moderador Carlos Nuno Oliveira, entoaram poeticamente alguns parágrafos que despertaram ainda mais interesse nos leitores presentes para conhecerem a escrita de Eugenia Rico, porque como realçou o moderador de mais esta tertúlia, isto é “escrever com a poesia toda”.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal jornal” em Ovar – Aveiro
01jun18



