Menu Fechar

Exposição na Casa do Design de Matosinhos assinala os 250 anos da Imprensa Nacional

Até 03 de novembro de 2018, uma extensa mostra documental reúne na Casa do Design de Matosinhos máquinas, instrumentos e artefactos relacionados com a história da tecnologia que revolucionou a produção do livro e a democratização do saber

531 anos depois de Samuel Gacon ter impresso em Faro o primeiro livro produzido em Portugal segundo o método dos caracteres móveis inventado pelo alemão Johannes Guttenberg, a Casa do Design de Matosinhos dedica uma grande exposição à tecnologia que permitiu reconfigurar o mundo e a transmissão do saber. Imprimere — Arte e Processo nos 250 Anos da Imprensa Nacional explora os principais processos e técnicas de artes gráficas relacionadas com a produção do livro.

A exposição, promovida pela Câmara Municipal de Matosinhos, pela esad—idea, Investigação em Design e Arte e pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, assinala o 250.º aniversário da fundação da Impressão Régia e ficará patente até três de novembro, mostrando instrumentos, máquinas, tecnologias e artefactos que ilustram a história da produção gráfica em Portugal.

Com curadoria de Rúben Dias e Sofia Meira, a extensa mostra documental contará com duas máquinas históricas em funcionamento e um espaço-oficina onde o público poderá conhecer e experimentar algumas das técnicas de impressão. Rúben Dias é tipógrafo, designer de tipos e docente na ESAD, e Sofia Meira é designer gráfica e responsável pela Oficina de Tipografia da ESAD, estando ambos a desenvolver investigação nesta área.

imprimere - 02

Explorando de forma didática os principais processos, técnicas e tecnologias de artes gráficas subentendidas à produção do livro, a exposição Imprimere  (que em latim significa imprimir, marcar, cravar, afundar) procura, segundo os curadores, «recuperar o conhecimento passado outrora entre mestre e aprendiz, tanto numa perspetiva de redescoberta como de reinterpretação para o presente».

«O espaço físico e a amplitude do espólio a exibir obrigam a uma seleção de conteúdos, procurando-se, através da narrativa de construção do livro e do percurso incontornável da Imprensa Nacional, demonstrar a relevância dos vários processos técnicos para as artes gráficas em geral», assinalam Rúben Dias e Sofia Meira no texto curatorial.

Numa altura em que técnicas gráficas artesanais se têm revelado uma alternativa aos atuais sistemas massificados de produção, Imprimere — Arte e Processo nos 250 Anos da Imprensa Nacional permite, assim, redescobrir as tecnologias que marcaram a execução do livro, num paralelismo com a história da Imprensa Nacional, que acompanhou e contribuiu ativamente para a evolução das artes gráficas em Portugal, da Impressão Régia à atualidade. Do papel à encadernação, passando pelos tipos, pela calcografia, pela serigrafia e pela litografia, a exposição constitui um dos momentos altos da programação cultural de Matosinhos em 2018.

«Se a Bíblia impressa por Guttenberg em 1455 constituiu um salto admirável para as possibilidades de generalização do conhecimento, da cultura e da consciência de que somos herdeiros, a criação da Imprensa Nacional, há 250 anos, deve ser recordada como um momento histórico em que o Estado assumiu a responsabilidade de contribuir para a instrução dos seus cidadãos, procurando que o livro e o saber a ele associado chegassem a um número cada vez maior de pessoas, e divulgando a cultura e a língua portuguesas», escreve a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, no catálogo da exposição.

Texto: Jorge Marmelo (CMM) / EeTj

Fotos: CMM

01jun18

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.