Com o areal da praia do Furadouro (Ovar) a encolher sempre que a maré está na enchente, os veraneantes banhistas e turistas que se mantêm fieis a esta acolhedora terra com reconhecido património social e humano umbilicalmente ligado ao mar e à tradicional e característica pesca da Arte Xávega, com típica gastronomia baseada no peixe grelhado em plena rua e saboreado na grande oferta de esplanadas que correspondem à procura particularmente na época balnear. Têm também em terra, como oferta cultural, duas diferentes exposições de pintura e arte xávega em miniatura no Posto de Atendimento Turístico do Furadouro que podem ser visitadas até 30 de setembro.
Assumindo-se como pintora autodidata, Susana Sousa, mostra nesta exposição “Parte de Mim”, um conjunto de trabalhos em acrílico sobre tela de algodão e sobre tela de linho, que resultam da sua vontade de fazer o que realmente gosta como objetivo de vida, pintando como sempre desejou, porque também lhe preenche a Alma.
Entre obras de arte de diferentes estilos do abstracionismo e do que a própria artista define como, “trabalho no âmbito da experimentação, da procura e da descoberta de si, em inúmeras criações nos anos mais recentes, desde que iniciou o trajeto nas artes plásticas”, como escreve na folha de sala da exposição, a historiadora de arte, Ana Paula Reis, sobre Susana Sousa, para quem a pintora é “esforçada, entregue e pura, faz da sua pintura um espelho do mundo que a rodeia.
Aprisionado em breves e indeléveis traços, nesta exposição o público é “orientado” em liberdade, no caminho que deseja e que o exemplo supremo é o Coração Vareiro”. Título de quadro como Reconstrução (à procura do equilíbrio), Génese, Força da Natureza, Melancolia ou retratos de Mulher, Camponesa, A Rainha, ou ainda, O Olhar de Antinoo e O Amante, tal como “amante” é a própria Susana Sousa “de um perfecionismo” tão marcante em retratos ali expostos por seu nome Maria Susana Sousa Martins, nascida em maio de 1973 e licenciada em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a trabalhar na Câmara Municipal de Ovar.
Em terra de pescadores e com a Arte Xávega em vias de extinção, a pintura partilha o mesmo espaço do Posto de Turismo com vários módulos das “maquetes” de miniaturas criadas pelo artesão José Maria Costa, que reúne agora aos seus anteriores trabalhos de recriação da Procissão dos Terceiros e de exemplares do património arquitetónico da cidade de Ovar, a sua mais recente obra autodidata através de um quadro representando a atividade da Arte Xávega na praia do Furadouro, com vários motivos desta atividade em movimento, desde o barco em ondulação no mar, aos bois a puxar a rede, às varinas na lota a separar o peixe e aos palheiros. Pormenores cada vez mais só na memória das gerações mais velhas, que deixam os visitantes e particularmente os residentes com origens familiares ligadas à pesca, perante um quadro que se arrasta com lamentos e incertezas até aos dias de hoje.
Texto e fotos; José Lopes(*)
(*) Correspondente “Etc e Tal jornal” em Ovar – Aveiro
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