Ao longo dos dois últimos meses temos recebido diversas chamadas de atenção quanto à falta de limpeza que grassa na cidade do Porto, isto com testemunhos fotográficos – também eles publicados no Facebook – e outros lamentos vindos por email. E a verdade é que não é difícil depararmos com essa lamentável situação, não só na denominada periferia da cidade, mas, e por mais estranho que possa parecer, no centro da mesma.

Em boa verdade, os nossos leitores, não compreendem como é que uma cidade no “top turístico mundial” se apresente “suja” a quem a visita, com contentores a transbordar de lixos em pleno dia e alguns dos quais junto a hotéis de referência.
Mas, para lá das questões de imagem, surge a, fundamental, questão da higiene, facto pertinentemente, colocado em causa até pelo proliferar, junto aos contentores a transbordar de lixo, de gaivotas, pombos errantes e, em certos casos, de roedores.


“O que se passa com os serviços de limpeza camarários? Falta de pessoal… de maquinaria?” É o que perguntam muitos dos nossos leitores. Juntam-se a estas outras questões, também elas oportunas, e que dizem respeito à “falta de civismo” por parte de determinados comerciantes que “não esperam pela hora da recolha de lixo para mandarem os empregados depositar na rua caixotes cheios de tralha”.
A “Porto Ambiente”, responsável pela limpeza da cidade defende-se com o facto de “nas zonas críticas” (quais?) estarem a trabalhar piquetes que vão resolvendo situações de acordo com os avisos feitos pela população, enquanto a autarquia municipal refere que este problema não passa de um conjunto de “situações pontuais”.
“Resposta” ineficaz

Depois de uma resposta ineficaz por parte de uma empresa privada, que operou durante anos, na recolha de lixos, a situação não melhorou com a entrega desses serviços ao município, em meados do ano passado.
Em 2016, a Câmara Municipal liderada também por Rui Moreira anunciava alterações “profundas para 2017” no que concerne “à recolha de lixo e limpeza da cidade”, com um “nova solução” que, na altura estava a ser desenvolvida pela autarquia em colaboração com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Mais: a Empresa Municipal do Ambiente do Porto recebeu, em junho de 2017, 2,4 milhões de euros da Câmara para a “limpeza do espaço público e recolha de resíduos”. Ora, a verdade, é que estamos em 2018 e os resultados dessa ação como dos apoiados dados à empresa são, praticamente, nulos e até em certos casos mais graves que antes.
O bum turístico e, consequentemente, aumento da população flutuante; o aparecimento de novas empresas e, com ele, o crescimento económico principalmente do setor do comércio e restauração, não terão sido, e pelos vistos, devidamente acompanhados em termos de resposta por parte dos serviços de limpeza e recolha de resíduos.
E-mails contestatários
“Não sei, na realidade, o que se está a passar, mas é preciso não se ter vergonha na cara; não se gostar da cidade; para se deixar acontecer uma coisa destas. Todos os dias, aqui, junto à Praça Dr. Francisco Sá Carneiro, e à luz do dia, são centenas de sacos ao lado dos contentores, cheios de tralha e a produzirem maus cheiros, sem que ninguém venha recolher esta porcaria”, escreve, por email, Mário Lima, residente na zona das Antas, que não deixa de também de culpar “os donos das empresas que não guardam os sacos cheios de lixo para as horas da recolha e mandam os seus empregados fazê-lo logo depois de servirem os almoços”.


Já Maria Cidália “pouco” quer saber “da imagem que a cidade deixa aos turistas “com tanta porcaria nas ruas”, ela está é “preocupada com a questão da higiene” e “logo no Verão, altura em que se verifica uma autêntica invasão de mosquitos junto dos sujos contentores; maus-cheiros; e depois um sem-número de pombas e gaivotas que, desculpe-me o termo, cagam tudo, tendo nós que andar com cuidado na rua, pois podemos levar com trampa na cabeça. Era bom que o vosso jornal alertasse os responsáveis para esta situação”.



Por outro lado, e também por correio eletrónico, o jovem Martinho Silva, estranha o facto de “a oposição do senhor Pizarro, do sr. Almeida e da dona Ilda nada falarem sobre esta questão da limpeza. Eles que eram tão defensores do trabalhos dos serviços municipalizados para dar resposta ao mísero desemprenho que estava a ser feito por uma empresa privada. Se eles falam deve ser entre eles, eu ainda nada ouvi qualquer tipo de contestação sobre o que está a acontecer com a limpeza no Porto”.


E foram mais os leitores a demonstrarem a sua revolta pela situação que se vive na cidade do Porto, abordando, praticamente, todas as questões já referidas anteriormente. Este facto revela a preocupação dos tripeiros pela sua cidade que começa, segundo o nosso leitor Pedro Filipe, por respeitá-la.. não a cuspindo. “Sim, são muitas as pessoas que cospem para a cidade, escarrando nas ruas. A porcaria e a falta de civismo começa aqui antes de chegar aos contentores“.
RECOLHA SELETIVA DE RESÍDUOS EM MARCHA
A Câmara Municipal do Porto (CMP) tem em prática, desde o passado dia 09 de julho, um serviço de recolha seletiva de lixo porta-a-porta, ação, que numa primeira fase, abrange cerca de 2850 fogos no setor residencial de casas unifamiliares.
A apresentação deste serviço decorreu durante a quinta edição do “Cidade+”, que decorreu nos Jardins do Palácio de Cristal (07 e 08 de julho, como pode ler reportagem desenvolvida na Secção “Especial”), e foi feita pelo vice-presidente e vereador da Inovação da CMP, Filipe Araújo.
A referida recolha será efetuada de resíduos será realizada através da empresa municipal “Porto Ambiente” em colaboração com a associação intermunicipal “Lipor, e terá como “alvo” inicial as zonas da União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, freguesia de Ramalde e União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
Esta ação porta-a-porta insere-se, segundo o responsável camarário, “na estratégia de aumento da separação seletiva de resíduos no Porto, sendo que é o primeiro projeto que inclui a separação e recolha da fração orgânica residencial, que se soma à já existente recolha de orgânicos não residenciais”.
Assim sendo, os moradores estão já a receber equipamentos para a recolha de papel, cartão e plástico, metal, vidro, orgânicos e indiferenciados, contribuindo depois para dar corpo ao mote “Reciclar é Dar+”. Os resíduos urbanos recolhidos reverterão a favor da “Somo Nós – Associação para a Autonomia e Integração de Jovens Deficientes”.
Por último, saiba que a “Porto Ambiente” gere, anualmente, mais de 140.000 toneladas de resíduos, num concelho com de mais 215.000 habitantes, aos quais acresce uma população flutuante de cerca 180.000 pessoas por dia, que trabalham ou estudam na cidade. Gestão que, como vimos e lemos, não está, para já, a dar a resposta devida às necessidades relativas à recolha de lixos na cidade, assim como à limpeza da mesma.
Texto: José Gonçalves
Fotos: Leitores (via e-mail e Facebook), JG e pesquisa Google
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