“O meu coração ficará no Porto” foi uma das frases proferidas por Humberto Delgado na sua deslocação à cidade há 60 anos e que foi recordada pelo historiador Gaspar Martins Pereira na sessão organizada pelo núcleo do Porto do movimento cívico “Não Apaguem a Memória”.
Numa sala cheia da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP), dezenas de pessoas assistiram no fim da tarde do passado dia 15 de Maio à evocação dos acontecimentos vividos na cidade aquando da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República em 1958. Foi recordada a enorme multidão que aguardou Humberto Delgado na estação de S. Bento e o acompanhou até à sede da sua candidatura na Praça de Carlos Alberto, uma receção entusiástica nunca antes vista na cidade. E também o comício no Coliseu do Porto no dia 14 de Maio de 1958.
“Sinto-me deslumbrado. Esta gente do Porto, insubmissa à tirania, acaba de me mostrar a luminosa estrada da liberdade” foi outra frase de Humberto Delgado realçada nesta sessão. Foram também lembradas as circunstâncias em que ocorreram as eleições presidenciais e o papel decisivo de algumas figuras do Porto pertencentes à oposição democrática para incitar o general Humberto Delgado a apresentar-se como candidato.
No debate que se seguiu, vários dos presentes lembraram os momentos empolgantes da candidatura de Humberto Delgado, as cargas policiais junto ao Coliseu do Porto e o grande impulso gerado pelas eleições presidenciais de 1958 para o desenvolvimento das lutas do povo português pela democracia que culminaram com o 25 de Abril de 1974.
Texto: José Castro (leitor)
Foto: pesquisa Google
01jun18